quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O brilho da escuridão divina: A teologia mística do Pseudo-Dionísio e o caminho da negação

 




Paolo Cugini

 

A busca humana pelo divino frequentemente esbarra nas limitações da própria linguagem. Como descrever aquilo que, por definição, transcende toda a realidade criada? No limiar entre a filosofia neoplatônica e a mística cristã, a enigmática figura do Pseudo-Dionísio, o Areopagita (séc. V–VI), ofereceu uma das respostas mais profundas a esse dilema. Sua obra, especialmente o tratado A Teologia Mística, propõe um itinerário espiritual que desafia a lógica convencional: para verdadeiramente conhecer a Deus, é preciso abandonar todo o conhecimento. O pensamento dionisiano estrutura-se a partir de dois movimentos teológicos complementares, mas hierarquizados: a teologia catafática (da afirmação) e a teologia apofática (da negação).

A teologia catafática é o ponto de partida necessário. Ela se baseia nas Escrituras e na experiência do mundo para atribuir nomes a Deus: dizemos que Ele é "Bom", "Justo", "Luz", "Ser" ou "Pai". Essas afirmações não estão erradas; elas revelam como Deus se manifesta na criação através de suas emanações e providências. No entanto, para o Pseudo-Dionísio, o perigo reside em domesticar o divino, reduzindo o Criador às categorias da criatura.

É aqui que a teologia apofática assume o papel supremo. Segundo o autor, Deus é melhor caracterizado e abordado por negações do que por afirmações. A negação dionisiana não é um ceticismo vazio ou uma negação de Deus em si, mas sim a negação de nossas representações humanas sobre Ele. Dizer que Deus "não é luz" significa que Ele supera infinitamente o que entendemos por luz. Ele é, portanto, "Super-Essencial" e "Mais-que-Bom". Todos os nomes e representações teológicas devem ser negados para purificar a mente dos ídolos conceituais que construímos.

De acordo com o Pseudo-Dionísio, quando todos os nomes forem negados, seguir-se-á o "silêncio divino, a escuridão e o desconhecimento". Esse não é um estado de ignorância trágica, mas o ápice da união mística, uma experiência que o autor metaforiza na subida de Moisés ao Monte Sinai. Ao se despojar de todas as imagens e conceitos, a alma humana penetra no que o Areopagita chama de Escuridão Divina ou Raio de Trevas. Essa "escuridão" não decorre da ausência de luz, mas sim do excesso dela, uma cegueira provocada pelo fulgor insuportável da transcendência divina. Trata-se de uma "escuridão mais que luminosa".

Neste estágio, a linguagem humana cessa. O silêncio dionisiano não é apenas a ausência de palavras, mas a plenitude do sentido que dispensa vocalização. O "desconhecimento" (agnosia) torna-se, paradoxalmente, a forma mais elevada de conhecimento: conhece-se a Deus precisamente ao reconhecer que Ele é inteiramente desconhecido e incognoscível pela razão discursiva. É o que a tradição mística posterior chamaria de "douta ignorância". A radicalidade do Pseudo-Dionísio reverbera com força na contemporaneidade. Em um mundo saturado de discursos, dogmatismos e imagens, a teologia apofática surge como um antídoto contra a instrumentalização do sagrado.

Frequentemente, discursos teológicos e políticos utilizam o nome de Deus para justificar preconceitos, guerras e estruturas de poder. Ao exigir a negação de todas as representações, o Pseudo-Dionísio desarmaria essas tentativas. Se Deus está além de qualquer conceito de justiça ou ordem humana, ninguém pode reivindicar o monopólio de Sua vontade. A sociedade ocidental moderna, marcada pelo cientificismo e pelo pragmatismo, tende a rejeitar o que não pode ser medido ou explicado. A mística apofática reabilita o valor do mistério. Ela nos lembra que existem dimensões da existência e da experiência interior, que escapam às redes da linguagem e da lógica cartesiana.  O foco no silêncio e no esvaziamento conceitual aproxima a mística cristã dionisiana de tradições orientais, como o Budismo (com o conceito de Sunyata ou Vazio) e o Taoismo. Ao esvaziar-se de dogmas linguísticos particulares, abre-se um espaço de comunhão universal baseado na experiência da Realidade Última, que está além de qualquer nomeação.

A teologia mística do Pseudo-Dionísio é um convite a uma jornada de desapego intelectual. Ela nos ensina que a teologia mais perfeita não é aquela que acumula definições, mas a que sabe calar-se diante do Absoluto. Ao cruzar o limiar das negações e abraçar a escuridão e o desconhecimento, o ser humano descobre que o silêncio não é o fim da comunicação com Deus, mas o único solo onde a verdadeira união mística pode florescer.


20 comentários:

  1. É bem interessante ver como o Pseudo-Dionísio força a gente a esse desapego conceitual. Na filosofia, a gente tem a mania de querer conceituar e categorizar tudo, mas às vezes tentar enquadrar Deus em definições e dogmatismos mais afasta do mistério do que aproxima. Essa ideia da escuridão mais que luminosa e do silêncio como verdadeira comunhão me fez pensar bastante sobre como a nossa teologia hoje é cheia de barulho.

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  2. Pseudo-Dionísio ensina que Deus está além de tudo o que podemos nomear ou entender. O caminho até Ele é negar tudo o que pensamos, chegando ao silêncio e à escuridão luminosa. é luz demais para nós compreendermos. Conhecer a Deus é saber que Ele é incognoscível é a douta ignorância. Hoje isso ajuda a não usar Deus para o mal, a valorizar o mistério e a dialogar com outras crenças.

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  3. Um dos grandes desafios que tenho esbarrado e visto irmãos enfrentar é, justamente, o de compreender com o intelecto os conteúdos da fé, saber articular, associar, analisar, mas não sentir que o coração acompanha essas compreensões e se impulsiona para vive-la. A nível de intelecto se confessa, se entende o caminho a ser trilhado, é sabido o que é necessário fazer, mas a vontade não acompanha.
    Chega certa altura que o conteúdo inteligível da fé, quando não vivido, pode até não fazer muito sentido no cotidiano e, em certo aspecto, ser só um sistema muito complexo e sofisticado de respostas lógicas, coesa, bem elaboradas e fundamentadas: para uma situação, se consulta o código canônico e eis a resposta, para um dilema existencial, se consulta uma explicação teológica e eis a resposta, para um empasse moral, se consulta a doutrina e eis a resposta.
    Ora, na compreensão inteligível está bastante fundamentado que Deus é Pai, Criador, Fonte da Bondade, etc... e quando essas respostas já estão prontas, parece que a grandiosidade de Deus já está contida nas nossas representações e serviço terminado, e a experiência pessoal dessa verdade é abafada pela limitação dos conceitos que atribuímos e então somos impedidos de experimentar as vários formas com que pode se manifesta.
    Talvez estivéssemos sendo egoístas e pedindo que todo dia algo novo de Deus se manifestasse ou Ele se manifestasse de outras formas, para não ficarmos num possível tédio “das mesmas coisas”. Entretanto, se ele é infinito, porque não seria possível sempre mais descobrir Deus em coisas diferentes, em manifestações diferentes?
    Nesse sentido, a reflexão de Pseudo-Dionísio oferece um caminho que conduz a uma abertura para o Mistério que não pode ser contido totalmente em nenhuma representação. Um caminho místico que permite estar atento a vastidão infinda de Deus e por isso ser livre do desejo de controlar, delimitar, domesticar o divino com significações linguísticas.
    Se os conceitos aprisionam, reduzem, limitam e comunicam fragmentos, o silêncio liberta, abre para o a grandiosidade e, uma vez que a comunicação visa conectar, ele é união.

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  4. O texto fala sobre a busca do ser humano por Deus e mostra que nem sempre conseguimos explicar Deus totalmente com nossas palavras e conhecimentos. Pseudo-Dionísio apresenta duas formas de falar sobre Deus: a teologia afirmativa, quando dizemos aquilo que podemos conhecer sobre Deus, e a teologia negativa ou apofática, quando reconhecemos que Deus está muito além de tudo aquilo que podemos imaginar ou explicar.
    Para mim, a parte mais importante é entender que conhecer Deus também significa reconhecer nossos limites. Às vezes, é no silêncio, na oração e no afastamento de nossas próprias ideias que conseguimos perceber melhor a presença de Deus. O texto mostra que Deus não pode ser colocado dentro dos nossos conceitos, porque Ele é maior do que tudo aquilo que conseguimos compreender.

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  5. O que mais chama atenção nesse texto é a forma como o Pseudo-Dionísio articula duas teologias aparentemente opostas, mas que na verdade se complementam. Por um lado, a teologia catafática afirma coisas sobre Deus Ele é bom, justo, luz, pai partindo da experiência humana e das Escrituras. Por outro, a teologia apofática nega essas mesmas afirmações, não porque sejam falsas, mas porque são insuficientes. Negar não significa duvidar de que o divino existe; significa reconhecer que não podemos categorizar aquilo que não conseguimos compreender plenamente.

    Para o autor, Deus é transcendente: não conseguimos imaginar o que Ele realmente é, pois qualquer imagem ou conceito humano acaba limitando o ilimitado. Por isso, é justamente no silêncio e na contemplação que se torna possível tocar o Criador de um jeito mais autêntico não pela razão discursiva, mas por uma experiência que ultrapassa as palavras. Curiosamente, mesmo esvaziando-se de conceitos, essa experiência não é fria ou abstrata: o Deus que se alcança nesse silêncio continua sendo bondoso e misericordioso, só que de uma forma que escapa a qualquer definição fechada.

    Além disso, o texto é um convite a uma jornada de desapego intelectual. Ele ensina que a teologia mais perfeita não é aquela que acumula definições e explicações, mas a que sabe calar-se diante do Absoluto reconhecer os limites da própria linguagem como ato de humildade e, ao mesmo tempo, como caminho de união mística.
    Essa negação do Pseudo-Dionísio tem também uma dimensão ética, não só espiritual. Se Deus está além de qualquer conceito humano inclusive de justiça, poder ou ordem , ninguém pode dizer que fala exatamente em nome Dele ou que detém a verdade completa sobre Sua vontade. Isso funciona quase como um freio contra discursos religiosos usados para justificar guerras, preconceitos ou dominação. Nesse sentido, a mística apofática não é só um exercício filosófico distante, mas tem implicações bem concretas: ela nos ensina uma espécie de humildade diante do mistério, algo que falta muito em discursos religiosos ou não que afirmam ter todas as respostas.

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  6. Muito interessante a distinção feita pelo autor ao identificar a teologia catafática onde afirma que Deus é bom, é luz, é justo, é Pai e que embora não estejam erradas como o autor mesmo afirma, revelam Deus na criação e em suas emanações. No entanto, o Pseudo-Dionísio ao mesmo tempo se preocupa que essas afirmações possam reduzir o Criador a categoria de criatura. Por outro lado, a teologia apofática se apresenta mais eficiente ao mostrar que Deus é melhor caracterizado por negações. É no esvaziamento de todas as imagens e conceitos que se tem de Deus que, a alma humana entra na escuridão que o Areopagita chama de Escuridão Divina pois não decorre da ausência da luz, mas pelo excesso. Ao final percebemos que não é possível conceituar ou dimensionar o Criador, somos limitados demais para entender o ilimitado.

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  7. Aparentemente é de suma importância quando o assunto se destaca no pensamento teologia e resgata as essências da filosofia, talvez a negação seja a resposta mais clara de um pensamento escuro e que se ausenta de conhecimentos. A teologia mística do Pseudo-Dionísio, ela destaca a dificuldade humana de falar adequadamente sobre Deus, que transcende toda realidade criada. Sua proposta articula dois caminhos a teologia catafática, que afirma atributos divinos a partir das Escrituras e da criação, e a teologia apofática, que nega essas afirmações para evitar que Deus seja reduzido às categorias humanas.
    Aqui trago umas observações que o professor Paolo Cugini trás sobre o Pseudo-Dionísio, ele mostra que a experiência de Deus não se reduz ao conhecimento intelectual. O caminho místico exige humildade, silêncio e desapego das imagens que criamos sobre o divino. A "escuridão" não representa afastamento de Deus, mas a presença de uma luz tão intensa que ultrapassa toda compreensão. O silêncio torna-se não ausência, mas plenitude o espaço interior onde a criatura se abre à união com o Mistério.

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  8. O título, “o brilho da escuridão divina”, a princípio, contradiz a lógica humana com a inquietação: pode a escuridão ter brilho. Todavia, o paradoxo tem a ver com o “desconhecer Deus”, um princípio dionisiano chamado apafótico, que nega os conceitos humanos sobre Deus, conduzindo o ser pensante a um deserto espiritual para construir uma ideia sobre Deus, como fez Moisés no monte. Não se pode domesticar Deus, pois Ele está acima de conceitos cabíveis, inventados e etc. O artigo descentraliza o conceito de catafática (afirmações sobre Deus) para dar lugar ao termo apofática - já citado no comentário - que apresenta uma negação daquilo que se tem sobre Deus, para assim se ver o brilho da escuridão divina.

    Acadêmico: Pedro José da Silva Correa

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  9. O conceito de negação dos nomes ou adjetivos atribuídos humanamente a Deus parece levar ao chão o antropomorfismo que frequentemente definimos, conceituamos ou nos referimos a Ele. A proposta do Areopagita radicaliza paradoxalmente o nosso modo de pensar, entender e expressar Deus, pois nos leva ao silêncio, visto que não há a necessidade de verbalização, e ao abandono dos conceitos pré-estabelecidos, a fim de, no nosso esvaziamento, nos enchemos do divino. Confesso que é um exercício hercúleo só de pensar nesses esvaziamento, visto que nossa práxis diária nos conduz para o perigo da mecanização e repetição de fórmulas oracionais. No entanto, acrescento um.outro desafio: achar Deus nessa comunicação mística e esquecer dos irmãos.

    Antônio Nicácio

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  10. Para o Pseudo-Dionísio, Deus ultrapassa todos os conceitos e limites da linguagem humana. A teologia catafática permite afirmar algo sobre Deus, enquanto a teologia apofática reconhece que nenhuma afirmação consegue defini-lo plenamente. O silêncio e o desconhecimento não significam ausência de fé, mas uma forma profunda de reconhecer o mistério divino. Essa perspectiva continua atual porque convida à humildade diante de Deus e impede que nossas ideias, discursos ou interesses sejam confundidos com a própria vontade divina.

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  11. A teologia do Pseudo-Dionísio revela a limitação da linguagem humana ao mostrar que afirmações sobre o divino são úteis apenas como ponto de partida, correndo o risco de transformar Deus em um ídolo conceitual. Para superar isso, a teologia apofática exige a negação de todos os conceitos: o verdadeiro conhecimento ocorre quando a mente reconhece sua incapacidade discursiva e mergulha na "escuridão divina", um estado de silêncio e excesso de luz onde o transcendente não é medido, mas vivenciado.

    ​Embora esse caminho de esvaziamento purifique a fé contra dogmatismos e abra portas para o diálogo com sabedorias orientais (como o Budismo e o Taoismo), ele também impõe o desafio de distanciar o sagrado da práxis comunitária, que necessita de símbolos e narrativas concretas. Ainda assim, a mística dionisiana cumpre um papel crítico essencial: funciona como um antídoto contra a soberba intelectual, lembrando que o Absoluto jamais pode ser monopolizado por definições humanas. ​Em um mundo saturado de ruído, algoritmos e certezas dogmáticas de redes sociais, essa escuridão luminosa opera como um blackout necessário, lembra que o excesso de informação nos cega para a profundidade do real, e que a verdadeira sabedoria exige saber silenciar.

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  12. O texto apresenta de forma clara a ideia central do Pseudo-Dionísio: Deus está além daquilo que a linguagem humana consegue explicar. A distinção entre teologia catafática e apofática ajuda a entender que podemos falar sobre Deus, mas sem pretender defini-lo completamente. A ideia da “escuridão divina” mostra justamente que reconhecer nossos limites também pode ser uma forma de conhecimento.
    Um ponto que poderia ser aprofundado é a comparação com o Budismo e o Taoismo, pois, apesar de algumas semelhanças, são tradições com visões diferentes sobre o divino e a realidade. Mesmo assim, o texto traz uma reflexão muito atual: em uma sociedade cheia de certezas e opiniões, aprender a reconhecer o mistério e saber silenciar também pode ser uma forma de humildade e espiritualidade.
    Acadêmico: Mateus Cabral da Silva

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  13. O presente artigo que se refere Pseudo-Dionísio, nos mostra que Deus está muito além daquilo que conseguimos compreender e explicar. Gostei especialmente da ideia de que, muitas vezes, é no silêncio e no reconhecimento dos nossos limites que podemos nos aproximar mais de Deus. A teologia apofática nos ajuda a perceber que não devemos querer colocar Deus dentro das nossas próprias ideias, mas aprender a contemplar o mistério e a confiar.

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  14. Pode-se considerar a teologia apofática como uma grande contribuição do Pseudo-Dionísio para uma mística cristã que não retenha o mistério de Deus a um antropomorfismo, criando imagem de Deus segundo a compreensão e desejos humano, mas o faça entender que a compreensão humana limitada não consegue compreender o mistério de Deus na sua totalidade.

    Pode-se entender que essa teologia da negação não é uma ignorância ou ceticismo, mas um silenciar diante do grande mistério de Deus para deixar que esse mistério se manifeste profundamente, fugindo a mentalidade humana limitada do mistério, tornando-se sempre disposto a perceber as revelações de Deus no hoje da história, como fez na economia da salvação sem esgotar o seu mistério.

    Em um contexto em que Deus é criado a própria maneira e gosto humano para defender interesses e poder, vale muito uma teologia apofática para conscientizar que o mistério, o divino, não é produto de dominação humana, mas de contemplação, de adoração, de silenciar diante desse mistério.

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  15. A leitura do texto mostra na sua aspectos em sua obra é tratado com "A Teologia Mística", ela baseou nas Escrituras e na experiência do mundo para atribuir nomes a Deus: dizer que Ele é Bom, Justo, Luz, Ser ou Pai. Mas, Deus sempre está manisfestando esas afirmações, porque não estão erradas as respostas na teologia mística de Pseudo-Dionísio que elas revelam como Deus se manifesta na criação através de suas emanações e providências. Por isso que no primeiro lugar verdadeiramente conhecer a Deus e depois a escuridão da vida humana é preciso abandonar todo o conhecimento. Talvez assim, essa coisa de Deus pertence em nós mesmos na passagem da vida futura com a natureza, porque, hoje nós dizemos também passam entender o que aconteceu hoje, ou seja, de acordo com o pensamento de Pseudo-Dionísio, quando todos os nomes forem negados, seguir-se-á o "silêncio divino, a escuridão e o desconhecimento". Portanto, no silêncio dionisiano não é apenas a ausência de palavras, mas a plenitude do sentido que dispensa vocalização.

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  16. O texto destaca a importância do silêncio, indica um caminho, uma experiência com o transcendente, através teologia apofática, que é basicamente o desapego da nossa intelectualidade, conceitos, a nossa linguagem humana que busca definir e entender quem é Deus. Na perspectiva dionisiano "o silêncio não è meramente ausência de palavras, mas a plenitude do sentido que dispensa vocalização" . Essa dispensa aprofunda o mistério do transcendente. A razão humana é limitada diante da grandeza de Deus, o ser humano não consegui abranger todo esse conhecimento, pois o mistério de Deus está muito acima da compreensão humana. O ser humano busca definir quem é Deus, mas os conceitos são insuficientes para realmente dizer quem é Deus totalmente . Segundo o texto "conhece-se a Deus precisamente ao reconhecer que Ele é inteiramente desconhecido e incognoscível pela razão discursiva". Portanto, a teologia mística do Pseudo-Dionísio destaca que é possível através do silêncio ter uma maior experiencia com o transcendente do que pela via da razão.

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  17. O texto sobre a teologia mística de Pseudo-Dionísio nos chama atenção em três aspectos importantes sobre a imagem de Deus. E do nosso próprio pensamento sobre Deus. Muitas vezes pensamos que, ao dizer que Deus é bom, justo, amoroso ou luz, já conseguimos compreender quem Ele é. Porém, o pensamento apofático mostra que essas palavras são importantes, mas nunca conseguem definir Deus totalmente.
    Achei interessante principalmente a ideia de que conhecer Deus também passa pelo não saber. Isso não significa deixar de acreditar ou afirmar que nada podemos conhecer sobre Deus, mas reconhecer que o mistério de Deus é muito maior do que aquilo que nossa razão consegue alcançar. O silêncio, nesse sentido, não representa ausência de Deus, mas pode ser justamente uma forma de nos colocarmos diante dele com humildade.
    considero importante essa reflexão para os dias atuais. Vivemos em uma realidade em que muitas pessoas querem ter respostas para tudo e, às vezes, até utilizam o nome de Deus para defender suas próprias ideias. A teologia apofática nos recorda que ninguém pode possuir Deus ou afirmar que compreende plenamente Sua vontade. Isso nos convida a ter mais humildade, tanto na fé quanto na maneira como julgamos os outros.

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  18. Na busca pelo Divino, sempre se esbarra nas limitações da própria linguagem.
    É interessante que a busca por encontrar Deus se dá através do silêncio e, ao mesmo tempo, no trabalho de viver em comunidade, à imagem da Santíssima Trindade, que move a ação através de nós.
    A ação de Deus é a luz que brilha ou seja, é o Sol que ilumina a cada um de nós. Na sua transcendência, Ele se faz humilde. Deus é o Sol que brilha tanto para o bom quanto para o mal.
    Hoje, as pessoas da teologia, de certa forma, muitas vezes usam esse conhecimento para enganar as pessoas, chegando até a levar alguém à loucura.
    O caminho mais seguro continua sendo o do silêncio contemplativo e da vida em comunhão, onde a luz de Deus pode brilhar sem precisar ser explicada demais.

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  19. O texto sobre pseudo Dionísio apresenta uma reflexão sobre duas teologias a Catafática e a apofática a catafatica afirmar a dificuldade que o ser humano apresenta para falar e compreender Deus. Como Deus está acima de todas a realidades nossas palavras e nossos conceitos são muito limitado para conhecer e enteder os mistérios de Deus, somente a inteligência e também a humildade pode nos ajudar dantes dos mistérios. O autor Presenta duas formas de falar sobre Deus a teologia catafática e a teologia apofática.A teologia catafática afirma que Deus e bom justo e pai entre outras nomes apresentando da sagrada escrituras porém nenhuma palavra consegue explicar completamente quem é Deus já teologia apofática nos encina os limites da nossas linguagens quando afirmarmos que Deus está além das nossas definições não estamos negando a sua existência mas estamos que ele e muito maior do que tudo aquilo que somos capazes de compreender, que o autor chama de escuridão divina não estamos negando a sua ausência mas a presença de um mistério Tam grande que ultrapassa nossas capacidades de compreensão.o texto mostra que ávida de fé não consiste em ter resposta para todas as perguntas . Mais em certos momentos precisamos apenas silenciar rezar a confiar. O silêncio debate de Deus não e vazio mais uma maneira de encontrá-lo através de nossa escuta fervorosa ...

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  20. Ronaldo Oliveira da Costa30 de setembro de 2026 às 20:02

    A reflexão do pseudo-Dionísio é de extrema importância para a atualidade, uma vez que, aparentemente, parece, que o silêncio em nossas ações litúrgicas e orações é algo incômodo.
    ​Basta participar da missa ou de um momento de adoração para perceber a escassez do silêncio. Multiplicam-se as fórmulas devocionais, como se quantidade e qualidade fossem a mesma coisa. Na missa, os momentos de silêncio são substituídos por músicas. O silêncio parece incomodar, talvez por revelar a nossa pouca intimidade com o Transcendente, ou talvez a falta de intimidade.
    ​A teologia do pseudo-Dionísio nos interpela a calar-nos diante do mistério, a escutar mais do que falar, a falar menos, mostrando-nos que "nem todo aquele que diz: 'Senhor, Senhor!' entrará no Reino dos Céus!"
    ​Portanto, faz-se necessário, urgentemente, redescobrimos o valor do silêncio nos nossos momentos de oração. Deus é mistério e, diante do mistério, resta-nos o silêncio respeitoso.

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