Mostrando postagens com marcador margens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador margens. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O METODO TEOLOGICO DE BERNARD LONERGAN E A TEOLOGIA DAS MARGENS: CONTRASTES OU POSSÍBILIDADE DE ENCONTRO?

 




Paolo Cugini

 

 

A teologia contemporânea enfrenta o desafio constante de articular a fé com a realidade histórica, buscando pontes entre o rigor metodológico e o compromisso ético-social. Uma análise crítica comparativa revela que a etapa de comunicação de Bernard Lonergan e a práxis libertadora na teologia das margens representam duas abordagens distintas, porém potencialmente complementares, para a transformação da realidade a partir da reflexão teológica. Enquanto Lonergan propõe um caminho de dentro para fora, focado na conversão da subjetividade humana e na mediação cultural, a teologia das margens (profundamente ligada à Teologia da Libertação) opera de fora para dentro, elegendo o clamor do oprimido como o lugar teológico de onde emerge toda verdade e ação.

 A etapa de comunicação em Bernard Lonergan: A teologia em saída cultural

No método teológico de Bernard Lonergan, exposto em sua obra fundamental Método em Teologia, o fazer teológico é estruturado em oito especialidades funcionais. A última dessas etapas é a comunicação.

A comunicação é o momento em que a teologia deixa o ambiente puramente acadêmico para se universalizar, inserindo-se nas diversas culturas e mídias. Ela depende diretamente das etapas anteriores, especialmente da Conversão (religiosa, moral e intelectual) e das Diretrizes (escolhas de horizontes). Seu propósito é colaborar na construção de uma comunidade humana autêntica, iluminando a história com o significado cristão purificado.

Para Lonergan, a comunicação não é mera transmissão de dogmas, mas uma mediação cognitiva e existencial que visa curar o declínio social através da restauração da racionalidade e da responsabilidade humana.

A práxis libertadora na teologia das margens: o primado do pobre

A teologia das margens, herdeira do método ver-julgar-agir, inverte a prioridade clássica da teoria sobre a prática. A práxis libertadora não é o resultado final de um sistema de pensamento; ela é o ponto de partida e o critério de verificação da própria teologia. Práxis é a ação histórica consciente e transformadora dos sujeitos que habitam as periferias sociais, econômicas e existenciais.  Utiliza as ciências sociais para analisar as estruturas de opressão (o "ver"), julga essas realidades à luz da Palavra de Deus (o "julgar") e engaja-se na libertação concreta (o "agir").  Objetivo é superar o pecado estrutural e antecipar o Reino de Deus na história através da emancipação dos marginalizados.

Aqui, o teólogo não é apenas um mediador cultural, mas um intelectual orgânico que caminha com a comunidade oprimida.

Limitações da Abordagem Lonerganiana sob a ótica das margens

A teologia das margens direciona uma crítica contundente ao formalismo de Lonergan. Ao focar excessivamente nas operações da consciência (experiência, entendimento, julgamento, decisão), o método lonerganiano corre o risco de se tornar um idealismo intelectualista. Para quem sofre a urgência da fome ou da violência estatal nas periferias, o refinamento do método pode parecer um luxo acadêmico burguês. A etapa de comunicação, se não for tensionada pela urgência geopolítica, corre o risco de se reduzir a uma "inculturação" abstrata que comunica o Evangelho sem subverter as estruturas de poder que geram as margens.

Limitações da práxis libertadora sob a ótica Lonerganiana

Por outro lado, o método de Lonergan oferece um antídoto vital contra os perigos de instrumentalização ideológica da teologia das margens. Sem uma sólida fundamentação metodológica e epistemológica, a práxis libertadora pode cair no ativismo cego ou no reducionismo sociopolítico, onde a teologia se torna mera linha de apoio de partidos ou movimentos sociais. Lonergan recorda que, para haver uma práxis verdadeiramente libertadora, é indispensável a conversão moral e intelectual dos agentes. Sem a superação dos preconceitos egocêntricos e grupais (que Lonergan chama de biases), a revolução de hoje pode facilmente se transformar na tirania de amanhã.

 Síntese prospectiva: por uma práxis comunicativa transversal

O diálogo crítico entre Lonergan e a teologia das margens não deve resultar em exclusão mútua, mas em enriquecimento recíproco. A comunicação lonerganiana ganha corpo, carne e urgência histórica quando assume o horizonte dos esquecidos como seu destinatário e interlocutor principal. A teologia não pode apenas comunicar significados autênticos; ela deve comunicar libertação. Simultaneamente, a práxis das margens ganha densidade reflexiva e autocrítica ao adotar as exigências de conversão e rigor metodológico de Lonergan. O resultado dessa síntese é uma práxis comunicativa transversal: uma teologia que nasce das margens, purifica-se pelo rigor da consciência convertida e comunica-se ao mundo não como um discurso colonial superior, mas como uma força histórica capaz de humanizar tanto o oprimido quanto o opressor.

 

sábado, 23 de maio de 2026

Da classe à existência: A evolução da Teologia da Libertação rumo à Teologia das Margens




 Paolo Cugini


A Teologia da Libertação e a subsequente Teologia das Margens compartilham o mesmo núcleo metodológico gerador: a convicção de que a reflexão sobre Deus não pode ignorar a prática histórica e a condição geopolítica dos oprimidos. Enquanto a Teologia da Libertação, formalmente nascida na América Latina no final da década de 1960 e início da década de 1970, identificou seu principal locus teológico na vulnerabilidade socioeconômica do proletariado e do campesinato, a Teologia das Margens contemporânea representa uma expansão epistemológica radical desse locus. Esta última transcende o mero reducionismo econômico para abarcar as múltiplas periferias da existência: gênero, orientação sexual, migração e diversidade cultural.

1. O Fundamento da Libertação: A Ortopraxia de Gustavo Gutiérrez

O ponto de virada metodológico de toda a abordagem libertadora encontra-se no texto seminal do padre peruano Gustavo Gutiérrez, Teologia da Libertação: Perspectivas . Gutiérrez subverte a primazia da ortodoxia abstrata em favor da ortopraxia, redefinindo a própria tarefa do teólogo: "A teologia como reflexão crítica sobre a práxis histórica à luz da fé não substitui as outras funções da teologia... mas as situa em uma nova perspectiva." ( Gustavo Gutiérrez , Teologia da Libertação: Perspectivas , p. 21).

Gutiérrez desloca o foco teológico da Europa para as periferias da América Latina, argumentando que a salvação não é uma realidade puramente escatológica ou espiritualizada, mas um processo abrangente que requer a transformação das estruturas injustas do mundo atual.

2. A Teologia do Povo: O Caminho Argentino para a Libertação

Dentro do amplo espectro da Teologia da Libertação, a Argentina desenvolveu uma corrente distintiva conhecida como Teologia do Povo ( Teología del Pueblo ). Seus principais expoentes, entre os quais se destacam Lucio Gera e Juan Carlos Scannone, distanciaram-se da análise de classe marxista típica da escola de Gutiérrez. Preferiram adotar uma categoria histórico-cultural: o povo , entendido como um sujeito coletivo unido por uma cultura comum e, em particular, pela religiosidade popular.

Para esta escola, a fé dos pobres não é uma ideologia a ser despertada, mas uma sabedoria já existente que detém um potencial intrínseco de libertação e resistência. Juan Carlos Scannone destaca como a cultura dos marginalizados e subjugados possui uma lógica própria, uma alternativa à lógica tecnocrática e hegemônica do centro: "O povo pobre não é simplesmente objeto de opressão econômica ou de evangelização, mas um sujeito histórico-cultural que evangeliza a si mesmo e à Igreja por meio de sua sabedoria vital e de suas práticas de solidariedade." ( Juan Carlos Scannone , Teologia do Povo. Raízes Teológicas do Papa Francisco , p. 84).

A Teologia do Povo enriquece a relação entre libertação e marginalização por meio de três perspectivas fundamentais:

Unidade na Diversidade: O conceito de povo rejeita a lógica da luta de classes que divide, buscando, em vez disso, uma comunhão que começa pelos mais vulneráveis ​​e integra as diferenças em uma trajetória histórica comum.

Religiosidade popular: O misticismo popular (peregrinações, festas patronais, devoções) não é visto como alienação ou superstição, mas como o lugar onde os pobres expressam sua dignidade e seu protesto silencioso contra a injustiça.

Impacto no magistério global: Essa visão redefiniu a categoria de "margem" no pontificado do Papa Francisco. O conceito de Igreja que se aproxima das periferias existenciais tem suas raízes teológicas diretamente nessa escola argentina.

3. A mudança para a margem e as epistemologias queer: Marcella Althaus-Reid

Enquanto a primeira geração da Teologia da Libertação se concentrava na análise das classes sociais, a teóloga argentina Marcella Althaus-Reid liderou a mudança crucial em direção a uma verdadeira Teologia das Margens, integrando as demandas de libertação com as teorias pós-coloniais e de gênero. Em sua obra mais famosa e inovadora, Teologia Indecente , a autora critica duramente o centro hegemônico da teologia tradicional — europeu, masculino e burguês — que anestesiou o ímpeto profético do Evangelho:  "A teologia precisa se redefinir, não mais a partir do centro do poder eclesial ou dogmático, mas a partir da encruzilhada da marginalidade vivida, onde os corpos excluídos questionam a transcendência." ( Marcella Althaus-Reid , Teologia Indecente. Perversões Sexuais e Realizações Teológicas , p. 45).

Althaus-Reid introduz o critério da margem como o espaço hermenêutico preferencial. Nessa perspectiva, a verdade de Deus não é descoberta dentro dos limites fechados do dogma, mas é vivenciada e conquistada no encontro corpóreo e frequentemente desconfortável com as histórias dos esquecidos e marginalizados.

4. O conceito de periferia existencial em documentos magistrais

O conceito de periferia existencial representa o desenvolvimento magisterial mais maduro da convergência entre a Teologia da Libertação e a Teologia das Margens. Sistematicamente introduzido pelo Papa Francisco, esse paradigma transpõe as perspectivas históricas da América Latina para a doutrina oficial da Igreja Católica global.

Evangelii Gaudium (2013): O manifesto epistemológico

Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium , a periferia deixa de ser um simples lugar de marginalização para se tornar o ponto de partida para a compreensão da realidade e da própria fé. A Igreja é chamada a um dinamismo centrífugo: "Hoje e sempre, 'os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho'... Devemos afirmar categoricamente que existe um vínculo indissociável entre a nossa fé e os pobres. Que nunca os abandonemos." Papa Francisco , Exortação Apostólica Evangelii Gaudium , n. 48.

O texto especifica que alcançar as periferias não é um simples impulso filantrópico, mas uma necessidade teológica: o centro (estruturas institucionais, teologia acadêmica) só pode ser compreendido e transformado ao se observar a si mesmo a partir das margens.

Laudato si' (2015): A Intersecção entre Ecologia e Marginalidade

A Encíclica Laudato si' amplia os limites da periferia existencial ao unir o sofrimento humano ao sofrimento ambiental. O documento adota uma abordagem interseccional em que as margens sociais coincidem com as margens ecológicas:  "Hoje não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social; ela deve integrar questões de justiça aos debates sobre o meio ambiente, para que se ouça tanto o clamor da terra quanto o clamor dos pobres." Papa Francisco , Carta Encíclica Laudato si' , n. 49.

No número 139, a Encíclica formaliza a ruptura com a análise fragmentada: "Não estamos diante de duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas sim de uma única crise complexa que é socioambiental ". A periferia existencial inclui, portanto, aqueles que sofrem com a desertificação, a poluição e a perda de suas terras natais sem terem voz nos processos globais de tomada de decisão.

Fratelli tutti (2020): Cidadania das Margens

Na encíclica Fratelli tutti , o conceito evolui para desafiar a ilusão de um mundo globalizado que se diz unido, mas que na realidade produz "lixo" humano. A margem existencial é definida pela figura de "membros e não cidadãos":

"Existem periferias que nos são próximas, no centro de uma cidade ou na própria família. Há também um aspecto da abertura universal do amor que não é geográfico, mas existencial. É a capacidade diária de ampliar meu círculo." Papa Francisco , Carta Encíclica Fratelli tutti , n. 97.

O documento (especialmente os números 115 a 117) denuncia a vulnerabilidade dos migrantes, das pessoas com deficiência e dos idosos isolados, redefinindo a periferia existencial como o espaço em que os direitos humanos são esvaziados de significado concreto.

5. Da teoria à prática: O Sínodo sobre a sinodalidade

O Sínodo sobre a Sinodalidade marcou a mudança decisiva da teoria para a prática institucional, traduzindo a teologia das margens em reformas concretas da governança eclesial . A quebra da rigidez da pirâmide manifestou-se principalmente na extensão do direito de voto na Assembleia Sinodal a leigos, jovens e mulheres, reconfigurando os critérios de representação e redefinindo o quadro da corresponsabilidade eclesial.

No âmbito das estruturas locais, o Sínodo tornou o método de discernimento e diálogo compartilhados no Espírito um método estrutural. Essa abordagem exige a escuta das periferias existenciais antes de qualquer decisão pastoral ou administrativa. Além disso, o documento enfatiza a reforma e o fortalecimento dos conselhos pastorais paroquiais e diocesanos, entendidos como espaços onde a voz dos marginalizados, historicamente excluídos dos centros de decisão clerical, torna-se parte integrante da governança institucional da Igreja.

A integração das realidades migratórias e das minorias culturais

A mudança de paradigma promovida pela governança sinodal encontra uma de suas aplicações mais radicais na relação da Igreja com migrantes, refugiados e minorias culturais. Tradicionalmente considerados meros receptores de assistência caritativa, esses grupos estão sendo reposicionados como agentes verdadeiramente ativos e portadores de uma voz teológica profética dentro das comunidades locais.  Esse impacto institucional se expressa em três níveis principais:

Inclusão nos processos de tomada de decisão: O Documento Final do Sínodo apela à integração estrutural de representantes de comunidades migrantes e minorias étnicas nos Conselhos Pastorais. Esta presença impede que as decisões eclesiais sejam tomadas segundo uma lógica monocultural e hegemónica, obrigando as Igrejas locais a repensarem a sua identidade com base nas contribuições dos recém-chegados.

Superando o modelo de assimilação: A nova governança promove uma mudança de uma abordagem pastoral baseada na assimilação (na qual os migrantes devem se adaptar aos costumes da cultura anfitriã) para uma abordagem pastoral baseada na interculturalidade. As minorias culturais não são mais relegadas a celebrações isoladas dentro dos limites temporais e espaciais das paróquias, mas tornam-se corresponsáveis ​​pela liturgia, catequese e administração da comunidade.

As periferias como centros de evangelização: Invertendo os fluxos históricos da missão, a governança sinodal reconhece que os migrantes do Sul global não são sujeitos a serem culturalmente colonizados, mas frequentemente os principais reevangelizadores de sociedades secularizadas. Sua experiência de vulnerabilidade e desenraizamento torna-se a lente hermenêutica através da qual toda a Igreja redescobre o caráter original do cristianismo como uma comunidade peregrina e hospitaleira.

Conclusão

A Teologia das Margens não nega suas raízes na Teologia da Libertação. Pelo contrário, abraça seu legado metodológico e o purifica de qualquer rigidez dogmática. Finalmente, demonstra que a revelação cristã nunca se manifesta de uma posição de neutralidade, mas sempre se revela a partir das periferias da história e para elas. Por meio de recentes reformas estruturais, a margem existencial, corporificada pelo estrangeiro e pelo diferente, deixa de ser um problema social a ser administrado, tornando-se o recurso com o qual a Igreja purifica suas instituições para que estas reflitam uma catolicidade verdadeiramente universal e multifacetada.

 

Bibliografia

Althaus-Reid, Marcella , Teologia Indecente: Perversões Sexuais e Realizações Teológicas , Londres: Routledge, 2000 [Edição original: Teologia Indecente , Londres: Routledge, 2000]. Citação na pág. 45 .

Gutiérrez, Gustavo , Teologia da Libertação. Perspectivas , Brescia, Queriniana, 1972 [Edição original: Teología de la liberación. Perspectivas , Lima, CEP, 1971]. Citação na pág. 21 .

Papa Francisco , Exortação Apostólica Evangelii Gaudium , Roma, Vatican Press, 24 de novembro de 2013. Referência ao n.º 48 .

Papa Francisco , Carta Encíclica Laudato si'. Sobre o Cuidado da Nossa Casa Comum , Roma, Imprensa Vaticana, 24 de maio de 2015. Referências aos números 49, 139 .

Papa Francisco , Carta Encíclica Fratelli tutti. Sobre a Fraternidade e a Amizade Social , Roma, Vatican Press, 3 de outubro de 2020. Referências aos números 97, 115-117 .

Scannone, Juan Carlos , Teologia do Povo: As Raízes Teológicas do Papa Francisco , Bolonha, EMI, 2019 [Edição original: La teología del pueblo , Madrid, BAC, 2017]. Citação na pág. 84 .

Secretaria-Geral do Sínodo , Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos: Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão , Cidade do Vaticano, 2024.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

TEOLOGIA DAS MARGENS: DESENVOLVIMENTOS HERMENÊUTICOS

 



Paolo Cugini

 

A hermenêutica da teologia das margens representa uma das correntes mais vibrantes da reflexão contemporânea, deslocando o centro da verdade teológica do centro (acadêmico, eurocêntrico, institucional) para a "periferia" como um lugar de revelação. A premissa fundamental é que Deus se revela não no poder, mas na vulnerabilidade. A margem não é apenas um lugar de exclusão, mas um espaço hermenêutico privilegiado. Gustavo Gutiérrez, considerado o pai da teologia da libertação, introduziu a ideia de que a teologia é um ato secundário. O ato primário é a prática da solidariedade com os pobres. Para Gutiérrez, a margem é o ponto de partida necessário para uma leitura correta das Escrituras. Nos Estados Unidos, a teologia das margens assumiu conotações culturais específicas, analisando a condição daqueles que vivem entre dois mundos. Em sua obra seminal,  Galileia e a Promessa Mexicano-Americana , Elizondo reinterpreta a figura de Jesus a partir de sua identidade como galileu, de uma região fronteiriça e de raça mista. Assim, a margem se torna o lugar onde nasce o novo povo de Deus.

Ada María Isasi-Díaz, fundadora da teologia feminina, enfatizou como as mulheres hispânicas vivem em uma tripla marginalização (gênero, classe e etnia). Sua hermenêutica se baseia no conceito de cotidiano  como fonte teológica. Uma evolução radical da hermenêutica das margens envolve o questionamento das normas sexuais e sociais.

Marcella Althaus-Reid, com sua Teologia Indecente, desafiou as interpretações burguesas e puritanas do cristianismo. Althaus-Reid propõe uma hermenêutica que se baseia nas experiências de corpos marginalizados (trabalhadoras do sexo, pessoas LGBTQ+), argumentando que Deus se manifesta precisamente onde a teologia oficial sente vergonha. O desenvolvimento mais recente diz respeito à "descolonização" da mente e da fé. Kwok Pui-lan é uma teóloga asiática que utiliza a hermenêutica pós-colonial para analisar como a Bíblia tem sido usada como instrumento de poder. Ela propõe uma leitura diagonal, dando voz àqueles silenciados pelos grandes impérios religiosos. A aplicação dessa hermenêutica a passagens bíblicas específicas transforma radicalmente a percepção do texto, convertendo histórias de subjugação em narrativas de libertação e resistência. A teologia mujerista (de mulheres hispânicas nos EUA) não busca grandes dogmas, mas a presença de Deus na sobrevivência cotidiana. A passagem de referência é Agar (Gênesis 16 e 21). Tradicionalmente, Agar é vista como a escrava problemática de Sara. Ada María Isasi-Díaz e outras teólogas feministas interpretam Agar como a verdadeira protagonista: ela é a primeira pessoa na Bíblia a dar um nome a Deus (El-roi, "o Deus que me vê"). A margem aqui é a solidão do deserto. Para as mulheres marginalizadas, Agar representa Deus, que não está no palácio de Abraão (o centro), mas que encontra a mulher que foge da violência no deserto (a periferia). A salvação não é uma promessa abstrata, mas a água que permite sobreviver mais um dia.

A teologia queer não se limita a incluir pessoas LGBTQ+, mas utiliza a queerização como método para desestabilizar interpretações fixas e binárias. A passagem de referência é Atos 8:26-40. O eunuco é uma figura limítrofe: estrangeiro (etíope), porém devoto, e sexualmente não conforme aos critérios da época (excluído do templo segundo Deuteronômio). Marcella Althaus-Reid e Patrick Cheng interpretam esse episódio como uma ruptura radical das margens. O eunuco pergunta: " O que me impede de ser batizado?". A resposta de Filipe é a eliminação da barreira corporal. O corpo queer, antes marcado como incompleto ou impuro, torna-se o espaço de um novo pertencimento que transcende a biologia e as normas sociais. Em ambos os casos, o método segue estes passos:

a.        Suspeita: Pergunte-se por que a interpretação clássica ignora os corpos ou o sofrimento daqueles que estão à margem da sociedade.

b.       Identificação: O leitor marginalizado reconhece-se na personagem bíblica excluída.

c.        Afirmação: A margem é declarada um lugar sagrado de revelação, muitas vezes mais autêntico do que o "centro" religioso.

A exploração da figura de Jesus como sujeito marginal e sua tradução para a prática litúrgica representam o cerne das teologias mujeristas e queer, onde o corpo e a experiência cotidiana se tornam o centro da adoração. Nessas perspectivas, Jesus não é uma abstração dogmática, mas um indivíduo histórica e socialmente situado à margem. Virgilio Elizondo reinterpreta Jesus como um mestiço cultural. Originário da Galileia, Jesus viveu em uma região fronteiriça, desprezada pelo centro religioso de Jerusalém. Essa marginalidade geográfica é o que lhe permite falar uma linguagem de inclusão universal. Marcella Althaus-Reid propõe um Jesus que rompe com o molde da decência burguesa e das normas heteropatriarcais. Jesus é aquele que toca o impuro, come com os pecadores e desafia as leis da família nuclear tradicional. Seu corpo na cruz é o corpo marginalizado por excelência: nu, vulnerável e inconformista. Ada María Isasi-Díaz destaca como Jesus validou consistentemente a autoridade de mulheres marginalizadas (como a samaritana ou a mulher com hemorragia), tornando-as parceiras integrais em sua missão. 

A liturgia não é mais vista como uma cerimônia rígida, mas como uma ação comunitária que celebra a resistência e a vida. Liturgias de Cura e Relacionamento: as teologias feministas e queer desenvolveram formas de culto populares, fundamentadas em uma comunidade de iguais. Isso abre espaço para gestos de cuidado mútuo, bênçãos de casais não tradicionais ou rituais que honram corpos que sofreram violência. Para a teologia mujerista, atos simples do cotidiano — cozinhar, cuidar dos outros, resistir à injustiça — adquirem valor sacramental. A liturgia transcende a igreja para santificar a luta pela sobrevivência de povos oprimidos. Uma liturgia queer celebra um Deus fluido e instável que rompe com as expectativas religiosas. Canções e orações servem não para controlar a moralidade, mas para libertar o desejo e a graça divina de teologias totalitárias.

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Insights para uma teologia das margens

 



Páginas especiais - Instituto Humanitas Unisinos - IHUFine modulo

 

 

  Paolo Cugini

 

 

28 Fevereiro 2026

 

"A doutrina, por sua natureza, tende a formular normas e princípios gerais, muitas vezes baseados em abstrações e em um conhecimento parcial da complexidade humana. Consequentemente, pode parecer rígida e incapaz de acolher toda a riqueza e as nuances da experiência individual e coletiva."

O artigo é de Paolo Cugini, publicado por Viadanti, 25-02-2026. 

Paolo Cugini é professor de filosofia e teologia na Faculdade Católica da Amazônia e pároco de uma parèoquia de Manaus. Autor de "O nome de Deus não é mais Deus: dizer o Mistério em um mundo pós-cristão (Effatà, 2025).

Eis o artigo. 

Existe uma teologia que não busca o palco, que não se afana para obter reconhecimentos nem se apega ao rigor dos grandes sistemas doutrinários. É a teologia marginal, aquela que nasce na sombra, entre as trilhas poeirentas da história, onde a vida é medida pelo peso dos dias e pelo ruído surdo dos fracassos cotidianos.

Ensinamentos escondidos

Há muito o que aprender sob as pontes, entre as mãos trêmulas de quem não encontrou refúgio, entre os corpos cansados que buscam abrigo no vento da noite. Há ensinamentos escondidos na fome que morde a cada amanhecer, naqueles rostos que enfrentam o dia sem a certeza de uma refeição. Nestes lugares, a presença do Mistério revela-se potente, quase como se quisesse desmentir a presunção das grandes cátedras.

 

Sergio Omassi | Pexels

Há algo de prodigioso na vida dos pobres, uma sabedoria que não nasce dos livros, mas do contato direto com o sofrimento, a solidariedade e a resistência cotidiana. Se de fato, como narra o Evangelho, Jesus quis se identificar com os últimos, é sinal de que o percurso autêntico em direção ao conhecimento do Mistério passa justamente por essa solidariedade com quem vive às margens.

Assim, a teologia marginal, embora permaneça nos confins, guarda um tesouro de verdade muitas vezes ignorado. Ela nos lembra que o verdadeiro conhecimento não se conquista do alto, mas se acolhe inclinando-se, abaixando-se, compartilhando o pão amargo da existência.

No fundo, o Mistério habita onde o coração se faz próximo, onde o homem se faz irmão, a mulher irmã, onde a pobreza se torna ventre de luz e a marginalidade se transforma em lugar de revelação. Tentemos dar alguns exemplos de teologia marginal.

A Tradição escrita na/pela vida cotidiana

Foi participando das celebrações da Palavra nas Comunidades de Base do Brasil que me dei conta do machismo exacerbado da Igreja Católica e da cultura patriarcal que, ainda hoje, dita suas escolhas. Tantas mulheres na América Latina não apenas presidem as celebrações dominicais, mas guiam pastoralmente as comunidades, no cuidado com os pequenos, na atenção zelosa aos tantos pobres encontrados. São justamente elas, as mulheres, as grandes protagonistas dos conselhos pastorais e do caminho cotidiano da Igreja. É ouvindo a voz e a vivência dessas mulheres que a estrutura doutrinária da eclesiologia pensada no centro do Ocidente se derrete como neve ao sol.

Acompanhando a ação pastoral dessas mulheres, as conclusões dos trabalhos da Comissão para o Estudo do Diaconato Feminino parecem sem sentido, pois não levam em conta a vivência cotidiana das comunidades eclesiais e o princípio da Encarnação. A teologia marginal, de fato, ensina que não podemos considerar "Tradição" apenas aquela que foi formulada ao longo dos séculos pelos documentos oficiais do Magistério, mas também aquela que é escrita todos os dias nas páginas da vida cotidiana das comunidades.

É esta Tradição que é sistematicamente ignorada pelo Magistério Eclesial cada vez que formula seus documentos oficiais, e é precisamente esta Tradição viva que a teologia das margens pretende recuperar.

O princípio da Encarnação

É possível desmantelar o patriarcado, que tantos danos causa às mulheres e à sociedade, propondo escolhas que levem em conta as mulheres reais, suas vivências dentro e fora da Igreja. É hora de parar de se esconder atrás de uma Tradição — ela mesma estruturada na cultura patriarcal — para justificar escolhas que vão sempre na mesma direção do poder masculino e autorreferencial.

Uma Igreja que pretenda ser profética na atual conjuntura histórica precisa colocar-se à escuta do grito das mulheres que há séculos imploram a misericórdia de Jesus. É justamente esse grito que a teologia das margens está recolhendo e ouvindo para elaborar uma narrativa teológica sensível ao princípio da Encarnação.

O mesmo discurso vale para as pessoas homossexuais e a comunidade LGBTQ+. Nos anos em que acompanhei um grupo de cristãos LGBTQ+, nunca constatei qualquer tipo de desordem moral entre os casais homossexuais que frequentavam o grupo de oração. Encontrei, por outro lado, muita fé, amor zeloso, atenção e o desejo de um projeto de vida que pudesse dar sentido ao seu caminho.

Lendo no grupo o texto de alguns documentos oficiais da Igreja que falam deles, senti vergonha. Quantas vezes recolhi as lágrimas de alguns/as do grupo de cristãos LGBTQ+ que contavam como haviam sido tratados no confessional? Rejeitados, como se fossem leprosos. Como é possível não dar a absolvição a uma pessoa que, com humildade, implora o perdão de Jesus? Como a Igreja pode se definir, nos textos oficiais, como "mestra de humanidade", quando na prática cotidiana é de uma desumanidade absurda?

Um diálogo fundamental

A teologia marginal, colocando-se à escuta das pessoas reais, recolhendo seus testemunhos e suas verdades, constrói um discurso teológico que leva em conta a revelação do Mistério que vem da terra, da vivência cotidiana, daquela realidade feita de carne e osso e não de papel e tinta. Manter o diálogo entre o Magistério eclesial oficial e aquela Tradição que nasce da vida cotidiana é fundamental para não correr o risco de escrever. Documentos que ferem as pessoas e as afastam da Igreja.

Uma teologia que surge de baixo, em escuta às minorias marginais, não pode senão tornar-se uma teologia do dissenso, que representa um âmbito de reflexão e de confronto que, embora se desenvolva dentro do panorama eclesial, carrega-se de uma valência profundamente humana e comunitária.

O dissenso, ao contrário do que se poderia pensar, não brota de um espírito de rebelião por si só, mas da percepção aguda de uma distância — como observamos, por vezes dolorosa — entre os princípios absolutos afirmados pela hierarquia e a concretude da vida cotidiana. Frequentemente são justamente aqueles que vivem na própria pele essa discrepância que dão voz ao dissenso, não para negar a fé, mas para permanecer fiéis a ela no contexto da sua realidade.

Um aguilhão crítico

A doutrina, por sua natureza, tende a formular normas e princípios gerais, muitas vezes baseados em abstrações e em um conhecimento parcial da complexidade humana. Consequentemente, pode parecer rígida e incapaz de acolher toda a riqueza e as nuances da experiência individual e coletiva.

Nesse espaço de descolamento, o dissenso teológico encontra sua razão de ser e se torna porta-voz das demandas de quem não se reconhece em definições percebidas como muito abstratas, impessoais ou até nocivas para quem vive situações de marginalidade ou julgamento negativo.

O dissenso muitas vezes se manifesta de modo silencioso, quase submerso: muitas pessoas, em seu cotidiano, escolhem caminhos pessoais que divergem das prescrições doutrinárias, às vezes sem sequer ter consciência disso.

Isso levanta uma questão fundamental: para que serve a doutrina, se não para guiar e sustentar o caminho de fé das pessoas? A doutrina, de fato, deveria ser um instrumento a serviço da vida, não um fardo insuportável. Nesta perspectiva, o dissenso configura-se como um aguilhão crítico, um elemento indispensável para evitar que a fé se reduza a um conjunto de regras abstratas.

 

Fonte: https://ihu.unisinos.br/662838-insights-para-uma-teologia-das-margens-artigo-de-paolo-cugini

 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

A teologia dos margens

 




Paolo Cugini

 

 

Existe uma teologia que não busca os holofotes, que não se apressa em obter reconhecimento nem se apega ao rigor dos grandes sistemas doutrinários. É a teologia marginal, aquela que nasce na sombra, entre os caminhos empoeirados da história, onde a vida é medida pelo peso dos dias e pelo som surdo dos fracassos cotidianos. Uma teologia que respira o odor acre do esquecimento e se acomoda onde o mundo desvia o olhar, convencido de que nada de importante possa brotar nesses lugares negligenciados.

Mas há muito a aprender debaixo das pontes, entre as mãos trêmulas daqueles que não encontraram abrigo, entre corpos cansados que buscam refúgio no vento da noite. Existem ensinamentos ocultos na fome que morde a cada amanhecer, nesses rostos que enfrentam o dia sem a certeza de uma refeição. Nestes lugares, a presença do Mistério se revela poderosa, quase como se quisesse desmentir a presunção das grandes cátedras. Aqui, entre as sombras das favelas latino-americanas, o Mistério se faz carne no cotidiano, insinua-se entre a luta pela vida e os abusos dos traficantes que decidem o destino de gerações inteiras.

O teólogo dos margens, aquele que para para ouvir o silêncio dessas ruas, descobre um rosto do Mistério que escapa aos olhos de quem se enclausura nos palácios dos grandes centros teológicos. Há algo prodigioso na vida dos pobres, uma sabedoria que não nasce dos livros, mas do contato direto com o sofrimento, a solidariedade e a resistência diária. É aqui que se experimenta a presença do Mistério de forma visceral, como um relâmpago que rasga a escuridão da noite e ilumina o sentido profundo de existir.

Se realmente, como narra o Evangelho, Jesus quis se identificar com os últimos, é sinal de que o caminho autêntico para o conhecimento do Mistério passa justamente por essa solidariedade com quem vive à margem. Roupas rasgadas e sujas, sapatos gastos, barracos no lugar de casas, comida que falta, trabalho inexistente, jovens privados de oportunidades, idosos abandonados: o que significa viver o Mistério nessas condições? Onde se esconde a luz entre as fendas da miséria?

Talvez sejam justamente aqueles que vivem na marginalidade que intuem o Mistério, pois ele se manifesta na fragilidade, na precariedade, na esperança que resiste contra toda esperança. E, no entanto, ao ler estas palavras, os miseráveis da história sorririam amargamente e devolveriam a pergunta: como podem aqueles que habitam em palácios suntuosos, com carteiras recheadas, perceber o Mistério? A resposta, eles já conhecem: impossível. Porque o Mistério não se deixa capturar pela abundância nem se manifesta na autossuficiência, mas habita na carne ferida do mundo, onde a vida luta para não sucumbir.

Assim, a teologia marginal, mesmo permanecendo à margem, guarda um tesouro de verdades muitas vezes ignorado. Ela nos recorda que o verdadeiro conhecimento não se conquista do alto, mas se acolhe ao se inclinar, ao se abaixar, ao compartilhar o pão amargo da existência. No fundo, o Mistério habita onde o coração se faz próximo, onde o homem se faz irmão, a mulher se faz irmã, onde a pobreza se torna ventre de luz e a marginalidade se transforma em lugar de revelação.

sábado, 14 de setembro de 2024

PROJETO MARGENS A que ponto se encontra?

 




 

Paulo Cugini

Cerca de seis meses após a apresentação da proposta, consideramos importante fazer uma avaliação inicial. A razão do nome. Margens em português significa margens e refere-se ao Rio do Amazonas e a todos os rios que atravessam o território amazônico. Nas margens desses rios vivem muitas pessoas, os chamados ribeirinhos, que se encontram dentro de comunidades que surgem às margens dos rios. A paróquia de São Vicente de Paulo, que administro há cerca de um ano, é formada por sete comunidades, três das quais fazem fronteira com o Rio Negro, grande afluente do Rio Amazonas, e as outras quatro são muito perto. Possui uma população de aproximadamente 35 mil habitantes. O bairro Compensa é famoso por estar localizado em uma das chamadas áreas vermelhas de Manaus, vermelha porque é perigosa. A situação geral de pobreza aliada aos problemas de segurança, levou-nos a desenvolver, com um querido amigo italiano, um projeto à longo praz, que pode intervir a vários níveis para a promoção cultural e social da população local.

Um primeiro nível de intervenção é o apoio a projetos de sensibilização sociopolítica já presentes no território paroquial, mas pouco incentivados. Nos últimos meses acompanhamos quatro deles:

a.      Faça bonito. É um evento de conscientização contra o abuso infantil, uma verdadeira praga por aqui. Ajudamos em algumas despesas – camisetas, banners, panfletos – para viabilizar o evento. O evento contou com o envolvimento de crianças, jovens e adultos das sete comunidades

 


b.      Movimento de fé e cidadania. Quando cheguei esse movimento, nascido na década de 1980, estava desativado há duas décadas. Tendo em conta as eleições municipais, que se realizam neste ano e que provocam muitos conflitos nas próprias comunidades e muitas vezes divisões no seio das famílias, devido à corrupção política, que entra nas classes pobres, oferecendo de tudo para comprar o voto dos pobres, temos decidido reativar o Movimento. O projeto Margens veio com financiamento significativo, pagando camisetas, 5 mil exemplares da lei 9.840 contra a corrupção eleitoral, ônibus para movimentação de integrantes do Movimento. Além de um curso de formação, realizamos cinco eventos em que membros do Movimento foram de casa em casa para distribuir o texto da lei e realizar teatro de rua sobre o tema em questão.

 


c.       Setembro amarelo. É um projeto brasileiro de prevenção ao suicídio. A paróquia está muito atenta ao tema, até porque, após a construção da ponte sobre o Rio Negro, os suicídios aumentaram dramaticamente. Há um grande sofrimento mental na região. Dom Hudson decidiu que a nossa paróquia realizará um evento diocesano no último sábado de setembro, para sensibilizar a população sobre o tema. O projeto Margens entra com financiamento para suportar alguns custos do projeto.

 

d.      PASCOM: é o nome da pastoral que ajuda a divulgar os acontecimentos das sete comunidades. O projeto Margens interveio através da aquisição de uma máquina fotográfica, que também será utilizada para ativar cursos de fotografia, quando os espaços estiverem prontos.

 


e.       PJ: é a sigla da Pastoral Juvenil. Com a Margens intervimos com bolsas de estudo para permitir aos jovens o ingresso nos cursos de teatro, música e dança ativados pela paroquia, e adquirir parte do material que foi utilizado nos bailes juvenis (quadrilhas) realizados nos meses festivos de Junho e Julho. .

 


f.        Projeto de assistência psicológica. A situação precária da região levou-nos a decidir envolver duas psicólogas - Vanessa e Wanilda - para atender às necessidades de muitas pessoas que pediam ajuda. Margens juntou-se ao projeto para arrumar o quarto e comprar alguns livros e jogos para os menores que são acompanhados.

 

As psicologas Vanessa e Wanilda

Outro tipo de intervenção foi financiar algumas ferramentas que poderiam ser utilizadas pela comunidade para realizar um serviço social específico.

1.      Comunidade São Pedro. Situado na zona mais perigosa da paróquia, com o projeto Margens contribuímos para a compra de uma cerca de arame farpado para colocar no portão. Além disso, financiamos a compra de um bebedouro que é utilizado quando a comunidade recebe funcionários municipais, que realizam jornadas com enfermeiros e médicos para vacinar a população e outros tipos de serviços médicos gratuitos.

 


2.      Santo Inácio. Precisáva de uma fritadeira para vender alimentos e arrecadar fundos e por isso intervimos para adquiri-la.

 


3.      ão Vicente. Substituímos a antiga cozinha por uma nova, que serve para preparar comida dos eventos da comunidade e da paróquia.

 


Um terceiro nível em que intervimos e continuaremos a intervir é a disposição de alguns espaços. A intuição dos colaboradores do projeto Margens não foi construir nada específico, mas sim consertar estruturas já existentes para envolver as comunidades locais. Pedimos às comunidades que desenvolvessem projetos sociais a partir do seu observatório específico e, a partir do que vão apresentando, criamos um calendário de intervenções.

a.       Salão Paroquial. A primeira intervenção, que envolveu boa parte dos fundos da Margens, foi um salão que, até então, se encontrava sem utilização e, portanto, em condições verdadeiramente precárias. As obras de remodelação permitiram recuperar um espaço onde já começámos a organizar encontros com jovens e agendamos projetos de dança, música e teatro.

 



b.      Próximas intervenções. As comunidades de Santo Ignácio, Rosário e San Sebastião apresentaram uma série de projetos sociais e culturais que incluirão intervenções nas estruturas.