Paolo Cugini
Entre o humanismo e a
modernidade houve uma mudança radical, paradigmática no relacionamento entre
religião e ciência. Depois de séculos em que cristianismo dominavas a cultura,
além da política e ditava a agenda cultura do Ocidente, com o advento do humanismo
no século XV esta harmonia se rompe de forma definitiva. O que aconteceu?
De um lado a Igreja prendeu a
alma humana, de uma certa forma, sobretudo na época medieval, teve a presunção
de poder determinar a vida dos próprios fiéis, impor normas morais e maneira e
até maneira de pensar. Uma pregação baseada sobreo medo do inferno, com
consequência de pecado mortais, que a mesma igreja definia, deixou os leigos e
leigas num estado infantil, não permitindo para eles um desenvolvimento
autônomo da própria consciência.
O humanismo, com as figuras de
Pico da Mirandola, Erasmo da Rotterdam, entre outros, provocaram no homem
moderno o desejo de experimentar a si mesmo, de buscar a própria autonomia e de
demostrar as próprias capacidades. Para isso acontecer foi necessário romper os
laços com aquela instituição, a Igreja Católica, que não deixava e não permitia
ás pessoas se desenvolverem de forma autônoma. O primeiro passo nesta direção
foi dado pelo jovem humanista Pico da Mirandola quando sustentou que a
dignidade do homem depende da própria natureza humana e não da imagem de Deus
imprimida nele.
Depois veio a reforma
protestante a dar um golpe fatal na arrogância eclesial de querer o povo
submisso. No 1517 o jovem teólogo alemão Martin Lutero, escreveu mais de 90
teses demostrando a própria decepção com uma instituição que parecia ter-se
perdido no caminho que, em vez de pregar amor e justiça, vendia as indulgencias
para arrecadar dinheiro pela construção da igreja de são Pedro. Na realidade,
Lutero foi a ponta do iceberg de um mal-estar, que serpenteava pelo interior da
igreja.
Neste clima conturbado
apareceu o filosofo francês René Descartes para propor o próprio método
específico, fruto de um profundo questionamento sobre a possibilidade da
metafisica de elaborar conteúdos autênticos. O famoso cogito ergo sum, ou seja,
penso então eu sou, expressa de forma filosófica o grito de uma nova geração de
pensadores, a possibilidade de elaborar um pensamento de mesmo homem,
demostrando as capacidades humanas, muitas vezes diminuídas da instituição
eclesiástica por medo de perder o controle do povo.
Este novo clima de autonomia
abriu o caminho para o desenvolvimento do método e das descobertas cientificas.
O tema que provocou uma mudança radical na cultura Ocidental foi a passagem do
sistema geocêntrico sustentado pela Igreja e por Aristóteles, para o sistema heliocêntrico,
sustentado por Copérnico, Galileu e Kepler. Eles avançaram a ideia que a
verdade não devia depender de fontes externas como a Bíblia e a metafisica aristotélica,
mas unicamente da observação e da experimentação. Este método novo, que quebrou
o paradigma imposto pela religião, foi a base das grandes descobertas científicas
dos séculos sucessivos e o avanço extraordinário da tecnologia. Este é o grande
paradoxo que encontramos na história do pensamento Ocidental: quando a filosofia
abandou a religião, as suas exigência e os seus paradigma, foi exatamente o
momento em que a ciência deslanchou.
Este é o grande
questionamento: porque a Igreja não soube acompanhar este desenvolvimento da ciência
moderna, mas, aliás, se colocou como obstáculo? O que falou para manter a
harmonia entre religião e ciência, como aconteceu nos séculos anteriores?
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