sábado, 11 de abril de 2026

RELIGIÃO E CIENCIA: HISTÓRIA DE UMA HARMONIA QUE NÃO DEU CERTO

 




 

Paolo Cugini

 

Entre o humanismo e a modernidade houve uma mudança radical, paradigmática no relacionamento entre religião e ciência. Depois de séculos em que cristianismo dominavas a cultura, além da política e ditava a agenda cultura do Ocidente, com o advento do humanismo no século XV esta harmonia se rompe de forma definitiva. O que aconteceu?

De um lado a Igreja prendeu a alma humana, de uma certa forma, sobretudo na época medieval, teve a presunção de poder determinar a vida dos próprios fiéis, impor normas morais e maneira e até maneira de pensar. Uma pregação baseada sobreo medo do inferno, com consequência de pecado mortais, que a mesma igreja definia, deixou os leigos e leigas num estado infantil, não permitindo para eles um desenvolvimento autônomo da própria consciência.

O humanismo, com as figuras de Pico da Mirandola, Erasmo da Rotterdam, entre outros, provocaram no homem moderno o desejo de experimentar a si mesmo, de buscar a própria autonomia e de demostrar as próprias capacidades. Para isso acontecer foi necessário romper os laços com aquela instituição, a Igreja Católica, que não deixava e não permitia ás pessoas se desenvolverem de forma autônoma. O primeiro passo nesta direção foi dado pelo jovem humanista Pico da Mirandola quando sustentou que a dignidade do homem depende da própria natureza humana e não da imagem de Deus imprimida nele.

Depois veio a reforma protestante a dar um golpe fatal na arrogância eclesial de querer o povo submisso. No 1517 o jovem teólogo alemão Martin Lutero, escreveu mais de 90 teses demostrando a própria decepção com uma instituição que parecia ter-se perdido no caminho que, em vez de pregar amor e justiça, vendia as indulgencias para arrecadar dinheiro pela construção da igreja de são Pedro. Na realidade, Lutero foi a ponta do iceberg de um mal-estar, que serpenteava pelo interior da igreja.

Neste clima conturbado apareceu o filosofo francês René Descartes para propor o próprio método específico, fruto de um profundo questionamento sobre a possibilidade da metafisica de elaborar conteúdos autênticos. O famoso cogito ergo sum, ou seja, penso então eu sou, expressa de forma filosófica o grito de uma nova geração de pensadores, a possibilidade de elaborar um pensamento de mesmo homem, demostrando as capacidades humanas, muitas vezes diminuídas da instituição eclesiástica por medo de perder o controle do povo.



Este novo clima de autonomia abriu o caminho para o desenvolvimento do método e das descobertas cientificas. O tema que provocou uma mudança radical na cultura Ocidental foi a passagem do sistema geocêntrico sustentado pela Igreja e por Aristóteles, para o sistema heliocêntrico, sustentado por Copérnico, Galileu e Kepler. Eles avançaram a ideia que a verdade não devia depender de fontes externas como a Bíblia e a metafisica aristotélica, mas unicamente da observação e da experimentação. Este método novo, que quebrou o paradigma imposto pela religião, foi a base das grandes descobertas científicas dos séculos sucessivos e o avanço extraordinário da tecnologia. Este é o grande paradoxo que encontramos na história do pensamento Ocidental: quando a filosofia abandou a religião, as suas exigência e os seus paradigma, foi exatamente o momento em que a ciência deslanchou.

Este é o grande questionamento: porque a Igreja não soube acompanhar este desenvolvimento da ciência moderna, mas, aliás, se colocou como obstáculo? O que falou para manter a harmonia entre religião e ciência, como aconteceu nos séculos anteriores?

 

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