Mostrando postagens com marcador espirito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espirito. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

DICAS PARA UMA REVOLUÇÃO ESPIRITUAL




Paolo Cugini

Dizia Charles Péguy, grande poeta e filosofo francês, que a verdadeira revolução não se realiza com as armas, mas com o espírito. O problema de uma sociedade corrupta não se resolve com a violência, mas com uma educação moral e cultural. Se a podridão escancarada está tomando conta da classe política, isso é um reflexo daquilo que está dentro. Então não adiantam medidas exteriores: é um homem novo, uma mulher nova que deve ser construído/a. Quem acredita nas possibilidades do homem, reconhece que o caminho é por ai. Quem acredita que o homem foi criado a imagem de Deus, sabe que é a reconstrução desta imagem o grande trabalho a ser realizado.
O problema é sempre o mesmo: como? Como sair dessa situação lastimável?

Em primeiro lugar, é necessário criar espaços para ajudar as pessoas à pensar, se confrontarem, discutir, formar-se uma própria idéia. Em municípios onde quem não fica com a situação é sistematicamente perseguido ou, pior ainda, considerado um inimigo, torna-se urgente criar espaços culturais aonde as pessoas se sintam a vontade para expressarem as próprias idéias sem medo de retaliações. Uma das características da imagem de Deus contida no homem é a liberdade. Onde a liberdade estiver ameaçada, como é no nosso caso, deve ser feito tudo o possível para criar estratégias capazes de estimular a capacidade reflexiva das pessoas. A liberdade é de fato, ligada à capacidade de pensar típica do homem e da mulher. Sempre admirei a liberdade de expressão que, neste contexto sócio-politico de terceiro-mundo, torna-se coragem, ousadia. È isto que deveria produzir uma seria reflexão na liderança política dos nossos municípios. Não é possível, de fato, medir o desenvolvimento de um povo fazendo referencia somente aos indicadores econômicos. Não adianta expor a lista das obras realizadas, quando não se fez nada para ajudar a criar um clima social mais livre. A democracia é a convivência dos opostos, o respeito das idéias alheias. Aonde isto não acontece, não é possível falar de democracia, mas de oligarquia- governo de poucos-, ou de monarquia, governo de um só.  

Liberdade e cultura caminham juntas. Até quando é o prefeito da cidade que decide quem ensina aonde, não haverá crescimento cultural. Um professor amedrontado passa para os próprios alunos a própria covardia e, esta, não favorece o desenvolvimento de uma personalidade autônoma. Sendo que dificilmente mudarão no breve período estas leis feitas pela mesma elite na época do coronelismo, será necessário que os poucos homens e as poucas mulheres livres, ou seja não atrelados/as ao poder, inventem meios para despertar os espíritos mais ousados. Não basta, de fato debater, analisar. Precisamos de homens e de mulheres que saibam agüentar a maldade do poder, as suas mesquinharias para inventar estratégias novas. Nessa altura, fazer cultura significa inventar técnicas de resistência, um contra-pensamento que desmascare as armadilhas de morte escondidas nas mentiras do poder. Se quisermos reconstruir cidades aonde seja possível pensar, gritar a própria liberdade, falar com qualquer pessoa sem medo de sermos vistos pela posição, devemos considerar totalmente fracassado o atual projeto político. De fato, estamos nauseados de políticos corruptos, que cuidam discaradamente dos próprios interesses pessoais o familiares, que gostam cinicamente de humilhar aqueles que eles chamam de inimigos.  Chega de promessas mentirosas, de mascaras nas épocas das eleições, de palavras recheadas do nada. Precisamos de homens e mulheres autênticos, que tenham uma só palavra. Estes homens e estas mulheres não se encontram no atual poder político. Por isso não queremos nas nossas fileiras pessoas interessadas a subir a escada do poder político. Se no passado cometeram este pecado, serão perdoados se terão a força de libertar-se destes desejos impuros e imorais.

A libertação será moral o não será nunca: é este o nosso grito. Por isto é necessário ajudar os adolescentes e jovens para que eles descubram a riqueza da própria vida interior, não para fugir num narcisistico individualismo, mas para assumir com mais força a própria dignidade humana. Ser homem e mulher não é apenas um direito: é também um dever. Sentir o compromisso de cuidar de si mesmo e das pessoas que moram perto de nós; perceber a responsabilidade que ser pessoa é cuidar dos outros, interessar-se deles: é esta consciência que deve ser despertada e formada. Estamos, de fato, vivendo não em décadas economicamente perdidas, mas sum humanamente disperdiçadas. Recuperaremos este tempo somente se fizermos o esforço de ajudar as novas gerações para que aprendam a pensar com a própria cabeça, sem medo de ninguém, mas somente com um grande temor de Deus no coração. O tempo é de Deus e Ele está  com todos aqueles e aquelas que se esforçam de proteger as suas criaturas do mal, para que no mundo reine o bem.