Paolo Cugini
No livro do profeta Isaías, o tema de Deus que está escondido aparece duas vezes. A espiritualidade sempre falou do Deus oculto. Aqui estamos lidando com outra coisa, isto é, sobre Deus que se esconde, a saber, que é sua escolha esconder-se do homem e da mulher, não mostrar mais o rosto. Deus se esconde do homem e da mulher, sem motivos aparentes, e então o problema passa a ser entender não só o porquê, mas também como viver na ausência de Deus. O tema é delicado porque indica a possibilidade do homem tropeçar durante a vida porque já não existe a luz de Deus que o ilumina e o acompanha. Como você anda no escuro? Este é um grande problema que raramente é abordado, também porque a cegueira sempre foi interpretada como uma falha humana. Aqui, porém, é uma escolha de Deus e, conseqüentemente, as coisas mudam muito de perspectiva.
Como viver na ausência de Deus? A pergunta é dirigida a todos aqueles que tiveram uma experiência de Deus que, como diria o apóstolo João, o ouviram, sentiram, tocaram, viram. Não é fácil viver na ausência de Deus desde o momento em que a vida se instaura a partir daquele encontro que mudou radicalmente a existência. Sem dúvida, quando começamos a perceber sua ausência, imediatamente assumimos a culpa, porque nos acostumamos a nos colocar diante de Deus de forma unilateral, como se houvesse necessariamente um defeito a admitir.
Mas por que Deus está se escondendo? Talvez porque ele queira nos ajudar a viver a vida como ela é, enfrentá-la com nossos meios, sem fugir, sem buscar ajuda externa. Deus se esconde para nos ajudar a entender que nos criou não para vivermos sempre como crianças, mas para assumir nossas responsabilidades.
