domingo, 24 de setembro de 2023

PADRE NO MUNDO PÓS-MODERNO

 




 Paolo Cugini

 

1. A conjuntura atual não apresenta um quadro positivo para vida do padre. Os escândalos da pedofilia solaparam a credibilidade do clero. A rapidez das mudanças culturais da pós-modernidade descortina a velhice do sistema eclesial e, sobretudo, a sua incapacidade de se atualizar, de elaborar uma proposta ao passo com os tempos. A cultura pós-moderna, que questiona as formas rígidas de racionalidade, não aceita mais as atitudes autoritárias, típicas das estruturas que se formaram na época medieval. O mundo caminha sempre mais na direção do diálogo democrático e quem tem dificuldade a sair das formas rígidas do pensamento corre o risco de ficar de fora do contexto. Enquanto até poucas décadas atrás o padre era uma figura respeitada e referência moral do povo, hoje, neste novo quadro sócio-cultural, o padre é uma figura ambígua, pouco crível e parte de uma estrutura que dia após dias perde de credibilidade.

2. O padre vive esta época com grande angústia, pois ele é ao mesmo tempo parte da estrutura rígida da Igreja e também parte desta cultura pós-moderna em continua mudança. De um lado, o padre se sente continuamente solicitado a ser fiel a uma estrutura na qual acredita, pois é nela que amadureceu a própria escolha de vida; do outro, percebe todo dia a urgência de uma mudança radical e o sofrimento pela lerdeza da Instituição a abraçar este caminho de mudança. O padre no diálogo cotidiano com as pessoas que encontra é solicitado a oferecer respostas a problemas que ele não vive na própria pele. Além do mais, o conteúdo que ele tem a disposição para orientar as pessoas não é atualizado, pois é fruto de uma elaboração conceitual de uma época que não tem mais a ver conosco. E, assim, o padre se encontra a toda hora num rumo cego, sem saída: sabe que o Evangelho de Jesus é o Caminho certo que a humanidade deve percorrer para realizar uma existência mais humana, mas, ao mesmo tempo, percebe que os conteúdos elaborados pela Instituição do qual ele é fiel servidor tem pouco a ver com a demanda e os questionamentos dos seus interlocutores.

3.  Acho extremamente importante entender este elemento da atualização, pois mexe com um dato fundamental do cristianismo, que é a vida no Espírito. De fato, Jesus não pronunciou um conjunto de dogmas rígidos e infalíveis, mas sim uma proposta viva par os homens e as mulheres de todos os tempos. Nesta história, o Espírito Santo tem um papel fundamental, pois é graça a Ele que a Palavra de Jesus é atualizada nos novos contextos culturais. Existem períodos na história da humanidade e, sem dúvida, o nosso que estamos vivendo é um deles, aonde é visível a tensão entre Espírito e Instituição, entre Carisma e Poder. O ideal seria o equilíbrio entre as duas forças, mas este equilíbrio é difícil alcançar em tempo de crise, que exige capacidade de resposta à altura da situação. É nessa altura que o padre deveria exercer um papel importante, pois ele vive a contato com o povo – pelo menos deveria – e por isso sente na própria pele as mudanças culturais que necessitam de respostas imediatas. Infelizmente, quando a Igreja elabora um documento sobre os temas da atualidade, raramente o padre é interpelado para expor suas opiniões. Quem faz os documentos da Igreja são pessoas que tem pouco contato com o povo, pessoas que vivem dentro de palácios, que conversam entre si sem entender bem o que se passa no mundo. Não é de estranhar, então, se os documentos oficiais da Igreja são uma citação contínua de documentos passados, tentando de adaptá-los e nem sempre com sucesso, ás novas exigências. O padre verdadeiro, aquele que ama Deus e vive a contato com o povo, sofre demais por esta distância entre a mensagem da Igreja, que deveria atualizar o Evangelho á luz do Espírito Santo e os problemas reais. O padre percebe que no Evangelho tem uma força explosiva, têm indicações suficientes para oferecer respostas uteis às pessoas que toda hora o procuram e o questionam sobre os problemas essências da vida. Ao mesmo tempo, porém, o padre sente que não tem a resposta certa, pois as respostas que ele tem a disposição tem pouco a ver com a realidade que ele vive e que o seu povo vive: fazer o que?

 4. Ser padre neste quadro não é fácil, pois se trata de viver num contínuo questionamento, numa continua ambigüidade. Num mundo em continua mudança o padre deve transmitir a toda hora valores eternos.  Num contexto cultural que, como nos lembra o sociólogo polonês Bauman é preciso não se identificar com algo de fixo, o padre é o sinônimo da estabilidade, daquilo que nunca muda. O padre deveria ser a pessoa capaz de repassar aos seus contemporâneos o testemunho da presença de Cristo, uma presença viva e clara do amor de Deus que se manifestou na sua ação e nas suas Palavras. O problema é que nunca como hoje este testemunho foi tão ofuscado, nunca como hoje a transparência da vida de Jesus foi tão danificada por aquela instituição que deveria manifestá-la. E ai vem o problema do padre, ou seja, daquele homem que sente-se chamado por Deus a viver integralmente o amor de Jesus, mas que percebe a dificuldade de fazer isso dentro uma Instituição que parece ter perdido o rumo, a alegria de servir a Cristo, a força moral de testemunhá-lo. Por isso vários deles, ao longo dos anos, deixam o ministério, outro se afrouxam, outros ainda se entregam aos vícios. Sem dúvida, tem muitos que continuam firmes no ministério servindo a Deus e ao povo com o maior carinho do mundo. Mas é visível o descaso, a perca de terreno, o constrangimento que os padres vivem para não conseguir caminhar ao passo com os tempos. Seria mais fácil e menos doloroso se o padre vivesse preso dentro num mosteiro, num palácio: mas o padre vive no meio do povo e o seu sentir é o sentir real do povo.

Como sair deste círculo viçoso? Que caminho percorrer para ajudar o padre a votar com força a ser testemunho vivo do Evangelho? Como ajudar a Hierarquia eclesiástica que está meio perdida, afastada dos problemas do povo?

domingo, 17 de setembro de 2023

UMA IDADE PÓS-CRISTIANA?

 





Paolo Cugini

Falamos cada vez mais da era pós-cristã. Isso significa que há uma percepção de uma mudança radical que ocorreu e que, em alguns aspectos, ainda não terminou. Afinal, é difícil pensar que em pouco tempo uma cultura que marcou séculos de história desaparecerá no ar, muito rapidamente. De qualquer forma, se é verdade que os sinais do que se definia como um processo de descristianização eram presentes desde o final do século XIX, também é verdade que, nas últimas décadas, essa mudança de época se acelerou significativamente. O fato é que o cristianismo, embora tenha uma influência flagrante na formação da cultura ocidental, agora parece ter ficado sem influência. Se tentarmos olhar de perto esse fenômeno, o qual é ao mesmo tempo histórico e cultural, percebemos que o cristianismo começou a ranger quando as metanarrativas ocidentais começaram a mostrar seus limites, dando lugar ao advento da era pós-moderna. A modernidade e o cristianismo ocidental entraram em colapso e, em alguns aspectos, não é possível apreender as causas de um sem considerar o outro. O aspecto mais interessante, que vale a pena analisar, é o patrimônio de rituais religiosos e de sacralidade que o cristianismo produziu e manifestou não apenas nas celebrações religiosas, mas também na arte e na cultura. Qual é o destino de todo esse patrimônio espiritual, cultural e artístico? A impressão geral que se tem, é que o Ocidente vive essa transição de forma serena, como se nada estivesse acontecendo. Este aspecto, a nosso ver, revela o grau de exteriorização do cristianismo que, mais do que representar a alma de uma cultura, era sobretudo um modo de estar no mundo, ou seja, uma política, um poder entre os poderes, assim como uma estética.

Folheando as páginas dos livros que apresentam as análises e reflexões sobre o fim do cristianismo, impressiona que, a maioria da produção desses textos, ser oriunda, de autores franceses. Na França, mais do que em outros países, a reflexão sobre a descristianização do mundo ocidental, começou na época da Revolução Francesa. Além disso, não poderia ser de outra forma, também porque a Revolução Francesa afetou significativamente o cristianismo, ao ponto de considerar o ano da revolução como o ano zero. Além desse fato, há outro, a saber, a maioria dos autores franceses que analisam o processo de descristianização são tradicionalistas, preocupados, portanto, em salvar o que pode ser salvo, em procurar os defeitos e os culpados, mais do que indicar novos caminhos no contexto que está surgindo. Dentre essas análises, vale destacar a do sociólogo francês Guillaume Cuchet (2018), que, ao invés de buscar a origem da descristianização, indica seus sinais incontornáveis. Segundo Cuchet, os sinais evidentes da descristianização em curso, devem ser identificados na queda vertiginosa de alguns aspectos do culto católico, como a confissão individual e a escassa presença de jovens na missa dominical. Além disso, outros sinais são o fim da prática obrigatória e no silêncio sobre os "fins últimos", ou seja, sobre os mistérios da Igreja sobre o que será depois da morte: inferno, purgatório e paraíso. É especialmente digno de nota que, esses sinais, são indicados com um tom acusatório, e não como um sinal de uma cultura em mudança. De qualquer forma, segundo Cuchet, a causa que incentivou o processo de descristianização deve ser identificada no Concílio Vaticano II, considerado o verdadeiro événement déclencheur sem possibilidade de reparação (Cuchet, 2018, p. 143). São análises que revelam uma dificuldade em aceitar a mudança de época em curso e, sobretudo, considerá-la como definitiva.

 

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

SOBRE UM INTEGRISMO CATÓLICO BRASILEIRO DE PLANTÃO. NOTA

 Recebi este significativo artigo e partilho no meu blog.






Romero Venâncio (UFS)

Neste domingo 10/9/2023 ocorreu no estádio do Morumbi em São Paulo um grande evento organizado por uma série de católicos romanos brasileiros chamado de: "DESPERTA BRASIL" que durou das 6:00 da manhã às 22:00 da noite. O evento que foi coordenado quase todo o tempo por uma figura chamado de Frei Gilson (ilustre conhecido nas redes digitais católicas) e por toda uma série de padres, alguns poucos bispos, algumas freiras e muitos fieis que passaram o dia rezando rosário, terço, louvando delirantemente, pregações agitadas e apelativas, discursos contra aborto, "ideologia da gênero", "comunismo" (seja lá o que isto for...) e sempre uma sorrateira defesa de um tipo de "teocratismo" cristão/católico (do tipo, ah! se o Brasil fosse governado por católicos de verdade). O evento estava (acredito que ainda esteja) no YouTube e transmitido pela TV canção nova (segundo informação dos coordenadores).

O evento tinha a função semelhante das antigas procissões, ou seja, demonstrar a força católica na sociedade e intimar os governantes para fazer política que beneficie a estrutura católica do país. Nítido isto. Quanto mais procuravam disfarçar não falar de política, mais evidente ficava que o evento era político.  Até porque não há o que disfarçar. Está tudo nas redes digitais ou plataformas de formação desta geração de católicos. O negócio era para ser "só religioso" na imaginação da coordenação do mega evento. Impossível num Brasil como este atual e diante do conflito interno que vive o catolicismo na atual quadra histórica. Público e notório e nem precisa ser católico para perceber. Só para termos uma ideia: todos esses religiosos católicos de direita conscientes de seu trabalho dito apostólico, são/foram "bolsonaristas" desde o primeiro momento na largada de 2013.

Em síntese: um palco enorme armado no meio do estádio de futebol, uma aparelhagem de som perfeita que ecoava em todo o campo e um revezamento de músicas "carismáticas" com discurso religioso estridente com intuito de chocar as vezes. A insistência de falar a palavra "inferno" quase em todas as pregações e dedicação ao personagem "diabo/demônio" torna-se sintomático. Parece que eles pularam das redes digitais particulares para o estádio. O que fazem em suas "redes" demonstraram para a multidão. As várias tomadas que a câmara que filmava o encontro fazia das milhares de pessoas que encheram o campo, nos faz ver o quanto estavam correspondendo ao chamado dos prelados, freiras ou leigos que desfilavam com seus discursos inflamados. A maioria de padres, freiras e leigos conservadores que falaram no palco improvisado são bastante conhecidos nas redes digitais. Até acredito que é uma coisa combinada: preparar nas redes o que vai para as ruas. Estudo esse fenômeno da "direita católica" já faz tempo e vejo um crescimento significativo desse movimento. E grande parte, começou nas redes digitais (evito o nome "rede social", porque de "social" têm muito pouco ou nada!).

No título uso um termo que foi comum a cultura francesa dos anos 20 do século passado. Trata-se de "integrismo". Chamo esse movimento desta "nova direita" católica advinda das redes digitais de "integristas". Numa breve e genérica definição do termo: "Disposição de espírito de certos católicos (ditos "da direita") que, pretendendo manter a integridade da doutrina, relutam em se adaptar às condições da sociedade moderna, em aceitar o "progressismo" de outros católicos (ditos "de esquerda"). Não tomemos essa definição como definitiva e nem única. o termo pode ser mais aprofundado (o que não faremos aqui!). Mas serve para uma situação importante que ocorre dentro do catolicismo atual: "manter a integridade da doutrina". Tenho estudado uma série destes católicos nas redes e fora delas (paróquias, dioceses, pastorais, eventos de formação) e este tema é central em todas as formas de conservadorismo católico. Há uma necessidade de voltar a uma "identidade católica". O culto do padre de batina preta todo o tempo, a exposição forçada de símbolos católicos na vida pública (mesmo o país se dizendo laico), a tentativa de volta ao rito tridentino (missa em latim, por exemplo) e todo o cortejo de sinais espalhados na vida pública em que defendem o que é "próprio do catolicismo" vira questão de honra para este fiéis. Como se todos/todas estivessem numa "guerra santa" contra potestades demoníacas em praça pública. Reparem que neste tipo de "integrismo" torna-se necessário sempre criar um inimigo e combatê-lo. Aqui mora o perigo para qualquer vivência democrática numa sociedade minimamente liberal. Atentemos!

Tenho observado a preocupação em momentos de formação destes católicos integristas no Brasil em valorizar e ler bastante documentos de papas como Pio IX, Pio X ou Pio XII (os Papas da defesa intransigente da "identidade católica" contra o mundo moderno). E, obviamente, abominarem figuras como os Papas João XXIII ou Paulo VI e nem precisa dizer o que pensam do Papa Francisco (para uma parte dessa gente, nem Papa ele é!!!). Uma coisa eles não percebem ou não querem, propositalmente, perceber: a história demonstrou que esse projeto é fadado ao fracasso. Esse tipo de "evangelização terrorista" de cunho integrista em sua radicalidade leva a derrota do próprio catolicismo. Esbarra sempre num mundo irreversivelmente moderno (que vive no presente). Ou seja, já dizia um barbudo alemão do Século XIX: "A roda da história não volta para trás". Mesmo que eles arregimentem multidões. Um número grande de "católicos sensatos" (eles existem, por incrível que pareça!) já sabem disto e faz um tempinho e desembarcaram dessa aventura conservadora/integrista que não leva a nada de cristão no mundo contemporâneo desde, pelo menos, o advento do Concílio Vaticano II. Estes sensatos católicos atravessaram o "riacho de fogo" chamado Feuerbach e já estão atravessando outros rios. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITARIA-FACULDADE CATÓLICA DA AMAZONAS

 



                                                                                             

AREA MISSIONARIA SAGRADA FAMILIA

CURSO DE FORMAÇÃO PARA LEIGAS E LEIGOS

 

CONHECER O CONCILIO VATICANO II


 

Introdução

 Conseguir a ter nas comunidades leigas e leigos preparados é de suma importância e leva os coordenadores de áreas missionarias e paróquias a estruturar percursos formativos adequados, como este que estamos apresentando. Como foi escrito no Plano de evangelização (2023-2026) da nossa área missionaria: “a vocação do laicato deve ser zelada e cultivada no seio da comunidade. Nossa Area Missionaria não pode eximir-se da responsabilidade de oferecer formação solida e sistemática aos agentes de pastoral e aos membros das comunidades, assim como os mesmos agentes de pastoral, sobretudo, não devem abdicar a este direito e dever, no que tange o aprofundamento da fé, da teologia e da doutrina da Igreja em vista de um qualificado serviço pastoral” (PE, p. 21).  

É por estas profundas motivações que estamos propondo um curso de formação para leigas e leigos engajados nos vários serviços das comunidades, para aprofundar o conhecimento dos principais documentos do Concilio Vaticano II. Sabemos que a nossa caminhada de Igreja tem como ponto referencial os conteúdos do Vaticano II e, por isso, queremos que toda leiga e leigo tenha a possibilidade de conhecer o conteúdo destes documentos, á luz, também, de como foram atualizados na caminhada especifica da igreja latino-americana (Medelin, Puebla, Santo Domingo e Aparecida). Para dar valor a esta proposta formativa, buscamos o apoio da Faculdade Católica do Amazonas, que nos oferece a oportunidade de estruturar esta formação na linha de um curso de extensão, com a possibilidade de receber um certificado final.

 

 

Objetivo do curso: oferecer um conhecimento básico do Concilio Vaticano II e, in modo especial, dos quatros documentos principais: Dei Verbum (a Palavra de Deus na vida da Igreja), Gaudium et Spes (diálogo da Igreja com o mundo), Lumen Gentium (o sentido da Igreja como povo de Deus) e Sacrostantum Concilium (renovação da liturgia)

 


Modulo I- 6 hs: SÁBADO 16 SETEMBRO das 14 ás 16,30: A importância do Concilio Vaticano II na vida da Igreja Católica e o diálogo com o mundo no documento Gaudium et Spes. Trabalho em casa: leitura dos capítulos 1 e2.

 

Modulo II- 6 hs: SÁBADO 14 OUTUBRO das 14 ás 16,30: Como a Igreja Católica interpreta a Bíblia? O documento Dei Verbum. Trabalho em casa: leitura integral do texto da Dei Verbum

 

Modulo III- 6 hs: SÁBADO 28 OUTUBRO das 14 ás 16, 30: A renovação litúrgica e o documento Sacrosantum Concilium Trabalho em casa: leitura dos primeiros 40 números.

 

Modulo IV- 6 hs: SÁBADO 25 NOVEMBRO das 14 ás 16,30: O sonho da Igreja do Concilio Vaticano II: Igreja povo de Deus no documento Lumen Gentium. Trabalho em casa: leitura dos capítulos: 1,2, 4 e 5.


 


Indicações:


ü  Os encontros acontecerão na igreja da Sagrada Família

ü  Horário: 14-16,30

ü  O certificado do curso será entregue somente para as pessoas que participaram do curso na sua proposta integral.

ü  Inscrições na secretária paroquial.

ü  CH: 24 hs: 10 teóricas e 14 de estudo pessoal.

ü  Coordenador e palestrante do curso de extensão: Pe Paolo Cugini, prof. da Faculdade Católica do Amazonas.

ü  No final os cursistas devem entregar um relatório conforme as indicações que serão oferecidas.

 

Secretaria - Área Missionária Sagrada Família -Japiim

Av. da Penetração II, 1843 - Japiim, Manaus - AM, 69076-800, Brasil

Horário:

Terça a Sexta-feira:        08:00 - 12:00

                                  13:00 - 17:00

Sábado:                           08:00 - 12:00

 

Cell: 92 8431-5178

e-mail: areamissionariasagradafamilia1@gmail.com

 

Aguardamos a vossa valiosa presença. Pe Candido e as equipes das comunidades

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Desmonte ambiental de Bolsonaro fez Amazônia dobrar emissões de gás carbônico, diz estudo publicado na Nature

 



 

24 agosto 2023. Pesquisa concluiu que desmatamento contribuiu para um aumento de 693% na exportação de madeira bruta. A reportagem é de Thalita Pires, publicada por Brasil de Fato, 23-08-2023.

As emissões de gás carbônico da Amazônia brasileira mais do que dobraram nos anos de 2019 e de 2020, os dois primeiros anos de governo Jair Bolsonaro (PL). A conclusão é de um estudo publicado nesta quarta-feira (23) na revista Nature.

A autoria da pesquisa é de Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com mais de 20 pesquisadores de outras universidade e institutos.

"Nossos resultados indicam que um enfraquecimento na aplicação da lei levou ao aumento do desmatamento, queima de biomassa e degradação florestal, o que aumentou as emissões de carbono e aumentou a seca e o aquecimento das florestas amazônicas", diz o resumo do artigo.

O trabalho científico calculou as médias de emissões entre 2010 e 2018, anos das gestões Michel Temer e Dilma Rousseff, e as comparou com o biênio do início do governo Bolsonaro.

Desmatamento e commodities agrícolas em alta

Os autores atribuem a destruição da floresta ao desmonte ambiental que marcou administração bolsonarista. Bolsonaro congelou o Fundo Amazônia, criou entraves para a fiscalização do Ibama e se referia aos fiscais ambientais como "indústria da multa".

Os dados mostraram ainda aumento de 122% nas emissões de carbono, de 80% no desmatamento e de 42% nas áreas queimadas. A exportação de madeira bruta cresceu 693%.

No lugar da floresta, a pesquisa aponta crescimento do rebanho bovino (13%) e das áreas plantadas de soja (68%) e milho (58%). Os itens são commodities do agronegócio que se valorizaram no mercado mercado externo.

Por outro lado, os números da fiscalização ambiental caíram. De 2010 a 2018, a média anual de autos por infração ambiental foi de 4,7 mil. Nos dois primeiros anos de Bolsonaro, o número caiu para 3,3 mil.

Amazônia ocidental virou emissora de carbono

Os cientistas relataram ainda que houve aumento do desmatamento na porção oeste da Amazônia, que era até então a área mais preservada, onde estão Roraima, Amazonas, Rondônia e Acre.

Fonte: Desmonte ambiental de Bolsonaro fez Amazônia dobrar emissões de gás carbônico, diz estudo publicado na Nature - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

terça-feira, 1 de agosto de 2023

APRESENTAÇÃO DA CARTA APOSTOLICA DE PAPA FRANCISCO DESIDERIO DESIDERAVI (Lc 22,15)-(2022)

 

Pe Washington

 


Manaus-1.8.2023

 

Relator: Pe Washington Peranhos SJ

Síntese: Paolo Cugini

 

Desde o começo do seu pontificado, Papa Francisco falou claro a necessidade de uma reforma da Igreja e, de modo especial, da liturgia. Um dos eventos que estamos acompanhando é a desfiguração do sagrado. Nesta carta apostólica se encontram elementos da reflexão de Romano Guardini. Como nós celebramos revela o sentido da igreja.

Assunto da carta: a formação litúrgica do Povo de Deus.

Na realidade brasileira um problema foi de abandonar as comunidades para concentrar todo o trabalho pastoral na Matriz. Passar de uma mentalidade sacramental para uma mias pastoral, atenta ao povo. Papa Francisco fala da celebração litúrgica como arte que está ao serviço do ministério pascal e da sua beleza. Para que a reforma litúrgica aconteça é necessária uma formação litúrgica.

Guardini analisa as oposições polares que estão em jogo no ato litúrgico: alma e corpo, ser humano e coisa, individuo e comunidade, religião e cultura. Ritos romanos:

·         Rito romano promulgado depois do Concilio Vaticano II: é roto ordinário.

·         Rito extraordinário: possibilidade de celebrar em latino (Bento XVI).

·         Rito ambrosiano.

·         Rito romano adaptado para as comunidades anglicanas

·         Rito romano adaptado para as comunidades neo-catecumenais

·         Rito da Igreja do Congo

O rito romano é sóbrio e simples.

O clero di Manaus


Formação litúrgica. Um pontificado marcado pelas questões da reforma eclesial, da sinodalidade, do discernimento e da misericórdia, na fidelidade ao Concilio Vaticano II, não poderia não se interessar pela liturgia.

Traditionis custodes: moto próprio de Francisco. Indica como única expressão os livros litúrgicos promulgados por Paolo VI e João Paulo II.

Papa Francisco convida as comunidades a assumirem a recepção da Sacrosantum Concilium e da reforma litúrgica como dinâmica eclesial.

Problema: como o ser humano moderno pode se reapropriar do ato litúrgico­

A questão litúrgica: retomada do dato teológico da ação litúrgica. Sair de uma mentalidade rubricista ou jurídica. Questão litúrgica diz respeito a relação que as ações simbólico-rituais exercem para a identidade eclesial como lugar de acolhida da Revelação na fé.

A última ceia: toda criação, toda história foi uma grande preparação para aquela ceia.

Antes do Concilio Vaticano II tinha somente pregações e sermões, não tinha a homilia, que foi retomada no Concilio Vaticano II. Antes tínhamos a leitura do Evangelho. É a partir da celebração da Palavra escolho os prefácios. É graças ao rito que nós somos transportados ao mesmo único rito do evento fundador.

Guardini: o rito e o símbolo têm sido sempre menos compreendidos e não é mais acolhido.

Precisamos colocar a reforma litúrgica dentro do paradigma do Concílio Vaticano II.

Participação ativa dos fiéis: já estava presente no Movimento litúrgico. Não pode ser entendida como um fazer dentro da liturgia.

Reformar a liturgia (Andrea Grilo). A liturgia devolve a igreja a sua identidade de povo celebrante: participação ativa de todo povo sacerdotal.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

UM LIVRO SOBRE EMMANUEL MOUNIER - PAI DO PERSONALISMO E CRIADOR DA REVISTA ESPRIT

 


Retomar os textos de Emmanuel Mounier, folhear as páginas da revista Esprit por ele fundada, pode parecer um gesto obsoleto, uma nostalgia do passado. Em parte, este também é o caso, mas há mais. O que acompanha as páginas que apresentamos é o desejo de compartilhar minha caminhada filosófica pessoal ao longo de trinta anos, em busca de um pensamento cristão capaz de ler e interpretar a realidade, mostrando ao mesmo tempo a novidade e a força do Evangelho. Mounier foi, em seu tempo, uma referência para todos e todas aqueles que tentaram ler as páginas escuras da história entre as duas grandes guerras, a partir de uma perspectiva cristã. Nessa empreitada, ele estava em boa companhia. De fato, na França dos anos 30, o debate sobre o pensamento cristão e sobre a possibilidade de uma filosofia cristã era muito vivo. Autores como Blondel, Gilson, Maritain, só para citar alguns, levantaram a voz, abrindo um debate significativo sobre o tema em questão. Buscar uma relação entre fé e vida, liturgia e história, nunca foi fácil. Isso é testemunhado por páginas da história em que muitas vezes assistimos ou ao retraimento intimista e individualista, que demonstra o medo do mundo, mais do que o desejo de transformá-lo por dentro, mergulhando nele confiando no conteúdo da fé para qual adere. Por outro lado, a tentação de mergulhar no mundo a ponto de esquecer ou negar as próprias origens cristãs. Mounier experimentou esse delicado equilíbrio entre fé e vida na primeira pessoa e sempre teve o cuidado de descrevê-lo, de mostrar caminhos concretos para alcançar uma harmonia possível. Acompanhar seu compromisso de não se deixar levar pela ânsia de ação, de permanecer concentrado na busca dos fundamentos espirituais, que possam iluminar e dar sentido à ação, será o objetivo da primeira parte desta pesquisa, que busca narrar o nascimento da revista Esprit. Um dos aspectos mais interessantes da experiência cultural de Mounier, encontra-se no que podemos definir como o laboratório espiritual e cultural que tem sido a revista Esprit . Mounier não é o pensador clássico que à mesa elabora uma filosofia, um sistema filosófico abrangente. O personalismo comunitário nasceu nas páginas da revista Esprit, uma revista concebida como um laboratório cultural, em torno do qual Mounier conseguiu envolver as melhores mentes pensantes da França nas décadas de 1930 e 1940. Um pensamento que quis e soube lidar com o mundo religioso protestante e católico e com o pensamento político de esquerda, na busca contínua de oferecer á crise de civilização que a Europa vivia, não só ideias culturais importantes mas, talvez e acima de tudo, um método.

Buscar pontos de referência, caminhos já trilhados de uma reelaboração conceitual que tente ler os dinamismos da história à luz da proposta cristã é muito importante, especialmente nesta fase delicada do pós-cristianismo, em que corremos o risco de esquecer tudo, de apagar da memória histórica até as contribuições mais preciosas. Confrontar-se nesta conjuntura histórica com o personalismo comunitário de Emmanuel Mounier pode ser estimulante, também porque não é uma proposta filosófica amadurecida à mesa, longe dos problemas da vida cotidiana. O pós-cristianismo é uma fase de transição epocal em que se torna fácil deixar-se levar pela emoção da novidade, da busca de novos caminhos, sem se preocupar muito com o que fica para trás. Olhar para Mounier significa considerar a pessoa como o ponto de partida fundamental, para todos aqueles que desejam trilhar um caminho na novidade que a época atual traz, sem correr o risco de se perder, de se confundir. Essa referência à pessoa torna-se ainda mais importante no clima filosófico pós-metafísico, de perda daqueles fundamentos que marcaram o Ocidente. Portanto, não uma referência qualquer, mas à forma como o personalismo de Mounier compreende a pessoa, ancorado na fonte cristã na qual ainda hoje é possível beber sem medo de ser esmagado sob os escombros de um passado pesado. Por isso, na segunda parte desta pesquisa apresentaremos alguns dos temas que marcaram o caminho da proposta personalista de Mounier, temas que, como teremos meios de demonstrar, permanecem constantemente abertos ao confronto com a dinâmica cultural do tempo.

Como todo pensamento e como toda proposta cultural, que marca uma época e oferece o que pensar para gerações inteiras, também a proposta de Mounier não nasce por acaso, não se desenvolve de forma isolada, mas tem origens, provoca comparações. Esse é o sentido da terceira parte da pesquisa, que propõe uma comparação com o autor que o próprio Mounier define como mestre: Charles Péguy. Há relações culturais que se transformam em amizades espirituais, mesmo que os autores nunca tenham-se conhecido, como é o caso de Mounier e Péguy. As amizades culturais que marcam uma vida, porque vão fundo, abrem passagens na alma e no coração, dirigem o pensamento, constituem um guia tão importante que se mantém sempre presente durante o percurso da vida. Ao longo dos anos, ao aprofundar o pensamento de Mounier, encontrei alguns autores cujas reflexões se referiam constantemente ao pai do personalismo comunitário. Uma delas é a filósofa francesa Simone Weil. Muitas vezes me questionei sobre o motivo da falta de colaboração entre os dois pensadores e, por isso, decidi dedicar algumas páginas ao tema.

O último esforço de pesquisa é voltado para eventos atuais. Aqui o caminho se complica, porque o risco é de se atolar no pântano do imediato, das simpatias temáticas, correr o risco de perder de vista a seriedade do caminho, a atenção às perspectivas que se pretende observar. Por isso, considerei oportuno comparar o personalismo com o meu campo específico de trabalho, que é a pastoral, que consiste no esforço diário de anunciar o Evangelho no contexto específico de uma paróquia. Este é o conteúdo da quarta e última parte desta pesquisa.

Sem dúvida, a reflexão de Mounier apresenta alguns aspectos ultrapassados, pois estão vinculados ao período em que sua proposta foi elaborada. A situação política e cultural de nossos dias mudou e, em alguns aspectos, não se pode propor paralelos. De qualquer forma, o que há de significativo no personalismo de Mounier é a capacidade de pensar os problemas encontrados sem buscar respostas imediatas capazes de satisfazer a maioria, mas de elaborar uma proposta para a frente. Tentaremos ao longo dos capitulos, de mostrar os conteudos que aindam podem oferecer sentido ao nosso caminho, nesta cultura pós moderna e pós cristã.