O trabalho do Movimento Fé e Política surge precisamente dessa consciência: ajudar as pessoas a reconhecerem que o voto tem valor, que não deve ser comercializado e que o perfil ético dos candidatos não é um detalhe secundário.
Paolo Cugini
Na tarde de sábado, 29 de agosto, o Movimento Fé e Política da paróquia
de São Vicente de Paulo, no bairro Compensa de Manaus, realizou um novo evento
de conscientização na comunidade de Santo Inacio. Cerca de quarenta pessoas,
jovens e adultos, reuniram-se na pequena capela da comunidade para iniciar uma
oração conjunta, receber orientações e se preparar para sair às ruas do bairro.
Esta não foi simplesmente uma atividade organizacional ou uma visita de
cortesia. O significado profundo dessas atividades é encontrar as pessoas onde
elas vivem: em suas casas, em frente às lojas, ao longo das ruas, em espaços
cotidianos onde as pessoas costumam falar sobre tudo, mas raramente sobre o
valor do voto e da responsabilidade política. É precisamente aí que o Movimento
deseja abrir um diálogo simples, direto e fraterno.
As eleições políticas marcadas para o início de outubro, que elegerão o
Presidente da República e representantes estaduais e federais, não podem ser
vistas como algo distante da vida concreta das pessoas. Cada escolha política
impacta a saúde, a educação, o emprego, a segurança, o meio ambiente e as
oportunidades familiares. É por isso que votar não é um gesto isolado, mas um
ato que diz respeito ao bem comum.
A questão, no entanto, é delicada. Muitas pessoas, marcadas por
dificuldades econômicas e um longo histórico de promessas não cumpridas, acabam
vendo seu voto como uma mercadoria a ser negociada. A compra de votos às vezes
parece ser uma solução imediata para uma necessidade urgente, mas, na
realidade, empobrece ainda mais a comunidade, porque coloca o futuro nas mãos
daqueles que compram consciências em vez de apresentar projetos sérios que
respeitem a dignidade das pessoas.
O trabalho do Movimento Fé e Política surge precisamente dessa
consciência: ajudar as pessoas a reconhecerem que seu voto tem valor, que não
deve ser vendido e que o perfil ético dos candidatos não é um detalhe
secundário. Escolher quem governa também significa perguntar quais interesses
essa pessoa representa, qual história ela traz consigo, quais compromissos
assume e se sua vida pública é compatível com a justiça, a legalidade e o
serviço.
Durante as visitas, o grupo utilizou um material preparado pela
Arquidiocese de Manaus, que contêm orientações claras e acessíveis. Esse
recurso ajuda a abordar questões importantes sem impor ideias ou candidatos,
mas sim promovendo a conscientização. O objetivo não é dizer às pessoas em quem
votar, mas sim lembrá-las de que ninguém deve abrir mão de sua liberdade e
responsabilidade nas urnas.
Uma das maiores, e ao mesmo tempo mais constrangedoras, descobertas foi
que quase ninguém conhece as leis que regem o processo eleitoral no Brasil.
Muitos desconhecem que a compra e venda de votos é proibida (lei 9840) e que
existe legislação que exige que os candidatos não possuam antecedentes
criminais (lei da ficha limpa). Essa falta de informação torna as pessoas mais
vulneráveis à manipulação e demonstra a necessidade urgente de um trabalho
educativo contínuo.
Por isso, é maravilhoso ver os jovens da paróquia caminhando ao lado dos
adultos, vestindo as camisetas do Movimento e tomando as ruas de suas
comunidades com coragem. Sua presença é um sinal de esperança: demonstra que a
política pode ser entendida não como uma busca por ganho pessoal, mas como uma
elevada forma de caridade, participação e cuidado com a vida das pessoas.
Aumentar a conscientização nem sempre produz resultados imediatos, mas semeia
perguntas, abre conversas e desperta a responsabilidade. Cada porta visitada,
cada diálogo iniciado, cada dúvida esclarecida pode se tornar um pequeno passo
rumo a uma cidadania mais livre e madura.
Confiamos que este trabalho dará frutos, pois quando uma comunidade
aprende a valorizar o seu voto, ela também começa a defender a sua dignidade e
o seu futuro com mais veemência.




Realmente aumentar a conscientização nem sempre traz resultados imediatos, porém essa iniciativa da Paróquia São Vicente de Paulo é muito relevante, de maneira especial nesse momento em todos os políticos jogam um jogo duro, usando a nteligência artificial a favor de suas monabras com o intuito de persuadir o eleitor para alcançar se eleger. Parabéns pela iniciativa do Pároco Padre Paolo Cugini.
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