quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A BÍBLIA E O PROBLEMA DA INTERPRETAÇÃO

 



A comunidade dos fiéis antes das Escrituras


Paolo Cugini

 

 Demorou, mas até que chegou o tempo de entender

Demorou vários séculos para lermos a Bíblia e entender o significado, ou seja, para compreendermos aquilo que ela quer dizer além da pua letra. Demorou séculos para a Bíblia se tornar a Palavra de Deus para homens e mulheres e dizer algo para eles, por suas experiências, para ajudá-los a viver de uma maneira autêntica sua humanidade, a partir de sua realidade. Demorou milênios para sair da idolatria da letra para finalmente entrar no mundo do Espírito. Era impossível, de fato, que palavras escritas há alguns milênios atrás pudessem dizer algo significativo para o homem e a mulher de hoje. Era impossível para um texto velho como este ser atual, vivo. Na verdade, nenhuma palavra é pura. Também os discursos que encontramos na Bíblia, estão mergulhados na cultura, tradições locais, idiomas ligados a uma determinada região, visões do mundo inerentes a um determinado período histórico. Os filósofos Heidegger e Gadamer nos ensinaram que qualquer idioma nunca é puro, mas é portador de tradições que devem ser compreendidas, interpretadas.

Como foi possível pensar que a letra, tão impregnada de terra e história, pudesse permanecer atual por todos os séculos e por todas as culturas de todos os tempos e latitudes? No entanto, aconteceu assim. Embora São Paulo tenha alertado que a letra mata e que é o espírito que dá vida, no entanto por muitos séculos a Palavra viva foi aprisionada na letra morta. Sem dúvida, há um sentido literal que deve ser ouvido e respeitado.

 

O sentido espiritual

Já os Padres da Igreja, porém, exortaram os fiéis a buscar o sentido espiritual. Para ajudar nesta pesquisa, desenvolveram o método tipológico, pondo em paralelo os textos do Novo Testamento com os do Primeiro Testamento. Desta forma, se destacava o caráter de cumprimento da presença de Jesus na história, para evidenciar a continuidade da história da salvação. O método tipológico permitiu, então, entender como em perspectiva de salvação, a vinda de Jesus Cristo foi o ponto culminante do processo histórico-salvífico. Até o método alegórico, desenvolvido por Filo de Alexandria algumas década antes da vinda de Jesus, ofereceu algumas ideias importantes para sair dos pântanos da letra. Demorou vários séculos para chegar, com Schleiermacher, para tomar a sério a questão da interpretação do texto sagrado. No intervalo, houve a diatribe de Lutero com a Igreja, o que atrasou os tempos. 

Porquê a Igreja demorou tanto para entender que a letra precisa ser interpretada para liberar o conteúdo que traz?

 


Como é possível?

Um texto como a Bíblia, que vem de longe e é portador de muitas tradições, de muitas mãos, que emana o grito vindo de tantas culturas, de tantas histórias, não pode ser lido superficialmente, não pode ser lido apenas no nível literal. Como é possível pensar que basta ler um texto como este para compreender imediatamente o seu significado? Como é possível identificar a Palavra de Deus com a letra? Quantas pessoas têm sido destruídas, no sentido literal do termo, porque o significado foi identificado com a pura letra! Galileu é o exemplo mais notável. Mas não há necessidade de incomodar Galileu. É suficiente observar o que também está acontecendo hoje em muitas comunidades cristãs, não apenas católicas. Na introdução à Bíblia das comunidades neopentecostais está claramente escrito que, embora reconheçam seu valor, rejeitam a contribuição do método histórico-crítico aplicado à Bíblia. É melhor viver com a cabeça na areia do que enfrentar a realidade. Se apesar de todos os esforços seja da ciência que da filosofia hermenêutica para compreender melhor o sentido do texto, há quem os rejeite e se esconda atrás da letra, quer dizer que, neste ponto especifico, Deus e a religião não têm mais nada a ver com isso. Neste ponto, entramos no espaço delicado da psicanálise, que não é do nosso interesse neste trabalho.

 

A Bíblia na época medieval

Se observarmos o curso da história de forma síncrona, notamos que, quando mais no debate da Igreja o enfoque é o problema do papel do papado, então o debate sobre a Palavra de Deus perde de interesse. Essa distonia é percebida pela leitura dos documentos oficiais da Igreja em que, a certa altura, as citações da Escritura perdem cada vez mais peso a favor de citações das encíclicas dos papas. A escassa atenção às Escrituras é, sem dúvida, uma das razões fundamentais que impulsionaram o problema da interpretação. A atenção para ouvir a Palavra foi substituída pela formulação de dogmas e doutrina. Ser católico significava, em determinado momento da caminhada histórica, conhecer a doutrina. Não se percebeu que, desta forma, caímos numa espécie de gnosticismo vulgar, a baixo custo. Neste clima teológico e espiritual, o devocionismo moderno encontrou espaço no coração do catolicismo. Se não é mais a Palavra de Deus para guiar a comunidade cristã, mas um conjunto de preceitos que foram memorizados juntamente com a participação de alguns ritos, então, a dimensão individual da vida espiritual, desconectada do nível social, foi facilitada. Em certo sentido, poderíamos dizer que, em determinado momento do caminho, a Igreja não estava mais interessada e não precisava mais interpretar a Sagrada Escritura. A vida espiritual já estava cheia de devoções e preceitos que cumpriam a tarefa de alimentar a fé dos fiéis. Além disso, a Escritura da época dos Padres, deixou de ser a principal referência que alimentava a vida da comunidade. Mesmo na liturgia a Palavra de Deus não teve um papel central, mas secundária, também porque na liturgia, a partir do século VIII com Amalário de Métis, iniciou um processo de ritualização progressiva. A Palavra de Deus, que causa a conversão dos corações, não é mais importante, mas o que importa de agora em diante é ver o corpo sacramentalizado de Cristo. Os grandes pregadores das ordens mendicantes da época medieval, preocupados em estimular o sentido de culpa dos ouvintes, mais do que uma autêntica conversão do coração, que leva a uma escolha consciente e para um compromisso comunitário, impulsionaram ao máximo o envolvimento dos sentimentos na experiencia da fé, ao invés da razão. O cristianismo, além de se tornar a religião do império, passa a ser um fator social e político. 

 


A época moderna

O distanciamento entre ciência e fé, entre religião e razão, que ocorreu na época moderna, encontrou o terreno favorável para a mudança que o próprio Cristianismo viveu desde a época de Constantino no século IVo. Ao mesmo tempo, no entanto, é justo salientar que, mesmo nesta época, a fé e a ciência moderna não se ignoraram totalmente. Vários cientistas, de fato, nunca esconderam a própria fé e os interesses pelo mundo religioso. Acima de todos, vale a pena mencionar Isac Newton que, entre seus inúmeros escritos científicos, também incluiu alguns comentários bíblicos.

A necessidade de abordar a Palavra de Deus de maneira crítica ocorre no Ocidente seja como consequência da importância que as igrejas protestantes atribuíam à Bíblia, tanto por causa da mudança do contexto social e cultural. Por um lado, o Iluminismo, por outro o crescimento da abordagem científica da realidade devido às descobertas e invenções da era moderna, abriram espaço para uma contaminação positiva também no tecido religioso e eclesial. A razão está cada vez mais separada da fé, relegando-a à esfera da magia. Por outro lado, a Igreja, depois do tempo dos Padres, mergulhou na defesa do poder temporal e de intrigas políticas, que havia abandonado o interesse nas dissertações sofisticadas, relegando-as ao debate universitário entre franciscanos e dominicanos. 

 

O começo de um novo estilo

O problema hermenêutico, ou seja, da interpretação dos textos, nasceu do impulso das ciências modernas que passam a abordar um texto antigo numa nova maneira. Percebemos que um texto não é apenas a expressão do pensamento de um autor, mas ele mesmo traz consigo resíduos culturais de seu tempo, opiniões, modos de ser e de falar. Para apreender a objetividade do texto, ou chegar perto dele, requer um esforço científico significativo. É com a Nouvelle Histoire que desenvolve seu projeto científico em torno da revista Les Annales fundada em 1924, que é manifestada toda a eficácia do arsenal científico para analisar um período histórico a partir de seus documentos. Psicanálise, antropologia, etologia, geografia, arqueologia: tudo que pode ajudar a intervir para melhor compreender um período histórico, um documento, é bem-vindo. Há uma primeira observação que me parece necessária: doravante é claro que nenhum texto pode ser observado por uma só perspectiva. O texto contém uma pluralidade de conteúdos, que requerem uma pluralidade de ferramentas a serem compreendidas. Se isso é geralmente verdade, ainda mais para os textos antigos como, precisamente, os textos da Bíblia. Finalmente, saímos do infantilismo idólatra de primazia da letra. Pluralidade de expressão que encontramos já expressa pelo texto bíblico, que é tudo menos um texto único e uniforme.

 


A Igreja nas trincheiras

A Igreja oficial tem se defendido ao extremo diante da abordagem científica dos textos sagrados.  Do seu ponto de vista, o problema não era tanto em entender melhor um texto, mas em perder a prioridade de interpretação sobre o mesmo. Admitir o método histórico-crítico significava permitir que outra pessoa metesse o nariz em algo que sempre foi prioridade exclusiva do magistério eclesial. O problema não era a compreensão, mas a autoridade sobre texto. A polêmica modernista, que teve na encíclica Pascendi de Pio X em 1907 o auge extremo, foi o terreno cultural em que uma guerra perdida foi travada. O Divino afflante Spiritu de Pio XII de 1943, de fato, reabriu as portas dos estudos bíblicos, mostrando que agora era impossível resistir à evidência hermenêutica da necessidade de uma nova abordagem aos textos sagrados. Não foi, na verdade, apenas a pressão que veio de mundo científico em geral, mas também das novas correntes teológicas, como a Nouvelle Théologie, que impulsionou a Igreja a se abrir ao novo. 

 

Entre hermenêutica e linguagem

Alguém pode se perguntar: por que essas resistências por parte da Igreja? Haveria muitas respostas que poderiam ser dadas e que temos em parte esboçado acima. O importante é que ocorreu a contaminação científica na era moderna, que não permite que a religião se isole e se feche, aliás ela abre as portas para outra contaminação mais profunda: a contaminação hermenêutica. No final das contas, a relação entre um texto e um leitor não envolve apenas tradições culturais, aspectos antropológicos e geográficos, mas também e sobretudo a linguagem. Se Deus fala ao homem usando seu plano de comunicação e compreensão, significa que é isso nível que precisa ser explorado.

Em Letra ao Humanismo (1946), o filosofo alemão Martin Heidegger argumentou que a linguagem é a casa do ser. A linguagem é o que o homem dispõe para conhecer o mundo. Nossa experiência do mundo é condicionada pelo fato de termos uma linguagem que herdamos. Ter uma linguagem significa que o homem é dialógico. Hermenêutica é uma palavra incomum. A hermenêutica deriva do deus Hermes (Mercúrio), o deus que traz mensagens aos deuses. Hermenêutica, nesta perspectiva, é a arte de interpretar mensagens que não são evidentes. É um conjunto de regras destinadas à interpretação de textos. No século passado, se falava da hermenêutica como uma filosofia. É uma filosofia que pensa que o fenômeno da interpretação não diz apenas a respeito da relação com textos difíceis, mas é um fenômeno que diz respeito a toda existência. Quando olhamos para o mundo, o interpretamos, temos os padrões que herdamos com a língua materna. 

“Não existe experiência do mundo - diz o filosofo italiano Gianni Vattimo - senão por meio de uma linguagem que herdamos, o conhecimento é então a interpretação ao invés do reconhecimento de algo objetivo. Isto não é um defeito. Qualquer relação com o mundo é interpretação: este não é um limite, mas um patrimônio ".

 Isso também se aplica ao texto bíblico. Os autores, enquanto escrevem um texto inspirados, eles também transmitem, por meio da linguagem, o que herdaram da cultura em que viveram, das ideias que tinham sobre o mundo, das razões que os levaram a escrever. Há, então, uma intencionalidade na linguagem, que é interpretação e que, portanto, deve ser aprofundada. Compreender este aspecto é compreender o significado profundo do mistério da encarnação, o paradoxo da eternidade que entra no tempo. Afinal, o texto sagrado é a manifestação deste mistério. Acreditar na Palavra de Deus significa acreditar na encarnação do Verbo e na possibilidade de encontrar Deus na carne humana, na letra escrita. Por isso, a compreensão exige um esforço, um cansaço que fala de um desejo de encontrar Deus. A hermenêutica forneceu uma ferramenta importante para ajudar qualquer um para entender o texto. Podemos argumentar com segurança que a hermenêutica tem mudado o caminho da Igreja, libertando-a, por assim dizer, da sua jaula de ouro, forçado a enfrentar o mundo. 

Habitar a linguagem bíblica com uma atenção hermenêutica, deveria produzir por seus leitores e pelas comunidades que tem como referência a Bíblia, uma atitude dialógica e tolerante. Se a Palavra de Deus precisa, pra ser melhor compreendida, de uma diversidade de ferramentas hermenêuticas e heurísticas, da mesma maneira a comunidade que se reúne em torno do texto deve agir, ou seja, não se fechar, mas permanecer aberta aos diversos significados dos quais o texto é portador. A contaminação hermenêutica permitiu à comunidade cristã remover o véu sobre o significado autêntico da verdade que a Bíblia pretende comunicar. Longe de ser uma verdade axiomática e matemática, o que exige uma assimilação fria e asséptica dos conteúdos, a revelação da verdade de Deus em Jesus Cristo ocorre no nível da história e é neste nível que deve ser encontrada. Se isso for verdade, a interpretação do texto é auxiliada tanto pelo método histórico-crítico que da hermenêutica para compreender plenamente o seu significado.




Conclusão: comunidade e palavra de Deus

 É, no entanto, a comunidade reunida que pode captar o significado profundo da Palavra revelada. A Palavra de Deus é, na verdade, uma palavra contextualizada, que fala a uma comunidade específica que vive em um contexto específico. É a comunidade que se torna o lugar privilegiado para a compreensão da Palavra. A contaminação hermenêutica, além de auxiliar na compreensão do texto, tem contribuído para trazer a Palavra de Deus de volta ao seu lugar espiritual original, ou seja, a comunidade dos fiéis reunidos. Desta forma, o prejuízo provocado ​​pela devoção moderna, que causou o fechamento da dimensão religiosa na esfera individual, é atenuado graças a dimensão comunitária da religião. Escrevo atenuado porque o devocionalismo com a tendência para o fechamento na esfera individual ainda é, não apenas muito viva e presente no panorama religioso atual, mas também incentivado. Para sairmos do pântano individualista e assim redescobrir a dimensão comunitária do cristianismo é preciso acolher as contribuições mais significativas da abordagem hermenêutica da Sagrada Escritura.

 

sábado, 12 de setembro de 2020

EVANGELIZAR NESTE NOVO CONTEXTO CULTURAL

 




FUNDAÇÃO MIGRANTES

 


ENZO BIEMMI

Roma, 12 de setembro de 2020

 

Resumo: Paolo Cugini

 

Através de uma vida entregue ao Evangelho procuro dizer o que acredito.

1. A mudança do tempo e a figura de um Cristianismo de liberdade e escolha Ele acabou com o Cristianismo na sua forma sociológica, que o cristianismo em que um não poderia ser outra coisa senão Christian .

Três etapas:

  1. Alguém se torna um cristão
  2. Alguém nasce cristão e não pode deixar de ser
  3. Alguém não nasce mais cristão, pode se tornar um

Existem outras maneiras de viver bem sua vida. A vida cristã retorna ao seu estado original de proposta livre. A cultura atual transmite liberdade religiosa. A resposta negativa é a da nostalgia: multiplicar as ações para trazer de volta a situação de quando o cristianismo era majoritário. Ó dia ou as oportunidades de oferecer o Evangelho como uma escolha .

2. Somos uma minoria , mas alegres. Nesse contexto plural, estamos de volta ao que éramos no início. Minoria alegre Depois da monocultura, o apelo do Espírito é habitar a biodiversidade cultural e religiosa. Recupere o espírito da carta a Diognetus O problema com o Cristianismo é decidir qual minoria queremos ser. Não somos uma seita, um refúgio da complexidade da história. Não vo gl e são uma minoria contra um prisioneiro de ressentimento. É a tentação mais forte para aqueles que já são maioria.

Somos chamados a ser uma minoria a favor, inserindo uma profecia, uma diferença que sinaliza que o Evangelho pode dar algo aos homens e mulheres de hoje.

Cristianismo da graça. Jesus é o salvador de todos No entanto, o Espírito Santo está incluído em todos os corações. A fé como adesão explícita não condiciona o amor do Espírito e não é necessária para a salvação. O espírito não está vinculado aos sacramentos.

Gaudium et spes 22 : Cristo morreu por todos. Devemos acreditar que o Espírito Santo trabalha para entrar em contato com todos com o mistério pascal.

3.La fé cristã é se a mesma ordem de desnecessária no que diz respeito à salvação. As pessoas não consideram mais necessário viver. Foi o próprio Deus que em Cristo Jesus decidiu tornar-se desnecessário. Está em si disponível sem nunca se impor e não condiciona a resposta. Ele deu a todos o Espírito. O que todos precisam para a salvação é amor, caridade. Não seremos julgados pela fé, mas pelo amor. Em todos e em todos existe uma primeira graça ou uma fé elementar, uma fé prática, uma fé de segunda mão e que em alguém, por uma segunda graça (Jo 1,17), ter encontrado o Senhor Jesus ou a fé do discípulo ou confessar fé. Alguém. Jesus no Evangelho tem 12 apóstolos, alguns discípulos e muitas pessoas que o seguem. Não existe uma maneira única de viver a fé Testemunhe a fé em um contexto secularizado e marcado pela pluralidade de caminhos humanos. A fé passou como necessário não faz mais sentido hoje. O evangelho nos precede.

A necessidade de evangelização. Você pode viver sem encontrar a pérola rara, mas quando a encontra, sua vida muda. Não podemos renunciar a anunciar o Evangelho. A evangelização é necessária:

  1. Para nós mesmos recebemos a segunda graça. Estamos no espaço da necessidade intrínseca.
  2. 1 Jn: para que a nossa alegria seja completa. Algo está faltando em nossa alegria até que isso seja compartilhado .
  3. EG: porque não é a mesma coisa ter conhecido Jesus ou não conhecê-lo. É por isso que evangelizamos.

Evangelho como graça da humanidade Chegamos e Deus já está lá. A fé cristã é um dom para que todos se tornem mais humanos e tornem o mundo mais humano. No centro da afirmação refazer está: para nós homens e para nossa salvação para o ser humano e sua plenitude. Consequência: basta trabalhar inspirado no Evangelho para tornar mais humana a vida de um irmão e de uma irmã. Precisamos de alguém que saia e trabalhe pelo ser humano inspirado pelo evangelho. Há um ser humano que é portador do Evangelho.




6. A igreja é um lugar hospitaleiro para histórias A fé cristã não é uma filosofia de vida, é uma relação que se concretiza na história: uma relação permanente. A Igreja é antes de tudo um espaço de narração, uma casa onde ressoam os contos das histórias da salvação. Lugar que protege e promove as histórias e tramas nas grandes narrativas das maravilhas de Deus, com suas próprias histórias de salvação. Outros devem ver em nós a verdade das histórias que contamos e abrir espaço para suas histórias. A Igreja como hospedaria de contos.

7. O conteúdo da catequese : a pessoa de Jesus, o Kerigma. Francis EG 154 Jesus Cristo te ama e está vivo ao seu lado Temos que anunciar isso. Precisamos de alguém que nos diga: olha que Jesus Cristo te ama. Não será completo, mas é generativo. Outro termo do Kerigma que Francisco indica é: misericórdia.

8. O conteúdo da catequese Na Tradição da Igreja foram preservados os conteúdos, que têm a função de salvaguardar os conteúdos e não desfigurar o rosto de Jesus, houve um grande desenvolvimento. Todos esses conteúdos são as explicações cognitivas, morais, rituais e éticas que brotam das Escrituras. O livro da catequese é a Sagrada Escritura. Os outros textos são ajudas, mediações. Quatro sínteses: Credo, Sacramentos, Mandamentos. Nosso pai,

9. Fé: uma confiança inteligente Deus se entregou às nossas histórias e também à nossa inteligência. O anúncio permite dialogar com as grandes questões da vida e da cultura. A razoabilidade da fé é um requisito de todos e de todos. O anúncio é relevante nesta condição cultural? Isso é o que devo fazer a mim mesmo como uma pergunta. Queria ver com inteligência o que eu acreditava (Agostinho). Pensar é constitutivo da fé para reconhecer a identidade de quem veio ao nosso encontro. O sentido do ato de acreditar, o sentido de esperança. Nesse horizonte há espaço para dúvidas. É preciso ter autorização para ser sempre crítico. aul Claudel: a dúvida é uma homenagem à liberdade de Deus para o homem .




10. er uma fé popular Legitimação de uma figura de fé habitável por todos, em particular pelas pessoas mais simples, que nasce dos problemas da vida, com todas as dimensões da vida (gestos, afetos, etc.). Valor da religiosidade popular. A religiosidade popular surgiu como um antídoto para as formas de expressão de fé aprendidas com tropas. É alimentado por três necessidades:

  1. simplicidade do relacionamento com Deus .
  2. Possibilidade de relacionamento direto, e não apenas mediado por padres. Imediatamente
  3. Relacionamento útil.

Existe uma profecia na religiosidade popular. Recupere um Cristianismo popular que entre em uma relação recíproca com o Cristianismo tradicional e erudito.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

O INCRÍVEL DA ESPERANÇA

 



Proponho um trecho retirado de um belo poema do escritor francês Charles Péguy sobre o tema da esperança. Acho que pode nos ajudar a entender que o esforço de acreditar em um mundo melhor não é só nosso: Deus também espera por nós e conosco. Foi o que Péguy colocou em 2011:

 

Fé não me surpreende

Não é incrível

Eu brilho muito na minha criação.

No sol, na lua e nas estrelas.

Em todas as minhas criaturas ...

Caridade nem é preciso dizer. Para amar o próximo, é só se deixar ir, só olhar para tal desolação. Para não amar o próximo, deve-se ser violento, torturado, atormentado, irado. Para enrijecer. Se machucando. Para se distorcer, se colocar de cabeça para baixo, se colocar de cabeça para baixo.

Recuperar. A caridade é totalmente natural, tudo jorrando, tudo simples, tudo bom. É o primeiro movimento do coração. É o primeiro movimento que é bom. Caridade é mãe e irmã ...

Para não amar o próximo, criança, é preciso fechar-se

olhos e ouvidos. A tantos gritos de desolação ...

Mas esperança, diz Deus, é o que me surpreende.

Eu mesmo. Isso é incrível.

Que essas pobres crianças vejam como vão as coisas e acreditem que amanhã vai melhorar.

Deixe-os ver como estão as coisas hoje e acreditar que vai melhorar pela manhã.

Isso é surpreendente e é a maior maravilha de nossa graça.

E eu mesmo estou pasmo.

E minha graça deve realmente ser de uma força incrível.

E que jorra de uma nascente e como um rio inesgotável.

Desde aquela primeira vez jorrou e sempre que jorra.

(Charles Péguy, de O pórtico do mistério da segunda virtude, 1911)

sábado, 5 de setembro de 2020

Amazônia




5 de setembro dia da Amazônia


Marcelo Barros

               Lá na beira dos rios da Amazônia, sentamo-nos a chorar

                As saudades de nossa terra respeitada. 

                E os algozes que destroem a vida nos repetem sorrindo: 

                 Cantem um hino de louvor ao Senhor Jesus.           

                 

                Mas, como cantar hino cristão quando há tanta opressão?

                 Minha boca se apegue ao céu da boca, 

                 Se eu cantar louvor a Deus vendo tua destruição, 

                  Ó Amazônia querida. 

                  

                  Felizes os irmãos e irmãs reunidos na REPAM

                  E nos movimentos sociais que formam o Fórum Panamazônico, 

                  Bem-aventurados os que lutam contra as mineradoras, 

                  E os que se solidarizam aos povos indígenas.

                  O louvor que hoje te oferecemos, Deus de todos os nomes

                  É a resistência dos oprimidos e a nossa solidariedade comum. 

                  Assim como a disposição de lutar contra tudo o que oprime

                 As pessoas, a vida e a mãe Terra. 


                  Amazoniza, ó Deus, a cada um/uma de nós, 

                   Na nudez transparente das águas, 

               útero do teu amor.

               E faze-nos viver a aventura da comunhão

               Na alegria de refazer e aprimorar o ninho do nosso amor.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

MIGRAÇÃO E PROCESSO SOCIOECONÔMICO







O MODELO ROSTOW
Prof. Giovanna Vertova
BERGAMO 4 DE SETEMBRO DE 2020

Resumo: Paolo Cugini

DESENVOLVIMENTO / EM DESENVOLVIMENTO
Ao final da Segunda Guerra Mundial, temos o fenômeno da descolonização. A maioria das colônias tornou-se países politicamente independentes. A autonomia econômica é outra coisa. Nasce o termo Terceiro Mundo e nasce a economia do desenvolvimento, que estuda as razões das desigualdades.

O conceito de subdesenvolvimento surge quando se formam os grandes impérios coloniais. O homem branco encontra diferentes culturas e as considera inferiores. Durante quase todo o século 19, o conceito de subdesenvolvimento foi explicado em termos de raça e fatores climáticos. Esta explicação foi criticada de muitos pontos de vista, o primeiro entre os quais é que as raças não existem.

A segunda explicação: termos de fatores climáticos. O desenvolvimento econômico (ideia eurocêntrica) ocorreu em países de clima temperado. Não pode haver desenvolvimento econômico em países muito quentes: esta era a teoria. Climas muito quentes tiram os incentivos para criar uma série de coisas. Não há necessidade de fazer roupas, fogões, etc. , ou seja, toda uma gama de indústrias. Esta teoria foi fortemente criticada. É um de muitos fatores e talvez não o mais importante.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial percebe-se que os países são politicamente independentes e podem iniciar um processo de desenvolvimento, o que porém não ocorre. Tentamos entender o porquê. As duas teorias anteriores são removidas.

Nova teoria : desenvolvimento econômico em uma nação. Teoria de 5 estágios de Rostow. Em 1960 ele publicou um texto fundamental. Rostow especula que os estágios de desenvolvimento de um país passam por cinco estágios:
1.                      sociedade tradicional;
2.                    transição;
3.                    decolar;
4.                    empurrar para a maturidade;
5.                    consumo em massa.

É um caminho linear. A ideia é que o subdesenvolvimento é uma etapa original, é a sociedade tradicional e os países conseguem se desenvolver nas cinco etapas.



1.                     Sociedade tradicional . É o estádio original de todos os países do mundo. Esta fase é caracterizada pela situação da sociedade pré-newtoniana. Aqui a revolução científica não aconteceu e, portanto, nem a revolução tecnológica. São sociedades agrícolas - situação da Idade Média. Trabalho manual e autossuficiência. Não se produz muito mais do que é preciso para viver. É por isso que o mercado está escasso nos dias de hoje. A população é reduzida devido a guerras, pestes. A população é o único fator de trabalho, porque não há máquinas. Rostow sempre relaciona desenvolvimentos econômicos a tipos de empresas. Aqui existiam sociedades ligadas ao tema da obediência e isso deu muito poder aos senhores. Existem poucas negociações e também negociações baseadas na troca. A moeda foi pouco usada.

2.                    Transição . Esta fase é caracterizada por um período em que se desencadeiam uma série de mudanças tanto a nível económico como social, que conduzirão à fase seguinte. Primeira mudança fundamental: a empresa passa de uma empresa agrícola a uma empresa de manufatura. É a revolução agrícola. As máquinas são usadas na agricultura e aumentam a produtividade do trabalho: quanto um trabalhador produz durante um período de tempo. A produtividade do trabalho não é produção, é o que um trabalhador produz. É um conceito semelhante ao de velocidade. O uso de máquinas na agricultura aumenta a produtividade do trabalho agrícola: há menos necessidade de agricultores e, portanto, os trabalhadores podem ser liberados para outro lugar, em outros setores. O segundo fator são os investimentos públicos e privados. O conceito de investimento em economia indica a compra de todos os chamados bens de capital, tudo o que é necessário para produzir. As empresas fazem isso com o objetivo de produzir mais. Os investimentos privados levam à especialização produtiva. Investimentos públicos: infraestrutura. O excedente é produzido: a produção é maior do que autossuficiente. Há um excedente sendo comercializado. Parte desse excedente é reinvestido. Há uma mudança de atitude da sociedade. Existem pessoas que arriscam para iniciar a fase empreendedora.



3.                    Decolagem. Aqui ocorre a decolagem econômica. A principal característica é o rápido crescimento econômico e a autossuficiência. É necessário que o desenvolvimento econômico acompanhe o desenvolvimento social. Existem três condições principais:
a.                    Investimento privado das empresas, que deve chegar a pelo menos 10% do PIB. Hoje, nos países avançados, esse número gira em torno de 18%.
b.                   Os setores de manufatura devem ser desenvolvidos.
c.                    Um arcabouço político e institucional deve se apresentar capaz de explorar esses aspectos da decolagem.
O consumo das pessoas deve ser limitado e os gastos públicos limitados. Tudo fica nas mãos de empresas privadas que têm que fazer investimentos no setor industrial. A fase de decolagem precisa ter empreendedores inovadores (Schumpeter).

4.                    Empurre para a maturidade. O progresso econômico foi aplicado à produção.  20% do PIB do investimento privado. Novos setores industriais nascem. Os países que chegam a esse estágio são colocados na ordem internacional. A Itália é especializada na indústria de alimentos, os EUA em PCs. O emprego no setor agrícola é reduzido. Existem salários mais altos. Maior qualificação do que no setor agrícola.

5.                    Consumo em massa. Refere-se aos níveis de conforto alcançados pelas nações ocidentais, onde supomos que seja válido até 2007, o ano da grande crise. Aqui ocorre a terciarização da economia. A economia passa a ser orientada para o consumidor. Os bens de consumo são o consumo doméstico. Bens de consumo duráveis ​​e não duráveis. Consumir várias vezes: é durável e não se esgota no único ato de consumo. Bens de consumo duráveis ​​(por exemplo, carros) podem saturar o mercado. Este problema é resolvido com inovação de produto.

Críticas. O modelo de Rostow é um dos primeiros modelos que tenta explicar o desenvolvimento. A primeira crítica é que o modelo que Rostow descreve é ​​sobre países avançados. É um modelo ocidental de como o desenvolvimento deve ocorrer, de olho na Inglaterra. Isso levou anos a pensar que o problema do subdesenvolvimento era um problema original. O erro fundamental é que Rostow não levou em consideração que, quando os países enriqueceram em seus estágios de desenvolvimento, esses países não se aproximavam dos países mais avançados deles. Hoje não é assim. Os países em desenvolvimento encontram-se em interdependência com os países desenvolvidos. Existe um problema de competição com os países avançados.

Não existe um modelo de desenvolvimento único. Pode haver diferentes formas de desenvolvimento que não acompanham a história dos países ocidentais. Se você quer entender como um país pode se desenvolver, não pode estudá-lo independentemente da condição econômica mundial.


terça-feira, 1 de setembro de 2020

O DEUS QUE SE ESCONDE





Paolo Cugini


No livro do profeta Isaías, o tema de Deus que está escondido aparece duas vezes. A espiritualidade sempre falou do Deus oculto. Aqui estamos lidando com outra coisa, isto é, sobre Deus que se esconde, a saber, que é sua escolha esconder-se do homem e da mulher, não mostrar mais o rosto. Deus se esconde do homem e da mulher, sem motivos aparentes, e então o problema passa a ser entender não só o porquê, mas também como viver na ausência de Deus. O tema é delicado porque indica a possibilidade do homem tropeçar durante a vida porque já não existe a luz de Deus que o ilumina e o acompanha. Como você anda no escuro? Este é um grande problema que raramente é abordado, também porque a cegueira sempre foi interpretada como uma falha humana. Aqui, porém, é uma escolha de Deus e, conseqüentemente, as coisas mudam muito de perspectiva.

Como viver na ausência de Deus? A pergunta é dirigida a todos aqueles que tiveram uma experiência de Deus que, como diria o apóstolo João, o ouviram, sentiram, tocaram, viram. Não é fácil viver na ausência de Deus desde o momento em que a vida se instaura a partir daquele encontro que mudou radicalmente a existência. Sem dúvida, quando começamos a perceber sua ausência, imediatamente assumimos a culpa, porque nos acostumamos a nos colocar diante de Deus de forma unilateral, como se houvesse necessariamente um defeito a admitir.

Mas por que Deus está se escondendo? Talvez porque ele queira nos ajudar a viver a vida como ela é, enfrentá-la com nossos meios, sem fugir, sem buscar ajuda externa. Deus se esconde para nos ajudar a entender que nos criou não para vivermos sempre como crianças, mas para assumir nossas responsabilidades.