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sexta-feira, 20 de março de 2026

Do "eu penso" ao "eu sou chamado"

 




Paolo Cugini

 

 

Para Jean-Luc Marion, um dos nomes mais expressivos da fenomenologia contemporânea, a subjetividade não começa na certeza solitária do "penso, logo existo" de Descartes. Em vez disso, Marion propõe uma inversão radical: a existência humana não é uma conquista da autoafirmação, mas uma resposta a um apelo que nos precede.

Na obra de Marion, o sujeito cartesiano, aquele que define a realidade a partir da sua própria capacidade de pensar e representar o mundo, é substituído pelo "adonado" (l'adonné). O adonado é aquele que recebe a si mesmo como um dom.

Enquanto Descartes buscava uma base sólida no Cogito, Marion argumenta que o "eu" só passa a existir quando é interpelado. Não sou eu quem dou sentido ao mundo; é o mundo, ou melhor, o Outro, que me convoca à existência. Como ele afirma em Sendo Dado:

"O adonado se define pelo que ele recebe, e recebe a si mesmo a partir do que lhe é dado."

A frase "Eu não existo porque penso, mas porque alguém me ama" sintetiza a transição da metafísica para a fenomenologia da doação. Para Marion, o conhecimento intelectual é secundário em relação à experiência de ser amado. O amor é o fenômeno saturado por excelência — aquele que transborda nossa capacidade de compreensão e nos coloca em um estado de recepção pura.

Em O fenômeno erótico, Marion é incisivo ao descrever que a certeza de existir não vem de uma prova lógica, mas da segurança de ser desejado por outro:

"O amante não pergunta 'o que posso saber?', mas 'alguém lá fora me ama?'. É essa pergunta que decide a minha existência, pois só existo plenamente se for recebido pelo amor de outro."

Nessa perspectiva, o "alguém me chama" indica que a iniciativa nunca é minha. Antes de eu dizer "eu sou", eu ouvi um "onde estás?". A identidade não é algo que eu construo sozinho no meu quarto; é algo que me é endereçado. A subjetividade, portanto, é essencialmente passiva e gratuita.

Existir, para Marion, é descobrir-se como o destinatário de um dom que não pedimos, mas que nos constitui. Ao sermos amados ou chamados, saímos do isolamento do pensamento e entramos na dinâmica da vida real, onde a verdade não é uma ideia, mas um encontro.

Comenta esta intuição de Marion

 

sexta-feira, 13 de março de 2026

A desordem dos afetos em Max Scheler

 



 

Paolo Cugini

 

 

Para o filósofo Max Scheler, a crise da modernidade não se resolve apenas com reformas parlamentares ou ajustes no PIB. Embora a economia e a política sejam esferas reais da vida, elas são, na verdade, sintomas de algo mais profundo. O diagnóstico scheleriano aponta para uma patologia invisível: a desordem emocional coletiva.

Para Max Scheler, os valores não são subjetivos; eles existem em uma escala objetiva que o ser humano sente por meio da intuição emocional. O colapso social ocorre justamente quando subvertemos essa escala, tratando o que é passageiro como se fosse absoluto. Scheler aponta que a sociedade industrial inverteu a pirâmide, colocando o lucro e a eficiência (útil) acima de tudo. Como ele afirma em Da Reviravolta dos Valores: "A civilização moderna consiste na subordinação dos valores vitais e espirituais aos valores da utilidade."

O conceito central da proposta antropológica de Scheler é o Ordo Amoris (a ordem do amor). Para o autor o ser humano não é apenas um animal rationale, mas um ens amans, um ser que ama. Neste sentido, o amor é o descobridor de valores. No entanto, esses valores possuem uma hierarquia objetiva: o sagrado acima do espiritual, o espiritual acima do vital, e o vital acima do útil. Como afirma Scheler em Morte e Sobrevivência: "O homem, antes de ser um ser pensante ou um ser de vontade, é um ser que ama."

Quando uma sociedade passa a amar o útil (dinheiro, eficiência) mais do que o espiritual (justiça, verdade) ou o vital (saúde, comunidade), ela entra em colapso axiológico. Essa desordem gera o que Scheler chama de ressentimento. Em sua obra O Ressentimento na Construção das Morais, ele explica que, ao perdermos a capacidade de perceber os valores superiores, passamos a depreciar o que é genuinamente nobre para justificar nossa própria mediocridade. "O ressentimento é uma autointoxicação psíquica, com causas e efeitos muito definidos. Ele consiste numa atitude emocional de duração prolongada."

Na prática, isso se traduz em polarizações e conflitos sociais onde o outro não é apenas um adversário político, mas um alvo para a descarga de uma frustração emocional interna. A política torna-se, então, um campo de batalha de afetos desregulados, onde o ódio substitui a cooperação. Portanto, a solução para os problemas sociais não é apenas técnica, mas pedagógica e espiritual. É necessário "reordenar o coração". Para Scheler, a saúde de uma nação depende da sua capacidade de restaurar a sensibilidade para os valores que realmente importam. Enquanto continuarmos a buscar soluções puramente externas para uma desordem que é, em sua essência, do sentir, continuaremos a enxugar gelo. A verdadeira reforma social começa pela restauração da capacidade de amar as coisas na ordem em que elas merecem ser amadas. Neste sentido, o pensamento de Max Scheler é em sintonia com Charles Péguy quando afirmava que: “a revolução será moral e espiritual ou nunca será”.

 

 Se quiser aprofundar o assunto pode ler aqui:

https://www.academia.edu/165149677/FENOMENOLOGIA_DE_MAX_SCHELER

terça-feira, 14 de outubro de 2025

AMOR E PROFECIA

 



O vínculo insolúvel que transforma o mundo


Paolo Cugini

Em uma época em que frequentemente nos detemos nas aparências e as relações correm o risco de se tornarem superficiais, aproximar as palavras amor e profecia pode soar quase como um oxímoro. No entanto, essas duas dimensões estão unidas por um vínculo profundo e indissolúvel: apenas quem ama de verdade consegue enxergar além do que é imediatamente visível aos olhos. O amor, na verdade, não se limita a sentimentos passageiros ou emoções efêmeras, mas torna-se uma força capaz de penetrar as trevas e perceber a luz, mesmo quando tudo parece escuro.

Amor e profecia. Parece estranho, mas é uma relação íntima. Só quem ama consegue ver além das aparências. Amar não significa aceitar passivamente aquilo que nos cerca, mas saber perceber os sinais ocultos de esperança e mudança até nos momentos mais difíceis. O amor autêntico nos torna capazes de ouvir o coração da realidade e reconhecer a promessa do amanhecer mesmo na escuridão mais profunda. Apenas quem ama profundamente deseja uma justiça que vá além do próprio interesse. Só quem ama deseja justiça, pois não suporta desigualdades e clama contra todo tipo de abuso. A indiferença é o verdadeiro inimigo da profecia: quem ama não pode virar o rosto diante da injustiça, mas se torna voz de denúncia e braços para construir. Amar também significa não se calar diante do mal, mas tomar posição, arriscar, envolver-se pessoalmente.

Essas são as características do profeta, que nasce de uma profunda experiência de amor, da busca cotidiana pelo rosto do mistério que vislumbra na história. O profeta não é um visionário isolado ou um simples pregador, mas alguém que, através do amor, se coloca à escuta do Mistério que habita a realidade. É a paixão pelo bem e a constante busca de sentido que o impulsionam a ler a história com novos olhos e enxergar possibilidades onde outros veem apenas limites. É o profeta, homem ou mulher do profundo amor pelo Mistério, quem se torna portador de paz, construtor de pontes, trabalhador incansável na formação de alianças. Num tempo marcado por divisões, desconfianças e conflitos, o profeta é quem sabe derrubar muros e lançar pontes entre as pessoas. Sua obra é silenciosa, mas extraordinária: busca a paz, semeia esperança, constrói alianças duradouras porque estão enraizadas na autenticidade do amor.

Num mundo que precisa de profetas, cada um de nós pode escolher amar profundamente, olhar além das aparências e empenhar-se por uma justiça verdadeira e uma paz possível. Assim, a profecia não será apenas palavra, mas vida vivida, testemunho concreto de que outro mundo é possível quando o amor se torna nossa luz guia.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

DAS COISAS SIMPLES DA VIDA

 




Paolo Cugini

 

Recebi nestes dias de uma minha amiga uma imagem que retrai um pai olhando seu filho pequeno enquanto trabalha a madeira. Chama atenção nesta imagem o olhar cheio de ternura do pai, que observa com atenção o próprio filho com o desejo de deixá-lo livre para que desenvolva as próprias potencialidades e, ao mesmo tempo, a preocupação para que não aconteça nada. É bonito também ver a criança que trabalha com interesse aquele pedaço de madeira, despreocupado com o mundo como deveria ser por cada criança, porque sabe no seu coração que seu pai está vigiando e não deixará que ninguém mexa com ele.  Olhando a imagem viajei com a mente pensando no mistério de Deus que se fez carne e viveu escondido numa família. São relações humanas que, no mistério da família de Nazareth, são ressaltadas como fundamentais no crescimento da pessoa humana. Se quisermos, então, nos tornarmos mais humanos, precisamos valorizar este dato simples e profundo que é constituído pelas relações humanas que acontecem no lar. Respirando a ternura dos nossos pais crescemos sadios, assimilando os valores da vida que se transmitem de uma forma natural, com gestos naturais e singelos. Proteger o próprio filho, desejar que ele cresça sadio, almejar para ele uma vida autêntica: só estes sentimentos naturais produzem por si mesmos toda uma seria de atitudes vitais que moldam positivamente a nossa história.

 

Nos momentos críticos da nossa vida de adultos muitas vezes quem fornece o material existencial para sairmos bem, não são as nossas forças físicas ou mentais, mas sim as nossas lembranças que levemos nos nossos corações. A lembrança daquele abraço cheio de amor e de sorriso de nossa mãe ou a lembrança da caricia do nosso pai, de um conselho paterno na hora certa, são as vitaminas espirituais que nos sustentam ao longo dos anos.  Passamos a vida enxugando os neurônios na busca de algo que possa nos realizar e amiúde não encontramos nada, porque andamos longe demais e esquecemos de olhar dentro de nós. Sobretudo esquecemos o dom vital dos nossos pais, da nossa família. Talvez achemos que isso é coisa do passado e que agora não serve mais. Pensamos que o nosso futuro é feito somente daquilo que nós mesmos conseguimos, tentando e nos libertar daquilo que foi.

 

A nossa vida é tecida com os fios sutis da ternura e do amor dos nossos pais, dos nossos irmãos, parentes. Crescemos nos alimentandos dos relacionamentos corriqueiros familiares. São estes elementos implícitos, não pensados por nós, que encontramos ali no momento do nascimento, que nos são oferecidos gratuitamente que mais influenciam a nossa estrutura pessoal no bem e no mal. Bem por nós se tivemos a sorte de nascer num lar sadio, com pessoas boas. A nossa vida não se decide pelas coisas conseguimos conquistar, mas sim com a qualidade dos nossos relacionamentos, da nossa humanidade. A que adianta ser não sei o que, mas depois totalmente incapazes de valorizar as pessoas que vivem perto de nós no trabalho, na família, no dia a dia. É nos pequenos gestos de atenção, de escuta do outro, de interesse pelas pessoas que estão ao nosso redor que conseguimos mudar nós mesmo e, de reflexo, levar um pouco de amor no mundo. Tudo isso não se aprende na escola o na rua, mas o se recebe de forma implícita e singela nas atitudes dos nossos pais no lar familiar. 

 

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

O AMOR

 




Pe Paolo Cugini

 

O amor é o dom mais precioso que uma pessoa possa receber. O amor não é algo ao nosso alcance, que podemos conseguir com os nossos esforços humanos, ou que podemos adquirir com o dinheiro. O amor não é fruto de cálculo, de uma maquinação. O amor podemos somente acolhê-lo ou recusá-lo. O amor é como um trem que desde sempre almejamos, mas que passa na hora que menos esperamos: se não subir, nunca mais voltará. O amor não olha na cara, não pergunta a idade, nem se importa com a aparência: entra e pronto. O amor não entra na vida das pessoas perguntando a conta do banco ou tipo do trabalho: o amor não se importa com isso. O amor é romântico e não racional, é vida ao estado puro. O amor não é covarde, mas sim ousado. O amor é participação da vida de Deus, pois o amor vem de Deus.

 

Não é amor, então, a troca de parceiros. Não é amor arrumar alguém para não querer sentir a dor da solidão, ou para esquecer alguém. Não é amor fazer sexo para preencher uma carência. Não é amor arrumar alguém para se sentir igual aos outros. Não é amor também arrumar um parceiro/a para fazer uma família, pois o amor não tem finalidade. Não é amor arrumar alguém que não gosta, mas esperando que um dia vá gostar.

 

O amor é único e para sempre. Não tem dois amores na vida, nem três, mas um. Por isso, a unidade vai de braços dados com o amor. O amor é eterno e nunca passa e ninguém tira do coração. Vive conosco para sempre, pois, como nos ensina a Bíblia, o amor é mais forte do que a morte (Pintadas-Bahia, 2011).

 

 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

TE AGUARDO NO SILENCIO

 



Paolo Cugini


Caminho por aquela verada que corre ao longo do canal, imerso nos meus pensamentos habituais, que correm entre o passado e o futuro, deixando o presente de lado. Não estou procurando respostas. Eu já as tive. Nem procuro certezas. Eu não preciso delas e elas não são reais. Eu estou procurando por você.

Eu gostaria de ouvir você, sentir você. Gostaria de te sentir daquela forma palpável que não deixa dúvidas, daquela forma que enche a alma, a mente num instante. Percebê-lo dessa forma que me faz avançar imediatamente para si, de forma exclusiva, nessa exclusividade que se torna espaço para todos e todas.

Eu te procuro à noite no silêncio de uma igreja escura. Não há ninguém e isso me excita. Não há ninguém, é por isso que estou aqui. Eu te sinto no silêncio da escuridão de uma igreja. Sinto Tua respiro, Teu olhar sobre mim, que me devolve a vida, me faz sentir amado, desejado, querido.

E é este amor sensível que enche a minha alma num instante, que reorganiza os meus pensamentos, afasta a preocupação de olhar para outro lado, dá ao tempo uma beleza que se torna vontade de viver agora. Paro de pensar em outro lugar, de me perder nas imagens de um futuro hipotético, uma simples fuga momentânea para enganar aquele tempo que agora está cheio de significado.

É por isso que estou procurando você. No silêncio.

quinta-feira, 18 de março de 2021

O OLHAR DO OUTRO

 




Paolo Cugini

Existem olhares e olhares. Nem todas as aparências são iguais.

Existem olhares anônimos e outros que te deixam empolgado. Olhares que te levam e outros que te deixam. Olhares que escapam, como chuva nas folhas e olhares que penetram, como chuva na terra ressecada. Há olhares que te magoam e outros que te dão vida. Há olhares que te deixam indiferente e outros que te levam embora.

O olhar do outro é o bálsamo da vida. Sem o olhar do outro não sei quem sou e corro o risco de ser envolvido por ilusões, por ideias sobre mim e não pela realidade. Sem um olhar sincero não me torno o que posso ser. E se esse olhar estiver cheio de amor, posso finalmente me tornar eu mesmo. Por favor, olhe para mim.

Se ninguém olhar para mim, a solidão mata a vida. Se alguém me olha, a vida volta nas veias e provoca a vontade de organizar o futuro, de fazer planos.

Procuro o seu rosto: não me deixe sem o teu olhar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O TUDO NO FRAGMENTO

 



 

Paolo Cugini

 

Não tenha medo do que é pequeno, do que parece menor, porque a grandeza não se identifica com a qualidade.

Não tenha vergonha da humildade do seu lar, porque a beleza está nas pessoas com quem você vive.

Não pense que você está sem sorte, porque a maior sorte está em seu respiro.

Não procure além, aquilo que é perto de você.

Não despreze os fragmentos que encontra na vida, porque em cada um deles está tudo o que procura.

Todo o amor no fragmento de minha casa, minha aldeia, minha família, minha comunidade. Portanto, não faz sentido procurar em outro lugar o que está sob o nariz. Basta prestar um pouco mais de atenção, para perceber que o dom é exatamente onde eu moro.

Vencer, então, a tentação de acreditar que a felicidade está longe de onde vivemos, que devemos buscá-la em outro lugar, enquanto, na realidade, outro lugar é justamente onde vivemos, onde se tecem as relações cotidianas, que exigem tempo, paciência, dedicação.

Todo o amor nas pessoas que você encontra todos os dias.

Todo amor no fragmento de uma flor.

A vida inteira no fragmento de um pardal voador.

Toda a alegria do mundo, no fragmento do solo que você pisa todos os dias.

Toda a alegria de viver está em seu fragmento de quintal.

Então, se você quiser gostar tudo, presta atenção para os fragmentos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

A FERIDA NÃO É O TUDO

 



     Paolo Cugini


      Já é sinal de uma grande caminhada espiritual e humana poder olhar sem medo para a ferida que arde dentro de nossa alma, sem tentar escondê-la, como costumamos fazer. Então, quando aprendemos a não identificar a ferida com toda a nossa identidade, significa que temos percorrido um longo caminho dentro de nós mesmos. A ferida, na verdade, não é toda a existência, mas um aspecto do caminho. Superar a tentação de deixar que o sangue da ferida nos devaste do medo, requer muita energia espiritual. Precisamos termos um horizonte claro da existência para não nos surpreender com os sentimentos negativos do momento. E é justamente nesses momentos de desespero possível, que o caminho percorrido ou não percorrido emerge com força. E’ necessário tomar tempo para curar a ferida, para deixá-la curar, para permitir que o amor entre onde o medo tomou conta. Tempo e amor sempre andam juntos, porque não amamos realmente se não nos damos o tempo para amar e nos deixarmos amar. E, com o tempo, a ferida se fecha aos poucos, provavelmente deixando uma leve cicatriz, necessária para nos lembrar quem somos e de onde viemos.

A ferida da alma também é um sintoma de vida que nos lembra uma harmonia quebrada. No turbilhão dos acontecimentos da vida cotidiana, às vezes esquecemos de nós mesmos. Um dia, uma ferida nos obriga a parar, a olhar para ela e, quanto mais profunda, mais precisa de cuidados. Benvindas as feridas profundas que nos obrigam a sentar, a chorar de dor, a pensar nas causas, como poderia ter acontecido, enfim, pensar um pouco em nós mesmos. É curando as feridas que descobrimos que o tempo dedicado a nós mesmos não é um luxo que nos permitimos, mas um presente que revigora a nossa existência. E então, lentamente, as lágrimas se transformam em sorrisos, o choro em alegria, a dor em amor. Porque, como Jesus disse, não podemos amar os outros se primeiro não amarmos a nós mesmos. Não podemos nos inclinar sobre as feridas dos outros se não aprendermos a curar as nossas.

Obrigado, Senhor, pelo dom da ferida e da alegria do cuidado, que enche o coração e dá forças para continuar o caminho com maior autoconsciência.