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quarta-feira, 29 de abril de 2026

TEOLOGIA DAS MARGENS: DESENVOLVIMENTOS HERMENÊUTICOS

 



Paolo Cugini

 

A hermenêutica da teologia das margens representa uma das correntes mais vibrantes da reflexão contemporânea, deslocando o centro da verdade teológica do centro (acadêmico, eurocêntrico, institucional) para a "periferia" como um lugar de revelação. A premissa fundamental é que Deus se revela não no poder, mas na vulnerabilidade. A margem não é apenas um lugar de exclusão, mas um espaço hermenêutico privilegiado. Gustavo Gutiérrez, considerado o pai da teologia da libertação, introduziu a ideia de que a teologia é um ato secundário. O ato primário é a prática da solidariedade com os pobres. Para Gutiérrez, a margem é o ponto de partida necessário para uma leitura correta das Escrituras. Nos Estados Unidos, a teologia das margens assumiu conotações culturais específicas, analisando a condição daqueles que vivem entre dois mundos. Em sua obra seminal,  Galileia e a Promessa Mexicano-Americana , Elizondo reinterpreta a figura de Jesus a partir de sua identidade como galileu, de uma região fronteiriça e de raça mista. Assim, a margem se torna o lugar onde nasce o novo povo de Deus.

Ada María Isasi-Díaz, fundadora da teologia feminina, enfatizou como as mulheres hispânicas vivem em uma tripla marginalização (gênero, classe e etnia). Sua hermenêutica se baseia no conceito de cotidiano  como fonte teológica. Uma evolução radical da hermenêutica das margens envolve o questionamento das normas sexuais e sociais.

Marcella Althaus-Reid, com sua Teologia Indecente, desafiou as interpretações burguesas e puritanas do cristianismo. Althaus-Reid propõe uma hermenêutica que se baseia nas experiências de corpos marginalizados (trabalhadoras do sexo, pessoas LGBTQ+), argumentando que Deus se manifesta precisamente onde a teologia oficial sente vergonha. O desenvolvimento mais recente diz respeito à "descolonização" da mente e da fé. Kwok Pui-lan é uma teóloga asiática que utiliza a hermenêutica pós-colonial para analisar como a Bíblia tem sido usada como instrumento de poder. Ela propõe uma leitura diagonal, dando voz àqueles silenciados pelos grandes impérios religiosos. A aplicação dessa hermenêutica a passagens bíblicas específicas transforma radicalmente a percepção do texto, convertendo histórias de subjugação em narrativas de libertação e resistência. A teologia mujerista (de mulheres hispânicas nos EUA) não busca grandes dogmas, mas a presença de Deus na sobrevivência cotidiana. A passagem de referência é Agar (Gênesis 16 e 21). Tradicionalmente, Agar é vista como a escrava problemática de Sara. Ada María Isasi-Díaz e outras teólogas feministas interpretam Agar como a verdadeira protagonista: ela é a primeira pessoa na Bíblia a dar um nome a Deus (El-roi, "o Deus que me vê"). A margem aqui é a solidão do deserto. Para as mulheres marginalizadas, Agar representa Deus, que não está no palácio de Abraão (o centro), mas que encontra a mulher que foge da violência no deserto (a periferia). A salvação não é uma promessa abstrata, mas a água que permite sobreviver mais um dia.

A teologia queer não se limita a incluir pessoas LGBTQ+, mas utiliza a queerização como método para desestabilizar interpretações fixas e binárias. A passagem de referência é Atos 8:26-40. O eunuco é uma figura limítrofe: estrangeiro (etíope), porém devoto, e sexualmente não conforme aos critérios da época (excluído do templo segundo Deuteronômio). Marcella Althaus-Reid e Patrick Cheng interpretam esse episódio como uma ruptura radical das margens. O eunuco pergunta: " O que me impede de ser batizado?". A resposta de Filipe é a eliminação da barreira corporal. O corpo queer, antes marcado como incompleto ou impuro, torna-se o espaço de um novo pertencimento que transcende a biologia e as normas sociais. Em ambos os casos, o método segue estes passos:

a.        Suspeita: Pergunte-se por que a interpretação clássica ignora os corpos ou o sofrimento daqueles que estão à margem da sociedade.

b.       Identificação: O leitor marginalizado reconhece-se na personagem bíblica excluída.

c.        Afirmação: A margem é declarada um lugar sagrado de revelação, muitas vezes mais autêntico do que o "centro" religioso.

A exploração da figura de Jesus como sujeito marginal e sua tradução para a prática litúrgica representam o cerne das teologias mujeristas e queer, onde o corpo e a experiência cotidiana se tornam o centro da adoração. Nessas perspectivas, Jesus não é uma abstração dogmática, mas um indivíduo histórica e socialmente situado à margem. Virgilio Elizondo reinterpreta Jesus como um mestiço cultural. Originário da Galileia, Jesus viveu em uma região fronteiriça, desprezada pelo centro religioso de Jerusalém. Essa marginalidade geográfica é o que lhe permite falar uma linguagem de inclusão universal. Marcella Althaus-Reid propõe um Jesus que rompe com o molde da decência burguesa e das normas heteropatriarcais. Jesus é aquele que toca o impuro, come com os pecadores e desafia as leis da família nuclear tradicional. Seu corpo na cruz é o corpo marginalizado por excelência: nu, vulnerável e inconformista. Ada María Isasi-Díaz destaca como Jesus validou consistentemente a autoridade de mulheres marginalizadas (como a samaritana ou a mulher com hemorragia), tornando-as parceiras integrais em sua missão. 

A liturgia não é mais vista como uma cerimônia rígida, mas como uma ação comunitária que celebra a resistência e a vida. Liturgias de Cura e Relacionamento: as teologias feministas e queer desenvolveram formas de culto populares, fundamentadas em uma comunidade de iguais. Isso abre espaço para gestos de cuidado mútuo, bênçãos de casais não tradicionais ou rituais que honram corpos que sofreram violência. Para a teologia mujerista, atos simples do cotidiano — cozinhar, cuidar dos outros, resistir à injustiça — adquirem valor sacramental. A liturgia transcende a igreja para santificar a luta pela sobrevivência de povos oprimidos. Uma liturgia queer celebra um Deus fluido e instável que rompe com as expectativas religiosas. Canções e orações servem não para controlar a moralidade, mas para libertar o desejo e a graça divina de teologias totalitárias.

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Insights para uma teologia das margens

 



Páginas especiais - Instituto Humanitas Unisinos - IHUFine modulo

 

 

  Paolo Cugini

 

 

28 Fevereiro 2026

 

"A doutrina, por sua natureza, tende a formular normas e princípios gerais, muitas vezes baseados em abstrações e em um conhecimento parcial da complexidade humana. Consequentemente, pode parecer rígida e incapaz de acolher toda a riqueza e as nuances da experiência individual e coletiva."

O artigo é de Paolo Cugini, publicado por Viadanti, 25-02-2026. 

Paolo Cugini é professor de filosofia e teologia na Faculdade Católica da Amazônia e pároco de uma parèoquia de Manaus. Autor de "O nome de Deus não é mais Deus: dizer o Mistério em um mundo pós-cristão (Effatà, 2025).

Eis o artigo. 

Existe uma teologia que não busca o palco, que não se afana para obter reconhecimentos nem se apega ao rigor dos grandes sistemas doutrinários. É a teologia marginal, aquela que nasce na sombra, entre as trilhas poeirentas da história, onde a vida é medida pelo peso dos dias e pelo ruído surdo dos fracassos cotidianos.

Ensinamentos escondidos

Há muito o que aprender sob as pontes, entre as mãos trêmulas de quem não encontrou refúgio, entre os corpos cansados que buscam abrigo no vento da noite. Há ensinamentos escondidos na fome que morde a cada amanhecer, naqueles rostos que enfrentam o dia sem a certeza de uma refeição. Nestes lugares, a presença do Mistério revela-se potente, quase como se quisesse desmentir a presunção das grandes cátedras.

 

Sergio Omassi | Pexels

Há algo de prodigioso na vida dos pobres, uma sabedoria que não nasce dos livros, mas do contato direto com o sofrimento, a solidariedade e a resistência cotidiana. Se de fato, como narra o EvangelhoJesus quis se identificar com os últimos, é sinal de que o percurso autêntico em direção ao conhecimento do Mistério passa justamente por essa solidariedade com quem vive às margens.

Assim, a teologia marginal, embora permaneça nos confins, guarda um tesouro de verdade muitas vezes ignorado. Ela nos lembra que o verdadeiro conhecimento não se conquista do alto, mas se acolhe inclinando-se, abaixando-se, compartilhando o pão amargo da existência.

No fundo, o Mistério habita onde o coração se faz próximo, onde o homem se faz irmão, a mulher irmã, onde a pobreza se torna ventre de luz e a marginalidade se transforma em lugar de revelação. Tentemos dar alguns exemplos de teologia marginal.

A Tradição escrita na/pela vida cotidiana

Foi participando das celebrações da Palavra nas Comunidades de Base do Brasil que me dei conta do machismo exacerbado da Igreja Católica e da cultura patriarcal que, ainda hoje, dita suas escolhas. Tantas mulheres na América Latina não apenas presidem as celebrações dominicais, mas guiam pastoralmente as comunidades, no cuidado com os pequenos, na atenção zelosa aos tantos pobres encontrados. São justamente elas, as mulheres, as grandes protagonistas dos conselhos pastorais e do caminho cotidiano da Igreja. É ouvindo a voz e a vivência dessas mulheres que a estrutura doutrinária da eclesiologia pensada no centro do Ocidente se derrete como neve ao sol.

Acompanhando a ação pastoral dessas mulheres, as conclusões dos trabalhos da Comissão para o Estudo do Diaconato Feminino parecem sem sentido, pois não levam em conta a vivência cotidiana das comunidades eclesiais e o princípio da Encarnação. A teologia marginal, de fato, ensina que não podemos considerar "Tradição" apenas aquela que foi formulada ao longo dos séculos pelos documentos oficiais do Magistério, mas também aquela que é escrita todos os dias nas páginas da vida cotidiana das comunidades.

É esta Tradição que é sistematicamente ignorada pelo Magistério Eclesial cada vez que formula seus documentos oficiais, e é precisamente esta Tradição viva que a teologia das margens pretende recuperar.

O princípio da Encarnação

É possível desmantelar o patriarcado, que tantos danos causa às mulheres e à sociedade, propondo escolhas que levem em conta as mulheres reais, suas vivências dentro e fora da Igreja. É hora de parar de se esconder atrás de uma Tradição — ela mesma estruturada na cultura patriarcal — para justificar escolhas que vão sempre na mesma direção do poder masculino e autorreferencial.

Uma Igreja que pretenda ser profética na atual conjuntura histórica precisa colocar-se à escuta do grito das mulheres que há séculos imploram a misericórdia de Jesus. É justamente esse grito que a teologia das margens está recolhendo e ouvindo para elaborar uma narrativa teológica sensível ao princípio da Encarnação.

O mesmo discurso vale para as pessoas homossexuais e a comunidade LGBTQ+. Nos anos em que acompanhei um grupo de cristãos LGBTQ+, nunca constatei qualquer tipo de desordem moral entre os casais homossexuais que frequentavam o grupo de oração. Encontrei, por outro lado, muita fé, amor zeloso, atenção e o desejo de um projeto de vida que pudesse dar sentido ao seu caminho.

Lendo no grupo o texto de alguns documentos oficiais da Igreja que falam deles, senti vergonha. Quantas vezes recolhi as lágrimas de alguns/as do grupo de cristãos LGBTQ+ que contavam como haviam sido tratados no confessional? Rejeitados, como se fossem leprosos. Como é possível não dar a absolvição a uma pessoa que, com humildade, implora o perdão de Jesus? Como a Igreja pode se definir, nos textos oficiais, como "mestra de humanidade", quando na prática cotidiana é de uma desumanidade absurda?

Um diálogo fundamental

teologia marginal, colocando-se à escuta das pessoas reais, recolhendo seus testemunhos e suas verdades, constrói um discurso teológico que leva em conta a revelação do Mistério que vem da terra, da vivência cotidiana, daquela realidade feita de carne e osso e não de papel e tinta. Manter o diálogo entre o Magistério eclesial oficial e aquela Tradição que nasce da vida cotidiana é fundamental para não correr o risco de escrever. Documentos que ferem as pessoas e as afastam da Igreja.

Uma teologia que surge de baixo, em escuta às minorias marginais, não pode senão tornar-se uma teologia do dissenso, que representa um âmbito de reflexão e de confronto que, embora se desenvolva dentro do panorama eclesial, carrega-se de uma valência profundamente humana e comunitária.

O dissenso, ao contrário do que se poderia pensar, não brota de um espírito de rebelião por si só, mas da percepção aguda de uma distância — como observamos, por vezes dolorosa — entre os princípios absolutos afirmados pela hierarquia e a concretude da vida cotidiana. Frequentemente são justamente aqueles que vivem na própria pele essa discrepância que dão voz ao dissenso, não para negar a fé, mas para permanecer fiéis a ela no contexto da sua realidade.

Um aguilhão crítico

doutrina, por sua natureza, tende a formular normas e princípios gerais, muitas vezes baseados em abstrações e em um conhecimento parcial da complexidade humana. Consequentemente, pode parecer rígida e incapaz de acolher toda a riqueza e as nuances da experiência individual e coletiva.

Nesse espaço de descolamento, o dissenso teológico encontra sua razão de ser e se torna porta-voz das demandas de quem não se reconhece em definições percebidas como muito abstratas, impessoais ou até nocivas para quem vive situações de marginalidade ou julgamento negativo.

O dissenso muitas vezes se manifesta de modo silencioso, quase submerso: muitas pessoas, em seu cotidiano, escolhem caminhos pessoais que divergem das prescrições doutrinárias, às vezes sem sequer ter consciência disso.

Isso levanta uma questão fundamental: para que serve a doutrina, se não para guiar e sustentar o caminho de fé das pessoas? A doutrina, de fato, deveria ser um instrumento a serviço da vida, não um fardo insuportável. Nesta perspectiva, o dissenso configura-se como um aguilhão crítico, um elemento indispensável para evitar que a fé se reduza a um conjunto de regras abstratas.

 

Fonte: https://ihu.unisinos.br/662838-insights-para-uma-teologia-das-margens-artigo-de-paolo-cugini

 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

A teologia dos margens

 




Paolo Cugini

 

 

Existe uma teologia que não busca os holofotes, que não se apressa em obter reconhecimento nem se apega ao rigor dos grandes sistemas doutrinários. É a teologia marginal, aquela que nasce na sombra, entre os caminhos empoeirados da história, onde a vida é medida pelo peso dos dias e pelo som surdo dos fracassos cotidianos. Uma teologia que respira o odor acre do esquecimento e se acomoda onde o mundo desvia o olhar, convencido de que nada de importante possa brotar nesses lugares negligenciados.

Mas há muito a aprender debaixo das pontes, entre as mãos trêmulas daqueles que não encontraram abrigo, entre corpos cansados que buscam refúgio no vento da noite. Existem ensinamentos ocultos na fome que morde a cada amanhecer, nesses rostos que enfrentam o dia sem a certeza de uma refeição. Nestes lugares, a presença do Mistério se revela poderosa, quase como se quisesse desmentir a presunção das grandes cátedras. Aqui, entre as sombras das favelas latino-americanas, o Mistério se faz carne no cotidiano, insinua-se entre a luta pela vida e os abusos dos traficantes que decidem o destino de gerações inteiras.

O teólogo dos margens, aquele que para para ouvir o silêncio dessas ruas, descobre um rosto do Mistério que escapa aos olhos de quem se enclausura nos palácios dos grandes centros teológicos. Há algo prodigioso na vida dos pobres, uma sabedoria que não nasce dos livros, mas do contato direto com o sofrimento, a solidariedade e a resistência diária. É aqui que se experimenta a presença do Mistério de forma visceral, como um relâmpago que rasga a escuridão da noite e ilumina o sentido profundo de existir.

Se realmente, como narra o Evangelho, Jesus quis se identificar com os últimos, é sinal de que o caminho autêntico para o conhecimento do Mistério passa justamente por essa solidariedade com quem vive à margem. Roupas rasgadas e sujas, sapatos gastos, barracos no lugar de casas, comida que falta, trabalho inexistente, jovens privados de oportunidades, idosos abandonados: o que significa viver o Mistério nessas condições? Onde se esconde a luz entre as fendas da miséria?

Talvez sejam justamente aqueles que vivem na marginalidade que intuem o Mistério, pois ele se manifesta na fragilidade, na precariedade, na esperança que resiste contra toda esperança. E, no entanto, ao ler estas palavras, os miseráveis da história sorririam amargamente e devolveriam a pergunta: como podem aqueles que habitam em palácios suntuosos, com carteiras recheadas, perceber o Mistério? A resposta, eles já conhecem: impossível. Porque o Mistério não se deixa capturar pela abundância nem se manifesta na autossuficiência, mas habita na carne ferida do mundo, onde a vida luta para não sucumbir.

Assim, a teologia marginal, mesmo permanecendo à margem, guarda um tesouro de verdades muitas vezes ignorado. Ela nos recorda que o verdadeiro conhecimento não se conquista do alto, mas se acolhe ao se inclinar, ao se abaixar, ao compartilhar o pão amargo da existência. No fundo, o Mistério habita onde o coração se faz próximo, onde o homem se faz irmão, a mulher se faz irmã, onde a pobreza se torna ventre de luz e a marginalidade se transforma em lugar de revelação.

sábado, 14 de setembro de 2024

PROJETO MARGENS A que ponto se encontra?

 




 

Paulo Cugini

Cerca de seis meses após a apresentação da proposta, consideramos importante fazer uma avaliação inicial. A razão do nome. Margens em português significa margens e refere-se ao Rio do Amazonas e a todos os rios que atravessam o território amazônico. Nas margens desses rios vivem muitas pessoas, os chamados ribeirinhos, que se encontram dentro de comunidades que surgem às margens dos rios. A paróquia de São Vicente de Paulo, que administro há cerca de um ano, é formada por sete comunidades, três das quais fazem fronteira com o Rio Negro, grande afluente do Rio Amazonas, e as outras quatro são muito perto. Possui uma população de aproximadamente 35 mil habitantes. O bairro Compensa é famoso por estar localizado em uma das chamadas áreas vermelhas de Manaus, vermelha porque é perigosa. A situação geral de pobreza aliada aos problemas de segurança, levou-nos a desenvolver, com um querido amigo italiano, um projeto à longo praz, que pode intervir a vários níveis para a promoção cultural e social da população local.

Um primeiro nível de intervenção é o apoio a projetos de sensibilização sociopolítica já presentes no território paroquial, mas pouco incentivados. Nos últimos meses acompanhamos quatro deles:

a.      Faça bonito. É um evento de conscientização contra o abuso infantil, uma verdadeira praga por aqui. Ajudamos em algumas despesas – camisetas, banners, panfletos – para viabilizar o evento. O evento contou com o envolvimento de crianças, jovens e adultos das sete comunidades

 


b.      Movimento de fé e cidadania. Quando cheguei esse movimento, nascido na década de 1980, estava desativado há duas décadas. Tendo em conta as eleições municipais, que se realizam neste ano e que provocam muitos conflitos nas próprias comunidades e muitas vezes divisões no seio das famílias, devido à corrupção política, que entra nas classes pobres, oferecendo de tudo para comprar o voto dos pobres, temos decidido reativar o Movimento. O projeto Margens veio com financiamento significativo, pagando camisetas, 5 mil exemplares da lei 9.840 contra a corrupção eleitoral, ônibus para movimentação de integrantes do Movimento. Além de um curso de formação, realizamos cinco eventos em que membros do Movimento foram de casa em casa para distribuir o texto da lei e realizar teatro de rua sobre o tema em questão.

 


c.       Setembro amarelo. É um projeto brasileiro de prevenção ao suicídio. A paróquia está muito atenta ao tema, até porque, após a construção da ponte sobre o Rio Negro, os suicídios aumentaram dramaticamente. Há um grande sofrimento mental na região. Dom Hudson decidiu que a nossa paróquia realizará um evento diocesano no último sábado de setembro, para sensibilizar a população sobre o tema. O projeto Margens entra com financiamento para suportar alguns custos do projeto.

 

d.      PASCOM: é o nome da pastoral que ajuda a divulgar os acontecimentos das sete comunidades. O projeto Margens interveio através da aquisição de uma máquina fotográfica, que também será utilizada para ativar cursos de fotografia, quando os espaços estiverem prontos.

 


e.       PJ: é a sigla da Pastoral Juvenil. Com a Margens intervimos com bolsas de estudo para permitir aos jovens o ingresso nos cursos de teatro, música e dança ativados pela paroquia, e adquirir parte do material que foi utilizado nos bailes juvenis (quadrilhas) realizados nos meses festivos de Junho e Julho. .

 


f.        Projeto de assistência psicológica. A situação precária da região levou-nos a decidir envolver duas psicólogas - Vanessa e Wanilda - para atender às necessidades de muitas pessoas que pediam ajuda. Margens juntou-se ao projeto para arrumar o quarto e comprar alguns livros e jogos para os menores que são acompanhados.

 

As psicologas Vanessa e Wanilda

Outro tipo de intervenção foi financiar algumas ferramentas que poderiam ser utilizadas pela comunidade para realizar um serviço social específico.

1.      Comunidade São Pedro. Situado na zona mais perigosa da paróquia, com o projeto Margens contribuímos para a compra de uma cerca de arame farpado para colocar no portão. Além disso, financiamos a compra de um bebedouro que é utilizado quando a comunidade recebe funcionários municipais, que realizam jornadas com enfermeiros e médicos para vacinar a população e outros tipos de serviços médicos gratuitos.

 


2.      Santo Inácio. Precisáva de uma fritadeira para vender alimentos e arrecadar fundos e por isso intervimos para adquiri-la.

 


3.      ão Vicente. Substituímos a antiga cozinha por uma nova, que serve para preparar comida dos eventos da comunidade e da paróquia.

 


Um terceiro nível em que intervimos e continuaremos a intervir é a disposição de alguns espaços. A intuição dos colaboradores do projeto Margens não foi construir nada específico, mas sim consertar estruturas já existentes para envolver as comunidades locais. Pedimos às comunidades que desenvolvessem projetos sociais a partir do seu observatório específico e, a partir do que vão apresentando, criamos um calendário de intervenções.

a.       Salão Paroquial. A primeira intervenção, que envolveu boa parte dos fundos da Margens, foi um salão que, até então, se encontrava sem utilização e, portanto, em condições verdadeiramente precárias. As obras de remodelação permitiram recuperar um espaço onde já começámos a organizar encontros com jovens e agendamos projetos de dança, música e teatro.

 



b.      Próximas intervenções. As comunidades de Santo Ignácio, Rosário e San Sebastião apresentaram uma série de projetos sociais e culturais que incluirão intervenções nas estruturas.