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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Anunciai a Boa Nova a Todos!


ARQUIVO (março 2018)



Paolo Cugini

1. A Páscoa está se aproximando e todos nós somos convidados a refletir sobre o mistério da morte e da Ressurreição de Cristo, pra entendermos o sentido que este evento tem pela nossa vida. Passei estas ultimas semanas de quaresma lendo e meditando com os jovens das comunidades da zona rural, os capítulos do Evangelho de Marcos que relatam a paixão e morte de Jesus. Muitos destes jovens ficaram se questionando: “Mas porque Jesus, o Filho de Deus, que veio ao mundo para anunciar a Boa Nova aos pobres, que realizava milagres esbanjando vida para todos, que curava os dentes e amava a todos e a todas, foi massacrado e humilhado naquela forma horrível que é narrada nos Evangelhos?”. A resposta a esta pergunta foi encontrada no Evangelho de Mateus ao capitulo 23, aonde se relata o discurso de Jesus contra os chefes religiosos e políticos do tempo, criticando a hipocrisia deles e denunciando as atitudes erradas. A palavra e a ação de Jesus incomodava o poder acostumado a fazer qualquer malandragem á luz do sol, sem ninguém se queixar por medo das retaliações. A Boa Nova que Jesus anunciou contem também esta denuncia profética contra toda forma de exploração, todo abuso de poder prejudicando o povo mais pobre e humilde. Por isso os chefes políticos e religiosos se juntar para decidirem de matar Jesus (Marcos 3,6).

2. Dá pra perceber imediatamente que, apesar de ter passado mais de dois mil anos da morte e ressurreição de Jesus, as coisas não mudaram muito.  Ainda hoje, como naquele tempo, o poder é acostumado a fazer o que quiser, se beneficiando de qualquer forma, as custas dos pobres. E se alguém se queixar é cassete na hora. Existe todo um povo que vive apavorado, com medo de denunciar os abusos e as explorações que corriqueiramente agüenta por medo das retaliações. Existe todo um povo que passa a vida toda se censurando, vivendo não na forma que bem queria, mas encostado no poder achando que pelo menos o poder oferece alguma coisa. O questionamento sobre esta atitude é grande: será que vale a pena abrir mão dos próprios ideais por um pedaço de pão? Será que vale a pena abrir mão até da própria fé, pra viver encostados a vida toda nestas pessoas que não sabem nem onde fica a Igreja?  Será que esta é vida? Será que Jesus veio ao mundo para que o povo vivesse deste jeito? Dá pra acordar?

3. Jesus morreu e ressuscitou. Este é um dato bíblico fundamental. De fato, se Cristo ressuscitou quer dizer que está vivo, que o mal não prevaleceu sobre Ele. Se Cristo é vivo isso quer dizer não apenas que Ele é presente e acompanha de perto os nossos passos, mas também que o Seu Espírito está dentro de nós e nos impulsiona para que o Seu Reino de amor se realize entre nós. Não basta gritar Aleluia! Gloria a Deus! Para manifestarmos o nosso agradecimento a Deus por tudo aquilo que em Cristo nos proporcionou, precisamos dar continuidade á Sua obra maravilhosa, saindo do medo, manifestando a nossa fé na Ressurreição de Cristo, denunciando as maracutaias do poder corrupto. É neste ano de eleições políticas que precisamos manifestar a nossa fé na ressurreição de Cristo. Como é, de fato, que podemos gritar Aleluia! na Igreja e depois sermos cúmplices  das armadilhas corruptas do poder, sendo instrumentos de compra e venda de votos? A fé na Ressurreição de Cristo que na Páscoa celebramos com tanto vigor, exige um estilo de vida que seja digno de Cristo, respeitoso do seu sofrimento, em continuidade com o seu anuncio. Pedimos a Deus a força de sermos cristãos corajosos, capazes de enfrentar as conseqüências de uma vida autentica, manifestando a alegria de viver uma vida justa e fraterna.



Páscoa, a vida que vence a morte

ARQUIVO (Avril 2006)





Paolo Cugini

1.A liturgia do assim chamado “sábado do aleluia” é rica de símbolos e de sentidos, que ajudam os fieis a entrar no mistério da ressurreição de Jesus Cristo. Mistério que transforma a realidade  e a vida daqueles que o acolhem.
 Ressuscitar quer dizer voltar a viver: isso aconteceu com Jesus. O mundo massacrou o corpo de Jesus, mas o Pai o ressuscitou: a vida venceu a morte. Tudo isso é simbolizado na vigília do sábado santo com a liturgia do fogo. O povo se reúne  num lugar escuro, fora da Igreja, no redor de uma fogueira. Depois da benção do fogo o povo entra devagarinho na Igreja atras do círio  Pascal aceso: a luz que vence as trevas.

2. Quer dizer esta simbologia litúrgica para a nossa vida corriqueira? 
Quem acredita que Jesus ressuscitou da morte, sabe que a ultima palavra da historia é de Deus. Se é verdade que o mal exerce no tempo cotidiano um poder extraordinário, que arrasta multidões, é também verdade que o dono da vida é Deus e, quem confia nele, não ficará desamparado. É isso que nos ensina a historia de Jesus: ficou fiel até o fim. Acreditou no amor de seu Pai também debaixo dos golpes do carrasco. E agora Ele está vivo enquanto aqueles que o mataram estão mortos: esta é a verdade que a Palavra de Deus nos ensina.

3. Estamos mergulhados numa realidade aonde os corruptos dominam a historia. Quantos pobres são humilhados, massacrados, esculhambados! Os poderosos deste mundo ( que na realidade são um monte de idiotas e ignorantes, muitas vezes chegando ao poder com o dinheiro dos outros, explorando a influencia dos amigos e roubando o que puder roubar) gostam de judiar  dos pobres, também porque o pobre não tem como se defender. Estes poderosos sem escrúpulo e sem vergonha, não sabem, porem que, atrás de cada pobre que é por eles massacrado, é presente o mesmo Cristo. E Cristo ressuscitou e é vivo, enquanto todos os poderosos deste mundo estão de baixo do chão, comidos pelos vermes. Esta é a realidade misteriosa, que nós aprendemos na caminhada da Igreja e que nos impulsiona a continuar alegres e cheios de coragem gritando ao mundo, com as palavras e com a nossa mesma vida:
“Jesus Cristo é vivo!” “Vocês mataram o Autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos” (Atos dos Apóstolos 3, 15). Durmam com um barulho deste!