sexta-feira, 19 de junho de 2026

AS RUAS DA COPA

 




Em Manaus os moradores pintam as ruas durante a Copa do Mundo

Paolo Cugini

 

A criatividade do povo manauara converte os desafios da infraestrutura urbana em verdadeiras obras de arte a céu aberto durante a Copa do Mundo. Em Manaus, a proximidade do mundial de futebol desperta uma mobilização comunitária única. Diante da histórica falta de legados duradouros em mobilidade e do asfalto muitas vezes desgastado, os moradores assumem o protagonismo. Eles limpam, reparam e cobrem as vias com cores vibrantes. O asfalto vira uma grande tela de expressão cultural e paixão pelo esporte.

 Arte onde havia buraco nas periferias e bairros tradicionais de Manaus, o mutirão comunitário começa muito antes do apito inicial dos jogos. Moradores e trabalhadores locais se unem para nivelar o pavimento, varrer as vias e iniciar os trabalhos de pintura. Desenhos de craques da Seleção Brasileira, da mascote oficial e taças cobrem imperfeições no chão. Servidores e garis utilizam materiais rda mascote oficial erguer pórticos e esculturas temáticas. O tradicional verde e amarelo divide espaço com os rostos de lendas do futebol mundial. Essa engenhosidade coletiva transformou ruas comuns em atrações turísticas oficiais, reconhecidas internacionalmente pela própria FIFA.

Rua 3 (Alvorada): Referência mundial com mais de 30 anos de tradição. Coberta por um teto de mais de 1,2 milhão de bandeirolas e pinturas gigantescas no chão.

Rua da Copa (Compensa): Planejada e executada por profissionais de limpeza urbana. O local destaca-se pelo uso de materiais reciclados e iluminação temática especial.

Rua Santa Isabel (Praça 14): Ponto histórico da comunidade do samba e da cultura popular local. As bandeirolas conectam um telhado ao outro formando as bandeiras das nações.

Rua 24 de Agosto (Morro da Liberdade): Integra a pintura decorativa a eventos sociais, como feijoadas comunitárias e rodas de samba.

O esforço dos manauaras vai além da estética. Onde o poder público por vezes falha em entregar vias perfeitas, o morador responde com união. Os investimentos comunitários movimentam o comércio de bairro. Ambulantes, costureiras e pintores locais encontram nas ruas decoradas uma fonte de renda temporária. A resposta de Manaus para o mundo é o afeto. Em vez de apenas lamentar as dificuldades do trânsito diário, o povo limpa a própria calçada, pinta a própria rua e ergue os olhos para assistir aos jogos em comunidade. As "Ruas da Copa" provam que a maior riqueza da capital amazonense é a capacidade de seu povo de reinventar o próprio espaço com criatividade e orgulho.


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