terça-feira, 6 de agosto de 2024

DESCENDENDO DO SAGRADO IMPÉRIO ROMANO

 




 

Paulo Cugini

 

 

Esquecemo-nos disso com demasiada frequência, ou talvez já não pensemos mais nisso. No entanto, houve quinze (ou talvez mais) séculos muito longos e pesados ​​do Sacro Império Romano. Centenas de anos que formaram, moldaram as nossas almas, os nossos átomos, os nossos neurónios. Centenas, que depois se tornaram milhares de anos durante os quais o Sacro Império Romano distorceu, enganou, desvalorizou descaradamente as nossas já frágeis almas, os nossos neurónios muito fracos, as nossas moléculas muito pequenas. E, tão lentamente, mas inexoravelmente, tornámo-nos Ocidente e, como se não bastasse, como se a dose não bastasse, como se o peso já não estivesse a atingir níveis insuportáveis, acrescentamos: Cristãos. Como se não bastasse o peso do Ocidente, a arrogância do Ocidente europeu, deformado, exausto, desfigurado por séculos, por centenas, quase milhares de anos do Sacro Império Romano, acrescentamos a ele o que inicialmente começou como uma fraqueza, o cristianismo, mas que então em contato com o Império e os romanos, também se transformou em força, em peso.

O que nasceu fraco, no silêncio do deserto, no berço de uma manjedoura, ao longo do tempo, ou seja Jesus Cristo, com os séculos do Sacro Império Romano, tornou-se também estranhamente uma força, um poder, precisamente Sua Majestade o Cristianismo. E então eles tiveram que vestir lenta, mas seguramente o Cristianismo com as roupas luxuosas daqueles que vivem nos palácios, mesmo que Ele, Jesus, não tivesse nascido nos palácios e então, uma vez nascido, Ele nos tivesse dito para não procurá-Lo lá. E nós, cristãos ocidentais, não só o procuramos nos palácios dos reis, onde Ele não nasceu, mas ali o instalamos, engessado, como que mumificado. E durante gerações e gerações, durante séculos e séculos, durante centenas e milhares de anos não fizemos outra coisa, querido amigo, do que construir palácios cristãos, palácios luxuosos, castelos do Sacro Império Romano, catedrais cheias de rendas, ouro, muito fino coisas e muito luxuosas achando que era uma coisa linda, uma coisa certa, quando na verdade não tinha nada a ver com isso. Pelo contrário. Cada vez mais gerações, ao levantarem-se pela manhã, começaram a acreditar, a pensar que era exatamente assim, ou seja, que o Cristão era Romano, que o Sagrado era a mesma coisa que o Império. Tantos castelos, palácios reais, catedrais, tantas rendas, ouro, enfeites nos fizeram acreditar, nos fizeram pensar que o Império era a mesma coisa que o Sagrado e que o Ocidente estava na mesma perspectiva, estava passando pela mesma direção do cristão.

O que as pessoas viam quando o Sacro Imperador Romano passava, começaram a ver nas catedrais do Ocidente cristão. Procissões de incensários dourados, rendas refinadas e vestes luxuosas confundiram lenta, mas ao mesmo tempo inexoravelmente o Imperador do Sacro Império Romano com o Sumo Sacerdote do Ocidente Cristão. Pareciam a mesma pessoa, a mesma coisa; pareciam vir da mesma linhagem, estar do mesmo lado, pertencer à mesma classe social e dizer as mesmas coisas, apoiar as mesmas ideias, os mesmos princípios. Sim, meus queridos, dezenas de gerações, centenas e milhares de anos fizeram com que o Império se tornasse Sagrado e que o Sagrado se transformasse num Império com aquela pitada de Romano que nunca dói, mesmo que, como todos sabemos, dói definitivamente. E tão lentamente, mas cada vez mais inexoravelmente, aquilo que não lhe pertencia, aquilo que não tinha nada a ver com ele, absolutamente nada, se apegou a ele como um vestido, como uma segunda pele, mesmo que você pudesse ver de longe que era o vestido, essa segunda pele tão feia não tinha nada a ver com isso. Séculos de cobertura marcaram não só o destino do cristianismo, mas também o seu conteúdo. E assim, agora não entendemos mais nada sobre esse conteúdo estranho. Tentamos continuar com subterfúgios, com feitiçaria, mas não há o que fazer: não funciona. Tentamos a todo custo restaurá-lo, como era durante o Sacro Império Romano, mas não há mais nada a fazer: não vai se recuperar. O cristianismo tornou-se insignificante. Talvez possamos recomeçar a partir desta insignificância, possamos recuperar alguma coisa.



 O Cristianismo não era assim no início. No início, o cristianismo nasceu numa manjedoura, longe das luzes da cidade grande. No início o mistério foi visitado por alguns pastores: você entende o que lhe escrevo? E isto é, para entender melhor, todo o mistério de Deus manifestado numa criança - outra grande coisinha insignificante! - foi visitado por alguns pastores – outra coisinha enorme e muito mais insignificante que a primeira! - Você já pensou bem: todo o mistério de Deus, o mistério anunciado pelos profetas, o maior acontecimento da história, aconteceu, se realizou numa manjedoura. Que brincalhão Deus! Todo o grande poder de Deus se manifestou no pequeno berço de Belém, numa manjedoura, diante dos palácios dos Reis, das Catedrais, das rendas e das rendas douradas! Toda a glória de Deus contida em um bebê envolto em panos! Toda a força, a energia do cosmos, do universo, das estrelas e dos planetas, está escondida ali. E o pai de Jesus era carpinteiro e não imperador. E o pai do Filho de Deus se chamava José e não Herodes. E Jesus foi chamado de filho do carpinteiro e não de filho do rei. E o Menino Jesus, anunciado pelos profetas do Antigo Testamento, o filho mais esperado da humanidade nasceu em Belém e não em Jerusalém. E o Filho de Deus, o Senhor da história, aquele que mais tarde será chamado e reconhecido como o Rei dos reis, nasceu na periferia e não no centro, numa manjedoura, e não num palácio: consegue pensar nessas coisas? Até porque não se trata de detalhes, de coincidências, de detalhes pequenos e insignificantes, mas de escolhas, decisões, indícios. O mistério de Deus passa por ali e nós, durante dezenas de gerações, centenas e milhares de anos, o obrigamos a passar para outro lugar. É por isso que, embora tudo seja tão claro e simples, mesmo que o Evangelho seja tão transparente, não conseguimos compreendê-lo de forma alguma. Foram tantos séculos de desfigurações, manipulações, falsidades, que agora não entendemos mais nada. Estávamos demasiado habituados a pensar, a identificar o Império com o Sagrado e o Romano, a identificar o Evangelho como o livro do Império, que quando o lemos com atenção não acreditamos, parece-nos um conto de fadas.

E apesar disso, continuamos a procurá-lo nos palácios dos reis. Até quando continuará esta loucura, esta grande palhaçada?

 

20 comentários:

  1. Com toda essas subjetividades que veio do Império fica difícil de encontrar Deus, mas ele nos mandou seu filho amado mostrar o caminho desde quando escolheu seus pais, as circunstâncias de seu nascimento, sua vida e seus milagres e apesar disso tudo é difícil encontrá-lo quando não temos Amor no coração. Encontrar Jesus nos pequenos e humildes detalhes que a vida nos mostra, na natureza, e principalmente nos seus irmãos, nas pessoas em situação de rua e sofrimento. Belíssimo texto Padre que nos traz a realidade que vivemos.

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  2. Texto forte e necessário. Por isso me agrada. Impacta nossa realidade de fé, nossa realidade religiosa. Nos instiga a pensar e repensar nosso caminho. Impacta por jogar na cara realidades cruas que nos acostumamos a não querer enxergar. Pe. Paulo é mais que um padre é um líder a frente de seu tempo. Uma alma inquieta que nos inquieta. Grandioso texto.

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  3. A plenitude da glória de Deus é manifestada pelo seu imenso amor aos seus filhos e filhas, graça redentora alicerçada em Cristo Jesus, onde a divindade do Paí é manifestada na simplicidade e humildade de Cristo, seu filho amado.Talvez seja isso que nos falte, ter a simplicidade do filho de Deus e a humildade para entender, compreender às coisas alto, se desprendendo do homem velho, estagnado, para uma vida nova em Cristo Jesus.

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  4. Uma reflexão necessária. Como um rei que nasce na realeza não lembramos o nome? E como um rei que nasce na pobreza é lembrado depois de XXI séculos? Me instiga a pensar que devemos ser simples e humildes, pois isso agrada a Deus. Não precisamos de templos luxuosos para esperar encontrar nosso Deus. Deus abençoe seu ministério, Pe. Paulo, pois nos tira da zona do conforto.

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  5. É por essas e outras que eu sempre costumo dizer; "na simplicidade Deus se faz presente". Eu sempre consigo enxergar Deus na simplicidade de uma capela, principalmente nas periferias de nossas cidades e nas pequenas comunidades ribeirinhas, onde habitam pessoas simples, que trazem em sua essência o cheiro daquela primeira capela em Belém. Obrigada padre Paolo, por nos fazer refletir.

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  6. Bela reflexão! Jesus nasceu na simplicidade, na humildade para nos deixar o seu exemplo. Portanto, a simplicidade é um dom de Deus. A Igreja deve viver na simplicidade, pois só assim poderá levar o evangelho a todos os povos. Vamos refletir: A simplicidade é um dom de Deus.

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  7. Texto que nos exorta a uma boa reflexão sobre este tema “Descendo do sagrado império romano”, será que nós hoje conseguimos ver o mesmo menino Jesus filho de Deus que nasceu em uma manjedoura, ou será que para muitos ainda permanece o pensamento romano, do luxo, do poder e realeza...se somos realmente seguidores de Jesus Cristo, devemos seguir o que Ele nos ordenou e deixou como exemplo, ele pregou o amor, fez a opção pelos mais necessitados, da pobreza. A igreja em sua infinita sabedora não combateu, não enfrentou o império romano, antes soube conciliar e equilibrar as tradições romanas com o pensamento da época, tornando se forte, como está no texto “transformou-se em força, em peso. Não nos esquecemos que o mesmo Jesus que nasceu pobre em uma manjedoura, também nasceu rei, a ponto de ser visitado e receber ouro, simbolizando sua realeza, Ele apenas nos pediu para nos amarmos assim como Ele nos amou...mas como falta amor em muitas pessoas, na própria igreja, disputas, ódios, falta de perdão, já passou da hora de muitos saírem do sagrado império romano e abraçarem o verdadeiro cristianismo em sua essência, a todos amar, a todos servir e a ninguém excluir.

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  8. Texto rico, profundo e preciso para os nossos tempos. É importante olhar tudo o que a Igreja conquistou ao longo dos séculos, onde ela chegou, mas sem negar os erros que foram cometidos; é importante lembrar que o cristianismo começou simples e humilde.
    A crítica é importante, pois a simplicidade do início do cristianismo misturou-se ao poder político por muitos séculos. A mensagem de Jesus foi se revestindo por estruturas de poder, luxo e também autoridade que não correspondem ao espírito original do Evangelho.
    A fé, de certo modo, foi afastada de sua origem. A reflexão presente no texto acima é importante, porque nós faz um convite a redescobrir o sentido original do Evangelho. Creio que o desafio aqui não é apenas rejeitar a herança que foi deixada, mas discernir, criticamente, o que precisa ser constantemente reformado na igreja.

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  9. A história da igreja e narrado na história a santa ceia no tempo de Jesus foi normal simples não e uma missa que e um teatro,se se veste com roupas grandes , Jesus nasceu viveu pregou o Evangelho o Evangelho humilde não o que nos vemos as grandes templos da igreja,na época de perseguições políticas onde as pessoas eram colocadas a morte , Jesus nasceu numa simples manjedoura os pais humilde, não e hoje,como vemos na igreja no tempo de Agostinho ele ficou abalado na cidade da igreja,deram cidadania,na cidade de Deus de Agostinho 410 bárbaros entraram na cidade histórica ela passou por identificação,313,d.ccatatubas Constantino saiu existe uma forma pagan de grande importância os bispos se tornam aquela funções o poder,o papado interessado no território uma liturgia interesse espiritual toda vestimenta chapéu o anel simbolo de poder são tudo investimento do império romana,o bispo tomava conta de tudo território dinheiro,Em 1870 torna se o papa infantil Gregório tinha tipos a celibato os padres tinham mulheres houve um tempo que teve rebeliões Érico foi se esconder no castelo Gregório Matilde havia vários castelo onde se percebe na igreja católica se percebe o tipo de poder ouro diamante funeral no cortejo, agente ver as ganância no presbitério a igreja católica tinha perdido o foco A missa vale quando você olha a hóstia, movimento litúrgico era um monstro a igreja dominou a política e uma escolha para os pobres nessa época o papa matou 20 mil pessoas Constantino tinha feito documentos falsos o papado tinha monte de terrenos os católicos fudan o partido popular, Lutero fala que só a bíblia salva e o catolicismo inventa a catequese

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  10. Uma crítica forte à forma como o cristianismo, ao longo da história, acabou se misturando com o poder e com a riqueza. De fato Jesus não nasceu em um palácio, nem viveu cercado de luxo. Pelo contrário, nasceu numa manjedoura, filho de um carpinteiro, entre pessoas simples. Isso mostra que a mensagem de Jesus está profundamente ligada à humildade, à simplicidade e à proximidade com os mais frágeis.

    Com o passar dos séculos, o cristianismo se aproximou demais do poder político e das riquezas. Igrejas grandiosas, roupas luxuosas e símbolos de autoridade passaram a marcar a vida religiosa, o sagrado parece estar mais ligado ao poder e ao prestígio. Essa confusão entre o Evangelho e o poder do império, pode acabar escondendo a verdadeira mensagem de Cristo.

    Se Jesus escolheu a simplicidade, a Igreja também deveria agir com mais simplicidade. Mais do que riqueza ou aparência de poder, a Igreja deveria refletir o estilo de vida de Jesus, próximo dos humildes, simples nas suas atitudes e fiel ao espírito do Evangelho. Recuperando a mensagem de Cristo.

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  11. O texto que nos redireciona , que para seguir Deus, não é necessário despojar de ouro refinado, roupas belas ou algo do tipo, logo Jesus nos ensina, para seguir temos que sermos pequeninos, e que assim sermos grandes nós olhos do pai

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  12. O texto nos mostra que, o cristianismo nasceu de forma simples e pobre. Jesus nasceu numa manjedoura, rodeado de pessoas humildes, longe do poder.
    Mas com o tempo, especialmente na época do Sacro Império Romano, a Igreja foi se aproximando do poder político, das riquezas e das estruturas de autoridade. Isso fez com que muita gente começasse a confundir o Evangelho com poder e prestígio.
    A mensagem que Jesus trás para nós, de humildade, serviço e cuidado com os pobres, foi sendo coberta por símbolos de grandeza e luxo.
    O texto nos ajuda a voltar ao essencial: a fé cristã não está nos palácios nem nas riquezas, mas na simplicidade de Belém, na vida humilde de Jesus e na proximidade com os mais pobres.
    Por isso, talvez seja preciso voltar o cristianismo como ele era no começo, simples, humilde e humano. Só assim é possível entender de verdade a mensagem de Cristo, livre das distorções que foram surgindo ao longo da história.

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  13. O cristianismo, nascido no oriente próximo, se contrapos à divindade ocidental greco-romana da época não, pelo menos a princípio, pela imposição, pela força, mas sim pela comparação com aqueles deuses pagãos demasiadamente humanos naquilo que o homem tem de pior. Zombeteiros, arrogantes, vaidosos e que usavam - muitas vezes - a humanidade como instrumento para sua diversão.

    Então chega Deus na sua misericórdia, sua compaixão e perdão, seu amor à humanidade e ganha espaço cada vez maior numa população sedenta do fraterno que agora lhe é oferecido.

    Essa comparação faz com que a nova religião cresça exponencialmente e se torne presença cada vez maior na vida da sociedade a ponto de, em 313 d.C., o Império Romano, parar de persegui-la e aos poucos torná-la religião oficial.

    Isso fez com que a igreja se tornasse cada vez mais mundana. Aquela que havia nascido para ser luz do mundo se torna tão terrena quanto o império, não mais transformando, mas transformada pelo terreno.

    Isso se verifica, inclusive, pelas vestes litúrgicas dos padres e bispos, que se tornam extremamente luxuosas, ricas, cada vez mais distantes do evangelho de Cristo, chegando a, num certo ponto, se tornarem tão distantes do povo que começam a celebrar de costas para seus fiéis, num idioma que ninguém mais conhecia.

    O Concílio Vaticano II faz bem ao concentrar seus esforços na retomada aos primeiros séculos da igreja, com seus padres discutindo e amando Jesus Cristo. Assim a igreja voltará a ser o que o evangelho nos propõe, luz no mundo.

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  14. A política é dever do cristão?
    Sim, por que não!
    No início do Cristianismo com o próprio Jesus de Nazaré e o seu modo de vida que está inteiramente voltado ao Bem comum com povo, essencialmente e especialmente em favor dos mais vulneráveis e marginalizados de seu tempo. Aqui o conceito de política ultrapassa uma forma de organização e de governar cidadãos de uma Pólis. O jovem Nazareno vai além do sistema político dos gregos e romanos, onde só era cidadão as pessoas que possuíam uma função na sociedade ou aqueles que detinham a sabedoria e estudo para governar; e além do mais, estavam restritos a um território.
    Jesus transcende esse costume de conceber a política, a cultura e a religião no modo mais essencial do ser humano, a sua dignidade. É revoltante ver que o cristianismo romanizado de 313 d. C. - 1500, trocou essa simplicidade pelo prestígio político e pela riqueza material. Logo após os apóstolos e as comunidades primitivas ter passado por todo tipo de perseguição, visto que boa parte deles foram martirizados por parte do poder do Império Romano, que dominava com mão de ferro. O desvio ocorre quando a sobrevivência da estrutura religiosa que o Édito de Milão dar ao cristianismo (focada em poder e riqueza) sobrepõe-se à mensagem de Jesus, gerando uma crise de identidade.
    Embora a Igreja tenha construído um legado vasto, sua caminhada registrou desfigurações em que a simplicidade de Cristo foi ofuscada por estruturas de dominação e ostentação. Retomar a pureza cristã exige uma análise honesta desse passado. O objetivo não é negar a instituição, mas exercer uma renovação contínua, separando os costumes criados pelos homens, do propósito genuíno de servidão e humildade ensinado pelo Evangelho. Por fim, é importante levar em consideração o bem comum de uma Igreja Verdadeiramente Cristã, que está consciente no modo ético político de agir no mundo, de modo que somos estrangeiros para ele.

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  15. O texto nos mostra a realidade que a igreja viveu, a realidade da riqueza, das roupas luxuosas, que muitos ficaram presa nela. E nos mostra, como queríamos que Jesus tivesse vindo, em palácio. Ele veio para ser o Rei, mas não o Rei que todos esperavam, Ele veio para governar o mundo, mas não como o povo queria. Pois Jesus veio em uma pessoa simples, pregava para os pobres, comia com os pobres e andava com os pobres.
    Portanto, temos que mostra essa simplicidade de Jesus. Como diz a musica do Padre Zezinho; "amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu...", e assim viver os ensinamentos de Jesus.

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  16. É tão nítido que passamos séculos esquecendo o que Cristo ensinou para focar na estética política romana. Essa herança do Sacro Império fundiu o sagrado com o poder político de um jeito que nem percebemos mais onde termina a fé e onde começa o "ser ocidental". Nossas liturgias se tornaram vazias, não transmitindo mais o sentido do mistério.
    Por isso, é necessário defender o retorno às origens do cristianismo primitivo; precisa-se resgatar esse Jesus que caminha entre os pobres, em vez de habitar palácios revestidos de ouro. Chega a ser cômico pensar em uma realidade tão densa de ouro, vestes e rendas, enquanto se esquece o ponto central do encontro eucarístico: Jesus na fração do pão. Devemos acreditar que o sagrado não precisa estar vestido de poder para ser real. Precisamos apenas parar de tentar ser romanos para, quem sabe, finalmente começarmos a ser mais cristãos.

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  17. Ivan Henrique Tavares10 de março de 2026 às 12:12

    É intrigante observar a vida e a caminhada de Jesus Cristo, o grande Redentor da humanidade, que se esvaziou de si mesmo para assumir a condição humana. A Igreja, que começou nas catacumbas, se tornou uma instituição poderosa, mas é evidente que as pessoas que a lideravam se corromperam e mudaram a essência da missão original: levar a palavra, cuidar dos doentes, ajudar os necessitados e anunciar que Cristo é o Senhor.
    A Igreja se afastou de sua missão em certos momentos, mas é importante lembrar que ela é "santa e pecadora". Embora tenha falhado em alguns aspectos, sempre houve exemplos de caridade, compaixão e acolhimento. A Igreja continua sendo a maior instituição de caridade do mundo, com a fé baseada nas obras.
    É interessante notar que o homem domina a natureza, mas não a própria natureza. O egoísmo, o egocentrismo e a busca por poder persistem na história humana. A herança de uma época de corrupção teve herdeiros que se manifestam nos extremos dentro da instituição.

    Ivan Henrique. 5° período de filosofia

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  18. o texto levanta uma questão muito importante para a filosofia política e para a história do cristianismo: o risco de confundir a experiência religiosa com as estruturas de poder. Ao criticar o período do Sacro Império Romano, o autor chama a atenção para o fato de que, quando uma religião se aproxima demais do poder político, existe a possibilidade de ela perder parte de sua essência original. No caso do cristianismo, que nasceu a partir da mensagem simples e humilde de Jesus Cristo, a associação com impérios, riqueza e autoridade pode ter contribuído para que muitas pessoas passassem a identificar o sagrado com o poder e a grandeza institucional.
    Assim, o texto é interessante porque provoca uma reflexão crítica: ele nos convida a pensar se o cristianismo deve ser compreendido principalmente como uma instituição ligada ao poder ou como uma mensagem espiritual que, muitas vezes, questiona as próprias estruturas de poder. Nesse sentido, a discussão é relevante para a filosofia política, pois toca diretamente no debate sobre a relação entre religião, autoridade e sociedade.

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